A combinação startup e indústria ajudará as empresas a se adaptarem á revolução 4.0
Existe uma irreversível transformação digital em curso nos diversos segmentos da indústria e a adoção de tecnologia vem conectando várias etapas da produtividade na chamada indústria 4.0.
Caso implementada com celeridade e eficiência, essa pode ser uma forma de frear a defasagem competitiva do Brasil e impedir que ela se amplie nos próximos anos. Segundo Andrew Ng, professor de Computer Science da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, a inteligência artificial irá impactar a humanidade da mesma forma que foi afetada pelo advento da eletricidade.
Já Joichi Ito, diretor do Media Lab do MIT, afirma que a tecnologia blockchain será tão revolucionária quanto a internet, transferindo ao usuário final o poder que até então era concentrado em economias intermediárias como as instituições financeiras, por exemplo.
Os executivos e gestores corporativos perceberam as mudanças da nova economia e estão cientes de que será praticamente impossível inovar sem associar-se a startups e aos seus consumidores finais. De acordo com estudo da PwC, há cerca de dez anos, um terço dos presidentes de grandes corporações era diretamente responsáveis pela transformação digital e tecnologias emergentes, mas atualmente este número saltou para dois terços, ou seja, a preocupação dos líderes com os desafios da nova economia é real.
Ao mesmo tempo, o estudo mostrou que o índice de percepção desses presidentes quanto a capacidade de suas corporações utilizarem tecnologias emergentes (e reagirem em tempo a elas) caiu de dois terços para a metade neste mesmo período.
Percebe-se um número, cada vez mais maior, de CEOs envolvidos diretamente com a transformação digital, sob o reconhecimento de que suas corporações não são capazes de lidar sozinhas com a inovação.
As indústrias verdadeiramente inovadoras compreendem que suas soluções (produtos ou serviços) tendem a se comportar cada vez mais como commodities e que o verdadeiro valor agregado de médio e longo prazos está na geração de melhores experiências ao consumidor, na incessante busca por sua fidelização. Para gerar melhores experiências ao consumidor é necessário conhecê-lo e isso significa manter-se próximo, dialogar e até mesmo monitorá-lo.
Nesse contexto, as startups são uma das formas mais rápidas e flexíveis de inovação aberta, múltipla e global para que se atinja novos e melhores resultados em processos industriais, na cadeia de valor e especialmente na geração de valor para o consumidor, onde quer que este esteja.
Não é tão simples encontrar tecnologias emergentes que eventualmente possam “destruir” todo um cluster industrial, entretanto, não se adaptar às mudanças pode sim afetar seu futuro, e por isso acredito que o amadurecimento da relação startup+indústria é uma forma rápida de se adaptar a este bravo novo mundo!
*Beny Fard é head de operações do Stanford Research Institute no Brasil e Fundador & CEO da Spin Aceleradora de Startups, possui formação em engenharia elétrica com mais de 20 anos de experiência em processos industriais e negócios internacionais.