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O que levou o Google a comprar a Fitbit por US$ 2,1 bilhões?

Mesmo que nunca seja lançado um Pixel Watch, compra da Fitbit vale cada centavo. Ela deve se tornar o complemento perfeito para o WearOS

Publicado:
07/11/2019 às 15:00
Leitura
6 minutos

A guerra dos smartwatches ficou muito mais interessante. O Google anunciou na última semana a compra da Fitbit por US$ 2,1 bilhões, levando uma das marcas mais populares de fitness e smartwatch para a gigante da tecnologia. Como em qualquer aquisição, levará certo tempo até que os primeiros frutos da fusão nasçam, mas certamente há muito com o que se animar.

Basicamente, a Fitbit é o complemento perfeito para o WearOS. Mesmo com crescimento e maturidade reais, a companhia não está no nível de um Apple Watch ou mesmo de um dos melhores relógios WearOS quando se trata de inteligência. E é aí que a influência do Google pode fazer a diferença.

O chefe de dispositivos Rick Osterloh praticamente confirmou que os novos “wearables fabricados pelo Google” já estão em andamento, dizendo que as duas empresas estarão “reunindo o melhor hardware, software e IA, para criar dispositivos vestíveis para ajudar ainda mais pessoas ao redor do mundo”. A Fitbit compartilhou desses sentimentos e prometeu que a fusão “acelerará a inovação na categoria de wearables, aumentará a escala e tornará a saúde ainda mais acessível a todos”.

Mas se teremos ou não um Pixel Watch não parece ser a questão para o Google. Para ser sincero, acho que a compra não tem nada a ver com hardware. Como em tudo que envolve o Google, a aquisição tem a ver com dados – e no caso da Fitbit, há muitos deles.

Lucros e privacidade

Estive em vários eventos de lançamento da Fitbit, e todos começaram com um conjunto semelhante de fatos e números que descrevem a quantidade de dados que a companhia coleta para ajudar a melhorar suas métricas e personalizar suas ideias. Como a Apple, a Fitbit promete nunca vender seus dados a anunciantes. É uma sensação de segurança e privacidade que muitos proprietários de dispositivos Fitbit apreciam.

Para seu crédito, o Google entende que a privacidade de dados é de suma importância para os usuários da Fitbit. Assim, o anúncio da fusão especifica que “os dados de saúde e bem-estar da Fitbit não serão usados ​​para anúncios do Google. … E daremos aos usuários do Fitbit a opção de revisar, mover ou excluir seus dados”. Não duvido dessa afirmação. O Google tem respondido constantemente a críticas sobre sua atitude em relação à privacidade e implementou mudanças reais e significativas na maneira como usamos nossas contas. Da mesma forma, também acho que os dados herdados serão incrivelmente valiosos, mesmo que nunca sejam tecnicamente vendidos aos anunciantes.

Apenas algumas semanas antes do anúncio da aquisição, a Fitbit e a BMS-Pfizer Alliance firmaram um acordo “para trabalhar juntas em uma parceria de vários anos para acelerar a detecção e o diagnóstico de fibrilação atrial (afib) para reduzir o risco de morte”. De acordo com o comunicado, as empresas “usarão seus recursos e experiência combinados para ajudar a identificar e apoiar pessoas com maior risco da doença (e) planejam desenvolver ferramentas digitais e conteúdo educacional que fornecerão suporte para o diagnóstico e dará aos usuários informações para orientar uma discussão produtiva com o médico”.

Para a Fitbit, essa parceria apenas agrega valor aos seus dispositivos, uma extensão da sua missão de “capacitar e inspirar você a ter uma vida mais saudável e ativa”. Mas com o Google no comando, a empresa tem um trampolim inestimável para competir em uma área em que ela tem sido amplamente excluída: assistência médica.

Dados são como dados

Pode parecer estranho sugerir que o Google pode se tornar uma especialista em saúde, mas gigantes da tecnologia já estão atuando no setor. A indústria multibilionária está à beira de grandes mudanças, e essas empresas já estão seguindo o caminho para aproveitar o mercado.

A Amazon já possui uma empresa de medicamentos controlados chamada PillPack. Na semana passada, também anunciou a Haven Healthcare, uma joint venture com o JPMorgan Chase e a Berkshire Hathaway, para oferecer planos de seguro de saúde para funcionários. A companhia de Jeff Bezos também administra uma clínica virtual para funcionários de Seattle chamada Amazon Care. Da mesma forma, a Apple opera a AC Wellness, “prática médica independente dedicada a fornecer assistência médica compassiva e eficaz aos funcionários da Apple”.

E se há algo que todos esses empreendimentos têm em comum, são os dados. Sejam comprados (no caso da Amazon) ou colhidos (via Apple Watch), o setor de saúde é construído com base em dados, e a Google apenas acaba de ganhar uma tonelada deles. Mesmo que o Google prometa nunca vender as informações ou usá-las em anúncios, a empresa não faz tais promessas sobre o uso para empreendimentos não relacionados à Fitbit. Com um fornecimento tão abundante de dados e dezenas de milhões de usuários ativos, o escopo do que é possível é espantoso: estudos em saúde, ensaios com medicamentos controlados, pesquisas comportamentais, comparações de custos, e a lista continua. Junte isso às montanhas de dados de localização que a gigante já possui e o Google pode ter se tornado a empresa de tecnologia mais poderosa no setor de saúde.

E isso não poderia ser feito sem a Fitbit. Sem um wearable ou mesmo um aplicativo fitness popular, os dados de saúde do Google não são relevantes – e certamente não são tão confiáveis ​​e robustos quanto os da Fitbit. Obviamente, toda empresa de dispositivos vestíveis quer um pedaço do alcance da Apple, e nem a Fitbit nem o Google foram capazes de competir sozinhas. Mas, assim como o Google Fi e o Pixel, acho que suas ambições são muito maiores do que hardware. Sim, podemos ver um Pixel Watch e, sim, os dispositivos Fitbit podem executar uma versão do Wear OS e obter suporte do Google Assistente, mas isso é apenas um efeito do que realmente importa: dados. Afinal, o Google não precisa vender nada para ficar rico.

 

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