Quais são as principais habilidades necessárias, onde está a escassez de mão de obra e quais estratégias definir
De acordo com um novo relatório da KPMG, as empresas que estão explorando as aplicações do blockchain estão a procura de candidatos a vagas de emprego com habilidades específicas. Para além da compreensão sobre o funcionamento da tecnologia, essas organizações demandam que os interessados entendam sobre negócios e tenham capacidade de aplicar o blockchain para a resolução de questões específicas.
Para a KPMG, o primeiro requisito para se tornar um profissional na área é saber como aplicar o blockchain no mundo dos negócios. Em segundo lugar, os interessados devem entender a diferença entre diferentes tecnologias para saber quando usar mecanismos e plataformas diferentes.
“Isso ajudará a garantir que eles possam entender como o blockchain interage dentro de um ecossistema de tecnologia existente e como esse ecossistema impactará a solução de blockchain”, explica a KPMG. “E para aqueles que estão planejando trabalhar no lado do desenvolvimento do blockchain, algum conhecimento de codificação (JavaScript, HTML, etc.) é útil.”
Isso significa que as empresas procuram desenvolvedores de blockchain com visão de negócios, além da capacidade de entender os dados gerados nas plataformas para utilizá-los em determinados contextos. Uma das principais características do blockchain é sua capacidade de abranger uma organização e seus parceiros, conectando várias entidades por meio de um único registro eletrônico. Por isso, é fundamental que o profissional tenha capacidade analítica de avaliação das melhores formas de implantação da tecnologia.
Os interessados em trabalhar com desenvolvimento ou engenharia de blockchain devem pensar como um hacker e ter capacidade de pensar nos objetivos do negócio. Além disso, o profissional precisa entender as implicações e o valor da tecnologia “para cada um dos participantes e então [definir] a arquitetura e o fluxo geral da solução”, diz a KPMG. “É essa abordagem colaborativa que leva a uma aplicação bem sucedida do blockchain.”
Por ser uma tecnologia relativamente nova, os profissionais devem estar abertos a explorar e experimentar a solução. Apesar da maioria dos técnicos que têm o blockchain em suas qualificações sejam especialistas em linguagens de programação como Java ou Python, esse não é um pré-requisito para o aprendizado da tecnologia. Hoje, os principais cargos na área são estagiários, gerentes de projeto, desenvolvedores, engenheiros, consultores jurídicos, advogados e web designers.
“Os projetos Blockchain não terão sucesso ou serão dimensionados sem uma equipe multifacetada que vá além dos técnicos”, alerta a KPMG. “Esperamos que mais universidades integrem blockchain em cursos futuros, o que ajudará a preparar os usuários finais e aqueles que serão responsáveis pela criação, implantação e gerenciamento de blockchain.”
Atualmente, há uma falta significativa de desenvolvedores que trabalham com blockchain. Essa escassez é um dos principais obstáculos para as empresas que querem implantar a tecnologia, por isso, o mercado de trabalho para os interessados é grande.
Um relatório de empregos publicado pela Hired mostra que engenheiros de softwares com conhecimento em blockchain estão sendo bastante requisitados. Segundo os dados, o número de vagas aumentou mais de cinco vezes no ano passado. Um detalhe interessante sobre o assunto é que, apesar das habilidades de blockchain ser a mais procurada pelos contratantes, apenas 12% dos profissionais de tecnologia consideram o blockchain como a principal solução que desejam aprender e trabalhar.
Outro problema que afeta o interesse dos profissionais é a dificuldade em encontrar vagas que ofereçam treinamento. Em geral, um em cada cinco engenheiros de software é autodidata. Nesse contexto, a expectativa dos especialistas é de que nos próximos anos surjam novos cursos de capacitação em blockchain, com a criação de disciplinas específicas em universidades de todo o mundo.