Começamos a falar sobre DevOps com foco no que essa Buzzword não representa, e os problemas de cenário que essa abordagem se propõe a resolver. Se você não leu, o último artigo está disponível aqui.
Pois hoje iremos falar do que movimento DevOps se propõe, de fato, provocar discussões e reflexões para ajustar este cenário disfuncional, colocando o foco onde sempre deveria estar: no valor gerado aos usuários das aplicações, onde exista um ciclo curto entre ideias e software em produção e que tanto o comportamento da aplicação no ambiente produtivo quanto o comportamento dos usuários nas aplicações sejam monitorados e gerem feedback para melhoria contínua.
Se eu tivesse que descrever DevOps, diria que ele é sustentado por quatro pilares principais:
Cultura
Pessoas e processos em primeiro lugar. Se a cultura de integração e colaboração entre os times de desenvolvimento e operação não existir, qualquer tentativa de automação será em vão. Não tenha dúvida de que este será o maior desafio de qualquer iniciativa de DevOps.
Automação
Este é o próximo passo uma vez que a etapa da cultura esteja vencida. Neste cenário, ferramentas entram em cena para automatizar diversos processos. Automação de build, de provisionamento de ambientes para testes e dos processos de release. Automação de testes de unidade, funcionais de integração e de carga. Monitoramento de disponibilidade e performance de ambientes e análise de comportamentos dos usuários.
Automação de processos é fundamental para que haja boa sinergia entre desenvolvimento e operação.
Mas atenção, automação é um componente de DevOps e não o DevOps propriamente dito. Muitos fabricantes de ferramentas começam a trazer suas mensagens de DevOps para a rua, mostrando as capacidades de suas ferramentas, induzindo você a pensar que implantação de ferramenta por si só é suficiente para que todo esse movimento cultural aconteça. É preciso muito mais que isso para que se tenha uma mudança de paradigma, onde haja realmente mudanças de atitudes, que consigam juntar pessoas em torno de um real propósito. Não se deixe confundir!
Medição
Se você não pode medir, você não pode melhorar nem aperfeiçoar seus processos. Uma iniciativa de DevOps bem sucedida certamente irá medir tudo que for possível: performance, processos e até mesmo pessoas.
Compartilhamento
Criar uma cultura onde as pessoas se comunicam e compartilham ideias e problemas é ponto crucial numa iniciativa de DevOps. Outro ponto importante que deve ser compartilhado são as histórias de sucesso. Elas atraem novos talentos para o movimento e criam um excelente canal de feedback que, afinal, contribuem para fomentar um processo de melhoria contínua.
A cultura come a estratégia no café da manhã
Essa famosa frase de Peter Drucker representa bem o maior desafio de uma iniciativa de DevOps. Infelizmente, não se pode fazer download de cultura. Mudança de comportamento e foco nas pessoas é o que vai mudar a cultura das organizações.
O grande ponto do DevOps é o modelo mental que preconiza que todos estão do mesmo lado, tentando a mesma coisa: entregar continuamente software de valor, capaz de transformar a vida das pessoas.
Márcio Sete é diretor de Marketing e Desenvolvimento de Negócios na especificacoes.com, empresa de gestão de ciclo de vida de aplicações (ALM).