A Canonical, empresa mãe do Ubuntu, tem feito movimentos para chamar a atenção de CIOs
O Ubuntu é conhecido entre os usuários como o Linux descolado. Está disponível para pré-instalação em PCs e laptops da Dell e em vários outros fornecedores de hardware menores. O Ubuntu, porém, não é conhecido por ser uma distribuição Linux valorizada por CIOs e gerentes de TI. Mas isso está mudando.
A Canonical, a empresa mãe do Ubuntu, está finalmente tomando ações sérias em seus anúncios de longo prazo para se tornar um grande fornecedor de Linux para corporações. A ilha dos distribuidores de Linux não tem como alvo apenas os servidores de data centers, mas isso já faz parte da lista.
Em primeiro, a Canonical junto com a Red Hat e a IBM anunciou em no dia 5 de agosto no LinuxWorld em São Francisco que em 2009 oferecerá um software da IBM para servidores e desktops OEMs. Dessa forma, os clientes corporativos terão o Lótus Notes, lótus Symphony e o Lótus Sametime, assim como os distribuidores de Linux. O plano é entregar o pacote completo para revendedores e integradores.
“A adoção lenta do Vista pelo negócio e CIOs preocupados com orçamento, combinados com um novo tipo de PC livre da Microsoft, provê a companhia de uma ótima oportunidade para o crescimento do Linux”, disse Kevin Cavanaugh, vice-presidente de software da IBM Lótus. A Ubuntu, que deve ser o Linux para desktop mais popular hoje, planeja usar essa tendência geral para elevar não apenas suas vendas para desktops, mas para entrar em data centers.
Malcom Yates, gerente de alianças com vendedores independentes da Canonical, disse em uma entrevista, “muitos dos nossos clientes usam o Ubunto para desenvolvimento de softwares. Agora, eles querem colocá-lo no servidor e queremos nos certificar que quando isso acontecer, nossos clientes fiquem igualmente satisfeitos.”
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Assim, explica Yates, “queremos tornar mais fácil a instalação de softwares no servidor Ubunto, assim como o é em desktops. Por exemplo, estamos quase prontos para lançar o DB2 e sistemas de gerenciamento de dados Informix que vem como um pacote DEB, que instalará e fará configurações básicas com uma quantidade pequena de cliques ou um comando simples e linear.”
Além de bases de dados e do servidor IBM OCCS a Canonical fez uma parceria com a Alfresco, um sistema de gerenciamento de conteúdo open-source e que substitui o Microsoft SharePoint. A versão beta do Alfresco Labs 3 está disponível para download no portfólio do Ubunto. “Quando a Alfresco lançou o Alfresco Enterprise Release 3 este ano, tornaremos toda a solução corporativa disponível na Canonical Store”, disse Yates.
A empresa oferecerá ainda o Zimbra Desktop Client, do Yahoo, diz o executivo, o que será um grande avanço para os usuários corporativos. Por último, a Canonical irá ofertar o Unison, que é um pacote que combina sistema de telefonia, e-mail e mensagens instantâneas. Ele foi desenhado para substituir PABXs de pequenos negócios e o Microsoft Exchange, e irá rodar tanto em desktops Linus como Windows.
È possível que a Canonical coloque o plano em prática mesmo com a Novell e a Red Hat já presentes nesse cenário? Jay Lyman, analista de ope-source para o The 451 Group, acha que sim. Para ele, o Ubunto faz parte de uma tendência maior de fragmentação do mercado Linux. “Vemos outras companhias além da Novell e da Red Hat se mexendo. Já que a Canonical é tão forte em desktops, e se esforça em servidores, acreditamos que o cenário é favorável.”
Além disso, continua Lyman, “o Ubuntu precisa de um grande acordo de OEM para continuar crescendo”. Lyman pode ver isso acontecendo antes do final do ano: “Talvez a Canonical pule a fase servidores e se mostre um fornecedor com uma abordagem ligada ao conceito de computação em nuvem.”
De uma forma ou de outra, no entanto, está claro que a Canonical e o Ubuntu não são apenas para entusiastas do Linux, estão chamando a atenção de CIOs também.