Apesar de o governo ter negado, na semana passada, o pedido das operadoras para adiar o prazo de pagamento das licenças de terceira geração (3G), o presidente da TIM, Mario Cesar Pereira de Araujo, afirmou ontem que as negociações continuam para outras alternativas.
De acordo com o executivo, o adiamento do pagamento das licenças era uma das formas em estudo com o governo. Ele afirmou, entretanto, em encontro com jornalistas, que outras opções, como linhas de financiamento do BNDES ou a postergação de pagamentos de fundos setoriais, como o Fistel (que deverá ser pago em março do próximo ano), podem ser adotadas.
“Entendemos que pode haver em 2009 algum represamento do crescimento, além da alta do dólar”, disse. Por isso, afirmou, governo e operadoras continuam a conversar sobre “alguma forma de aliviar o caixa das empresas”.
Segundo o Araujo, o governo está interessado e se mostra sensível aos pedidos, mas ele lembra que, como a decisão tem de ser feita em concordância com a arrecadação e com os demais setores, não tem prazo para ser concluída.
Depois do sinal de 10% pago na assinatura do contrato em abril, as operadoras que adquiriram licenças de 3G devem pagar outra parcela ou o total no dia 10 de dezembro. A Claro foi a única a pagar, na assinatura, a totalidade das licenças compradas. As demais devem optar por quitar todo o restante ou utilizar a opção de financiamento oferecida pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Araujo informou que a TIM provavelmente não vai utilizar o financiamento da Anatel. Segundo ele, a companhia tem caixa para pagar ou pode optar por financiamentos de curto prazo.
A parte que resta à TIM quitar das licenças é de R$ 1,2 bilhão, enquanto seu caixa no final de setembro era de R$ 1,4 bilhão.
O presidente da TIM também informou que até o Natal, terá iPhone para oferecer aos clientes, mas disse ainda não poder dar detalhes da negociação da operadora com a Apple, criadora do modelo. Até o momento, o iPhone é vendido pela Claro e pela Vivo, mas a TIM já havia anunciado a disposição de também trazer o modelo, já que sua controladora Telecom Italia é a parceira exclusiva da Apple em seu país. A TIM perdeu o segundo posto no ranking de número de clientes em setembro para a Claro. Segundo Araujo, a participação de mercado “é uma política interna de cada empresa” e a TIM está mais preocupada com a participação em receita.