CIO da Votorantim Cimentos detalha como a companhia trabalhou com a inovação aberta, aproximando de suas estratégias o ecossistema de startups
O setor cimenteiro é tradicional. Ao longo dos últimos anos não ocorreram grandes transformações em sua forma de produção, no entanto, sempre buscamos a inovação para atingir excelência operacional e aperfeiçoamento de nossas soluções.
A história da Votorantim Cimentos comprova que sempre fomos empreendedores, mas, em um processo que ganhou força nos últimos anos, estamos consolidando a nossa cultura de inovação e preparando os próximos anos com a gestão dos principais riscos e dos desafios atuais e futuros do negócio e da sociedade.
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Nosso objetivo é quebrar barreiras para gerar ainda mais valor para o negócio, por isso, vemos na tecnologia um grande diferencial para continuarmos a nossa história de inovação de forma muito mais rápida, com um escopo mais amplo, que garanta a perenidade da empresa e, acima de tudo, deixe um legado para a sociedade.
Mesmo com esse histórico foi necessário realizar transformações profundas para trabalhar com Inovação Aberta. O primeiro grande desafio foi demonstrar, dentro da própria empresa, a geração de valor para a companhia. A partir do Planejamento Estratégico, desenhamos a estratégia de transformação digital da organização como um todo. Organizamos a metodologia e os processos dentro da Votorantim Cimentos.
Isso nos levou ao segundo desafio nesta jornada, a criação da cultura de inovação. Diferentes áreas internas precisavam de novos modelos. Não poderíamos trazer inovação mantendo os mesmos processos internos. Criamos, então, uma nova política para contratação de fornecedores, com modelos de cocriação, garantindo a governança e agilizando e viabilizando o processo para nosso novo ecossistema de atuação, por exemplo. Desta forma, nos adaptamos ao mercado e preparamos a casa para receber estes novos parceiros.
Num primeiro momento, o foco foi o lançamento de desafios para buscar parceiros externamente e identificar quem seriam os atores nas startups, centros de pesquisa, governo e outras empresas. Nossa plataforma de inovação aberta VC Connect tem o propósito de conectar os desafios da empresa com as soluções inovadoras presentes no ecossistema de startups, centros de pesquisas, entre outros.
No primeiro ano da plataforma, 2017, o tema dos desafios foi focado na Indústria 4.0. Já em 2018, a proposta envolveu a concreteira Engemix com objetivo de desenvolver uma solução para medição do volume na entrega do produto para os clientes.
Em 2019, os três desafios já apresentados prospectaram soluções para as equipes de finanças (como criar um sistema de pagamento inovador para irmos além do tradicional boleto), de recursos humanos (criar um mapa de carreira interno) e agregados (um simulador de gestão de mineração e britagem de agregados).
Ao longo desses dois anos tivemos mais de 100 startups participando de desafios e cerca de 90 profissionais da Votorantim Cimentos envolvidos nas avaliações. Já atuamos com uma startup contratada, vencedora do primeiro ciclo de inovação aberta. Desenvolvemos junto com a Geoinova o VC Maps, um software de gestão de territórios para supervisionar as áreas de mineração e fábricas, que estão distribuídas por todo no Brasil.
Outros projetos resultados dos desafios já lançados também estão em diferentes fases de desenvolvimento. Desde o início criamos uma área específica para trabalhar com inovação aberta e a seleção de temas. Hoje, os temas que serão trabalhados têm aprovação do Comitê Executivo da Votorantim Cimentos, pois a inovação aberta faz parte da estratégia da companhia. A Votorantim Cimentos passou a fazer parte do ecossistema.
A companhia teve a oportunidade de acessar essas empresas e suas soluções, mas também passou a ser reconhecida como um parceiro importante para as startups. As grandes empresas são um playground em que as startups podem testar suas soluções.
Neste processo, observamos que com algumas startups mais maduras poderíamos trabalhar com o modelo fast track, uma linha mais rápida para incorporarmos as soluções das startups dentro da dinâmica da companhia. O desafio, neste caso, é analisar o que o mercado oferece.
O próximo passo foi estruturar a companhia para trabalhar com fundos de fomento, processo que envolveu as áreas de engenharia, jurídico, governança e compliance, além de TI. É necessário uma estrutura mais detalhada para atuar com fundos como a Finep (Financiadora de Inovação e Pesquisa) e a Lei do Bem.
Porém, é importante ressaltar que a inovação aberta não é eficaz apenas para grandes desafios, ela pode resolver também problemas menores dentro das empresas. Ao logo desse processo diversas áreas da empresa passaram a se envolver em um curto espaço de tempo.
Este não é um projeto da área de TI, é um meio para a organização enxergar a criação de valor a partir da inovação. Não é um caminho fácil, tanto que grandes empresas de diversos setores ainda preferem atuar apenas com seus departamentos próprios de pesquisa e inovação.
Mas para nós, o ecossistema de inovação aberta vem evoluindo globalmente e nosso objetivo é explorar essa capilaridade, bem como colaborar para o fortalecimento desta.
*Humberto Shida, CIO Global da Votorantim Cimentos