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Pagamento eletrônico movimentará US$ 13 bi em SP e Brasília, estima estudo

Levantamento busca quantificar potenciais benefícios e custos do aumento do uso dos pagamentos digitais

Publicado:
08/03/2018 às 17:02
Leitura
7 minutos
Pagamento eletrônico movimentará US$ 13 bi em SP e Brasília, estima estudo

 

Estudo independente encomendado pela Visa à Roubini ThoughtLab mostra o impacto econômico do crescente uso de pagamentos digitais em grandes cidades do mundo, inclusive São Paulo e Brasília. O estudo estima que o aumento no uso de meios eletrônicos de pagamento, como cartões e pagamentos móveis, poderia gerar um benefício líquido de até US$ 470 bilhões por ano nas cem cidades estudadas, quando consideradas em conjunto – o equivalente a cerca de 3% do PIB médio de todas essas cidades. Se considerarmos São Paulo e Brasília, esse benefício chegaria a US$ 13 bilhões nas duas cidades juntas.

“Cidades sem dinheiro em espécie: Compreendendo os benefícios dos pagamentos digitais” é um estudo exclusivo que quantifica os potenciais benefícios experimentados pelas cidades que migram para um nível elevado de uso de pagamentos digitais – atingido quando o índice de uso de pagamentos digitais de toda a população de uma cidade se iguala ao dos 10% de usuários que mais utilizam esse tipo de pagamento atualmente no município. Ou seja, o estudo não prevê a eliminação total do dinheiro em espécie. Por outro lado, busca quantificar os potenciais benefícios e custos do aumento do uso dos pagamentos digitais.

A Roubini ThoughtLab escolheu seis cidades (Lagos, Bangkok, São Paulo, Tóquio, Chicago e Estocolmo) para avaliar de forma mais detalhada. O critério de seleção foi o fato de elas representarem níveis diferentes de maturidade quanto aos pagamentos digitais e, a partir daí, foram classificadas como Centradas em Dinheiro em Espécie, em Transição Digital, em Amadurecimento Digital, Digitalmente Avançadas ou Líderes Digitais. São Paulo ganhou protagonismo por ter sido escolhida para exemplificar as cidades “Em Amadurecimento Digital”, mesmo patamar em que Brasília se encontra.

Confira os destaques das cidades brasileiras estudadas:

São Paulo

Segundo o relatório, se toda a população da capital paulista alcançasse o mesmo nível dos 10% com maior utilização dos pagamentos eletrônicos, os benefícios líquidos somados seriam maiores que US$ 11 bilhões.

Esse valor estaria distribuído da seguinte maneira: consumidores (somados) se beneficiariam com mais de US$ 1 bilhão por ano, os estabelecimentos comerciais seriam beneficiados em US$ 7 bilhões e seriam mais de US$ 3 bilhões para o governo local.

Além disso, no cenário estudado, em 15 anos, São Paulo registraria um aumento de 0,23% no PIB por ano e 106 mil novos postos de empregos formais.

As empresas gastam, em média, 2% de sua receita por mês com o recebimento de pagamentos não digitais. Essa percentagem aumenta para 3% em algumas cidades, como São Paulo.

As empresas nas seis cidades analisadas perdem, em média, o equivalente a 4% de suas receitas devido a roubos, dinheiro falso e falta de fundos na caixa registradora. Apesar de serem menores em cidades de mercados desenvolvidos, como Chicago (1%) e Tóquio (2%), esses valores podem ser significativamente elevados em cidades de mercados emergentes, como São Paulo (9% cada).

Em São Paulo, as empresas de pequenos, médios e grandes portes tiveram ganhos substanciais quando passaram a aceitar pagamentos digitais, 51%, 30% e 27%, respectivamente.

Os consumidores de São Paulo registraram um pagamento médio anual de encargos por atraso de pagamento de US$ 15, respectivamente. Em Tóquio, cerca de 7% dos consumidores pagam taxas, enquanto em São Paulo esse número supera 45%. Se a utilização dos pagamentos digitais em São Paulo aumentasse, essa média cairia para 27% e a cidade poderia registrar uma redução anual superior a US$ 7 per capita em tais encargos.

Brasília

Já na Capital Federal, se toda a população alcançasse o mesmo nível de utilização dos pagamentos digitais que os 10% que mais utilizam possuem, os benefícios somados seriam maiores que US$ 2 bilhões.

Desse total, US$ 1,4 bilhão iriam para os estabelecimentos comerciais, US$ 0,5 bilhão seriam destinados para o governo e US$ 0,2 bilhão para os consumidores da cidade.

O PIB em Brasília cresceria, em 15 anos, o equivalente a 0,27% por ano e seriam abertas mais de 20 mil vagas formais de emprego.

Cidades estudadas

O relatório estima benefícios imediatos e de longo prazo decorrentes da redução do uso do dinheiro em espécie para três grandes grupos – consumidores, empresas e governos. Segundo o estudo, a soma desses benefícios poderia chegar a cerca de US$ 470 bilhões em benefícios líquidos diretos nas cem cidades analisadas:

Os benefícios líquidos diretos estimados para os consumidores das cem cidades poderiam chegar a quase US$28 bilhões por ano. Esse impacto é resultado de uma série de fatores, entre os quais as 3,2 bilhões de horas que eles deixariam de gastar fazendo transações em bancos, no varejo e nas redes de transporte público, e a redução de crimes relacionados ao porte de dinheiro em espécie.

Os benefícios líquidos diretos estimados para as empresas das cem cidades poderiam superar os US$312 bilhões por ano. Esse impacto resultaria de uma série de fatores, entre os quais as cerca de 3,1 bilhões de horas que as empresas deixariam de gastar processando os pagamentos recebidos e efetuados, além do aumento de receita resultante do aumento da base de clientes nas lojas físicas e on-line. O estudo constatou também que a aceitação de dinheiro e cheques custa às empresas 7 centavos por cada dólar recebido, contra 5 centavos por dólar coletado de meios digitais.

Os benefícios líquidos diretos estimados para os governos das cem cidades poderiam chegar a quase US$130 bilhões por ano. Esse impacto resultaria de uma série de fatores, entre os quais, o aumento na arrecadação fiscal, o maior crescimento econômico, as economias resultantes do ganho de eficiência administrativa e a redução nos custos com processos criminais devido à queda nos crimes relacionados ao porte de dinheiro em espécie.

“Este estudo demonstrou que existem vantagens substanciais para consumidores, empresas e governos à medida que as cidades aumentam a adoção de pagamentos digitais”, diz Gustavo Noman, diretor de Relações Governamentais da Visa. “Os benefícios para as sociedades que substituem os pagamentos em dinheiro pelos digitais são elevação do crescimento econômico, queda da criminalidade, aumento do nível de emprego, alta de salários e aumento da produtividade dos trabalhadores”.

À medida que as cidades adotam o uso de pagamentos digitais, os impactos positivos podem ir além dos benefícios financeiros para consumidores, empresas e governos. A migração também pode ter um efeito catalisador no desempenho econômico geral da cidade, como crescimento do PIB, dos empregos, salários e da produtividade – como mostrado nos números acima destacados.

“O uso de tecnologias digitais – de smartphones e wearables à inteligência artificial e carros sem motoristas – está transformando rapidamente a forma como os moradores de uma cidade fazem compras, viajam e vivem”, diz Lou Celi, presidente da Roubini ThoughtLab. “Sem uma boa base para os pagamentos eletrônicos, as cidades não conseguirão alcançar integralmente seu futuro digital, aponta nossa análise”.

O estudo “Cidades sem dinheiro em espécie: Compreendendo os benefícios dos pagamentos digitais” oferece 61 recomendações para os formuladores de políticas públicas ajudarem suas cidades a ganhar eficiência com o aumento da adoção de pagamentos digitais. Entre elas estão: conduzir programas de educação financeira para ajudar a aumentar a inclusão bancária e estimular a inovação focada no uso de novas tecnologias de pagamento.

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