Pierre Lévy é considerado um dos principais pensadores das mudanças na sociedade com o advento da internet. Idéias tratadas em obras como As Tecnologias da Inteligência (1990), Inteligência Coletiva (1994) e Cibercultura (1997) ecoam como novidade ainda hoje. “Atualmente, muita gente pensa como eu, mas há quinze anos eu me sentia sozinho”, afirmou Lévy em uma palestra em São Paulo, na última quinta-feira (16/08).
Atualmente, Lévy trabalha no projeto de uma “metalinguagem”, ou seja, uma linguagem de gramática regular e sentidos não-ambíguos, que possa ser compreendida pelo computador para desenhar hipertextos e matrizes de hipertexto. Seria uma linguagem universal, que localizaria qualquer significado e qualquer relação entre os significados para facilitar a busca por informações na internet. “Temos um território imenso e nenhum mapa”, resume o filósofo, que prevê o lançamento de um livro com os resultados dessa pesquisa em três ou quatro anos. “Está sendo difícil escrever e será mais difícil ainda ler”, avisa.
Isso resolveria parte do que é considerado por ele um dos principais desafios do ciberespaço no momento: o gerenciamento do conhecimento. O filósofo elege a Wikipedia como a principal iniciativa até agora para organizar os saberes da sociedade e cita o projeto Tenth Family, da França, como outro exemplo de colaboração via web. Segundo ele, o projeto consiste em uma família listar, eletrônicamente, problemas que esteja enfrentando, sejam eles sociais, administrativos ou econômicos, e outras nove famílias listam o que elas podem oferecer em produtos ou serviços. “É uma espécie de mercado de ajuda em uma base familiar”, diz.
Com um tom sempre otimista com relação às possibilidades oferecidas pelas novas tecnologias tanto em suas obras quanto em palestras, Pierre Lévy não reconhece o domínio do Google entre os mecanismos de busca ou a aglutinação das telcos em grandes blocos como algo que possa restringir o acesso às informações e a navegação no ciberespaço. “Quando eu era pequeno, existia uma grande empresa que dominava a tecnologia chamada IBM. Hoje, você não é obrigado a usar o Google ou o Windows se não quiser.”