As coisas estão se transformando em computadores e não precisamos
mais chamá-las de computadores. Hoje, vestimos computadores, falamos em
computadores, dirigimos computadores.
Só no último ano, o mercado brasileiro de PCs registrou
queda de 25% nas vendas. Globalmente, a redução foi de 2,4%. Por outro lado, as
vendas de smartphones ultrapassaram as vendas de PCs pela primeira vez em 2011,
segundo números da IDC, e a expectativa é que este ano seja a vez dos tablets
derrubarem os computadores para a terceira posição.
Diante disso, não soa exagero afirmar que os PCs estão se
aproximando do fim, especialmente quando consideramos outra estimativa da IDC,
que diz que 87% dos dispositivos conectados serão tablets e smartphones em 2017.
Ou seja, apenas 13% serão computadores.
Esses números foram citados pelo Prof. Dr. Hélio Costa Jr.,
da Universidade Federal de Alfenas (Unifal), durante a palestra “Fim dos
computadores”, que ocorreu na Campus Party, na quinta-feira (5/2). “Acredito que
os computadores serão substituídos até mesmo no mundo corporativo”, projeta.
Durante a apresentação, o especialista enfatizou que o
computador perdeu sua importância. “É a mesma capacidade que
foi evoluindo, nos colocou outras possibilidades, aproveitamos essas
oportunidades e transformamos os computadores em diversas máquinas de entretenimento,
lazer, saúde, trabalho”, acrescentou.
Segundo ele, os sintomas do fim dos PCs já estão começando a
aparecer no contexto corporativo com o BYOD. Por enquanto a tendência ainda não
funciona para todas as empresas, mas algumas iniciativas já podem ser vistas,
como é o caso da empresa que organiza o Rock in Rio.
“Não faz sentido para
a companhia comprar mil computadores e contratar mil pessoas para suas áreas só
para o evento. Então todas essas pessoas já estão sendo contratadas com a
cláusula de BYOD no contrato, por meio da qual o funcionário deve trazer o
dispositivo pro trabalho”, descreve.
O professor também cita que o BYOD também está presente na universidade,
uma vez que muitos professores já abriram mão dos computadores fornecidos pela
instituição e preferem usar seus próprios notebooks.
Costa, contudo, não acredita na convergência da computação
em um único dispositivo, e sim no uso de múltiplas telas, como o que já
acontece, algo defendido por outros teóricos desde 1995, de forma que há
momentos em que as pessoas vão preferir usar o computador na posição em 90
graus para ter mais concentração, outros em que vão usar em 30 graus, como em momentos
de maior descontração.
Tudo isso muda a relação do usuário com o dispositivo e, por
isso, continuarão a existir diversos formatos. Provavelmente, o formato que
será mais dominante será o que está mais próximo – no caso, atualmente seria o
celular.
À medida que os dispositivos móveis avançam, a disputa de
sistemas operacionais por fatias de mercado torna-se mais acirrada. Na visão do
especialista, os padrões abertos têm muitas chances de saírem como vitoriosos. “As
pessoas ficam mais à vontade quando elas não precisam fazer o que uma empresa
manda”, comentou.
Ele lembra que a plataforma Windows têm perdido espaço nesse
mercado juntamente com a redução da importância dos PCs. “Ele não emplacou na
TV, nem em smartphones, nem em tablets. Pode ser que a Microsoft tenha perdido
o bonde dos tablets e se ela ficar restrita somente aos PCs ela está condenada.”