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  3. Plano de banda larga: como acontece nos EUA

Plano de banda larga: como acontece nos EUA

Publicado:
23/08/2010 às 10:42
Leitura
6 minutos
Plano de banda larga: como acontece nos EUA

Nos EUA, o Plano Nacional para Banda Larga, de 376 páginas, da FCC, prova da habilidade da burocracia federal em preencher uma quantidade enorme de papéis, busca beneficiar a TI corporativa nos próximos anos, em diferentes áreas, se a agência persistir. Em primeiro lugar, o órgão diz que irá divulgar informações de mercado sobre preço e concorrência de banda larga. Será que essas informações serão tão úteis quanto são o eBay e o PriceWatch em determinar quanto você deve pagar? Não temos certeza. Mas, a transparência em si ajuda bastante. Em um mercado em que todos sabem quanto cada um está pagando tende a ser um segmento em que os preços caem o máximo possível.

Em segundo, a FCC disse que irá disponibilizar maior área de cobertura wireless, além de atualizar as regras para cobertura backhaul. O presidente norte americano, Barack Obama, apoia o movimento para ajudar a FCC com um plano para disponibilizar uma área de cobertura de 500 MHz, até o final desse ano. Ainda não estão claros quais serão os procedimentos de licenças, e por qual área de cobertura será aplicado. Nossa aposta: alguma mistura de espectro sem licença (algo como 2.4 GHz, um pesadelo para as áreas de TI que querem evitar interferências), alguns licenciados (como 800 MHz, cuja documentação pode levar meses ou até anos para ser processada), e alguns “levemente licenciados” (como a banda de 3.650 MHz que foi alocada para a WiMax, em 2005, que requer duas ou mais licenças, na mesma região, para cooperar). Quando as novas áreas de cobertura forem ativadas, devem revitalizar o mercado e gerar inovações de produtos, o que deve tornar a implantação de internet sem fio um pouco mais difícil para as empresas.

A FCC também planeja aperfeiçoar os procedimentos de “direito de passagem”. Empresas de energia e algumas outras que possuem pólos estão sem documentação ou possuem acordos onerosos contra qualquer um que queira usar um pólo ou fazer ponte. Otimizar e padronizar esse processo seria uma boa notícia para o mercado de telecom e para os usuários corporativos que querem contornar as operadoras.  A questão sem resposta é: como a FCC irá “encorajar”os que têm “direito de passagem” a aperfeiçoar esses procedimentos?

O Plano Nacional para Banda Larga estipula, também, objetivos em longo prazo, incluindo 100 milhões de consumidores capazes de alcançar, por preços razoáveis, a velocidade de download real de 100 Mbps – 10 vezes mais rápido do que a maioria dos consumidores dos EUA alcançam hoje. Mais interessante para a TI corporativa, o plano esquematiza um objetivo de acesso barato a links de 1 Gbps para “instituições âncora” – hospitais, centros comunitários, escolas etc. Conforme essas instituições conseguem esses links mais baratos, outras instituições, como grandes empresas, também conseguirão acesso a links mais baratos e de alta velocidade.

A FCC, nem sempre tem a autoridade de dizer como esses objetivos serão alcançados, mas, no capítulo da “implantação” do Plano Nacional para Banda Larga, ela sugere quem deve comprá-los. Por exemplo, recomendando que as empresas criem um “conselho de estratégia de banda larga”. A FCC também se comprometeu a publicar uma avaliação de seus progressos como parte de seu relatório anual 706, inspirado na seção 706 do Ato de Telecomunicações, de 1996.

Concorrência emergente

Simplificar e alinhar o status quo não será um processo tão rápido como gostaríamos, mas a situação não é das piores. É verdade que muitos dos cabos principais são propriedade dos mesmos donos dos cabos secundários e existe muito interesse em evitar a concorrência (como AT&T, Verizon e Qwets, do setor de telecom; e Comcast, Time-Warner e Cablevision, de TV a cabo). Mas a concorrência está, de fato, emergindo. Empresas como a Morris Broadband, que atende áreas relativamente menores e rurais, cuidam de clientes que empresas maiores não têm interesse. A CenturyLink, uma grande empresa, atende áreas rurais de 33 estados norte-americanos. A PAETEC compete em 84 das 100 principais áreas, conhecidas como “áreas metropolitanas de serviços”, que não são nada além de área rural. Depois temos os projetos de banda larga municipal, como o LUS Fiber, uma rede de fibras-para-casa, inicialmente atendendo a cidade de Lafayette, em Louisiana, oferecendo serviços por US$ 65 por mês.

É difícil conseguir informações com as empresas incumbidas – nós tentamos, mas o pessoal da Verizon disse que não entende como o serviço de banda larga residencial tem alguma relação com os serviços corporativos. Mas todo mundo sabe que eles não atendem áreas com menos de 25 potenciais clientes por milha. Empresas menores buscam áreas com 5 ou 10 clientes por milha. Conclusão: sempre que a concorrência entra no mercado, os preços caem. Ironicamente, as incumbidas que se opõem às regulamentações da banda larga intercederam com autoridades locais e estaduais para prevenir a construção de banda larga por entidades municipais.

Além das alternativas de banda larga via cabo, considere que as ondas áreas estão em aberto. Provedores de acesso a Internet sem fio, como a Clear; e provedores de dados 3G e telefones móveis, como a T-Mobile e a Verizon Wireless são interessantes, mas sua banda e confiabilidade podem variar quando se quer usar seus serviços SOHO. Dito isso, e voltando aos velhos tempos do telefone, ninguém confiaria em um telefone celular para nada que fosse realmente importante, mas isso não evitou que as equipes de TI testassem essas possibilidades em áreas não críticas.

Também estamos interessados nos serviços oferecidos pela ERF Wireless, com base no Texas, que é completamente focada em atender negócios, basicamente bancos e empresas petrolíferas. O modelo da ERF: os clientes investem em suas próprias infraestruturas wireless para o backhaul para a rede da ERF e, então, pagam uma taxa de saída para acessar a rede principal segura. O CEO Dean Cubley disse que os bancos clientes da ERF pagam cerca de metade do que pagariam às operadoras incumbidas e têm um retorno equivalente a três anos sobre o capital investido. O ponto é que, a melhor forma de prosseguir pode ser confiando nas empresas alternativas, fornecedoras de serviços a cabo ou wireless para aumentar a concorrência no mercado de banda larga.

*Jonathan Feldman é um executivo de TI da Carolina do Norte.

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