Estratégia traz mais questionamentos que respostas. A menos que transmita uma mensagem mais compreensível, clientes criarão suposições mal informadas
Você consegue explicar o Google for Work para os seus colegas? Se a resposta for sim, então está melhor do que a própria provedora de TI, cuja incursão corporativa não passa de um conjunto de silos delineados em produtos e suas respectivas equipes.
A gigante de buscas faz um trabalho ruim de marketing para suas ferramentas de produtividade empresarial, em partes porque a iniciativa se sobrepõe às vendas individuais dos produtos e leva a uma confusão operacional.
A oferta corporativa da empresa (conhecida anteriormente como Google Enterprise) é mais um veículo para marketing e vendas do que a família de aplicativos vendida como Google Apps for Work (antiga Google Apps for Business).
A companhia pode ter alguns projetos ambiciosos em desenvolvimento em seu laboratório Google X, mas a crença entre os funcionários de seus produtos mais populares separou o Google em divisões independentes. O for Work é uma oportunidade de enfatizar o valor total de suas ferramentas para clientes corporativos, mas esse sentimento de propósito falta à empresa.
A provedora agora tem um conjunto de produtos robustos, com mais de 1 bilhão de usuários cada – Android, Search, Chrome, YouTube e Maps.
No que diz respeito a metas que a empresa pode ajudar seusclientes corporativos a atingirem, a companhia deveria propagandear sua marca e deixar seus produtos brilharem dentro do framework de uma única plataforma que opere uma suíte de aplicativos.
O Google poderia aprender com a Microsoft, que desenvolveu e expandiu o Office 365, uma plataforma integrada na nuvem que sabe exatamente o que é.
O for Work deveria ser uma plataforma semelhante, mas não se ajuda no que diz respeito a batizar produtos e fortalecer as marcas para fazerem sucesso sozinhas. Posicionar qualquer um de seus produtos mais alto que outros apenas diminui a clareza do que é o Google for Work e o que ele representa para as 5 milhões de empresas que o utilizam segundo a companhia.
A página inicial do Google for Work é confusa. Nela, aplicativos conhecidos ganham uma etiqueta corporativa para serem direcionados separadamente aos negócios, como Apps (o único disponível ao público), Cloud Platform, Chrome, Maps e Search – tudo “for Work”.
Independentemente do nome dado pelo Google, o Google for Work aparenta ser uma plataforma básica usada pela empresa para vender serviços adicionais a clientes potenciais.
O Google Apps for Work (que inclui serviços como Gmail, Drive, Hangouts e Docs) é a suíte de aplicativos que as empresas mais têm interesse em licenciar. Onde ela se encaixa na plataforma Google for Work não está claro.
As páginas separadas para Gmail for Work, Hangouts for Work e Drive for Work sugere que o Google tenha deixado gerentes de produto e marketeiros se distanciarem da mensagem que deveriam passar ao setor corporativo.
Como descrito por alguns CIOs, o Gmail pode ser o gateway que prende as organizações ao app de e-mail do Google antes que seus funcionários sejam arrastados para o Docs, mas a companhia não deveria reunir seus produtos corporativos dessa forma se espera ser uma alternativa empresarial ao Microsoft Office.
O Gmail e o Drive for Work não são vendidos individualmente, mas isso não é dedutível com base nas diversas páginas desses produtos que redirecionam potenciais clientes à página de valores do Google Apps for Work.
A estratégia traz mais questionamentos que respostas: Por que o Google cria passos adicionais que geram confusão? Por que batiza tudo de “for Work” quando os produtos e ferramentas pertinentes aos usuários corporativos já estão inclusos no pacote Google Apps for Work?
Os apps que ajudam os usuários a se comunicarem (Gmail, Hangouts, Calendar, Google+), colaborarem entre si (Docs, Sheets, Forms, Slides, Sites), gerenciarem (Admin, Vault) e armazenarem arquivos (Drive) estão todos incluídos no pacote Apps for Work. O preço é simples, mas boa sorte para encontrá-lo e compreender tudo o que inclui em seus planos de US$ 5 e US$ 10.
A menos que o Google transmita uma mensagem mais compreensível à esfera corporativa, os clientes em potencial criarão suposições mal informadas a respeito do for Work. Considerando as escolhas infelizes de branding feitas até agora, é compreensível que pensem que o Gmail for Work e o Drive for Work são produtos separados com preços diferentes. Eles estariam errados e a culpa seria apenas do Google.