Em 2015, internet das coisas (IoT) deve ganhar força, pelo menos essa é a aposta do diretor-geral da Intel no Brasil, David Gonzalez, que vê no conceito uma aplicabilidade muito mais ampla no ramo industrial que no de usuário final. Em encontro com jornalistas em São Paulo, o executivo avaliou, ao falar sobre dispositivos vestíveis, que muito mais importante que isso no processo de massificação de IoT serão os milhões de sensores, ou seja, aquilo que não é visível e traz uma série de benefícios a processos como o de manufatura.
Até por essa visão, ele evitou fazer projeções de vestíveis, por entender que existe um componente de moda muito forte, mas mostrou otimismo para o que ele chamou de vários desdobramentos de IoT. “Estamos otimistas em levar o processamento que temos com os componentes de segurança que trouxemos da McAfee”, afirmou. “IoT tem vários desdobramentos, sistemas específicos, como industriais, e além do desempenho vem a demanda pela conectividade no processamento com LTE e 3G. E enfatizo que aplicação principal é industrial, porque são problemas reais que necessitam de soluções.”
Gonzalez, que assumiu o posto de diretor-geral da subsidiária brasileira em junho deste ano, fez um balanço até que positivo de 2014, apesar de toda a instabilidade em vendas gerada, sobretudo, pelo efeito Copa do Mundo, que postergou compras de dispositivos tecnológicos por parte dos consumidores de varejo. O executivo lembrou que, há pouco tempo, a Intel quase não tinha presença no mercado de tablets no País e, hoje, já conta com 20 modelos por aqui. No mundo, a fabricante se tornou o maior fornecedor de processadores para tablets, com 15 milhões neste ano.
Outra grande aposta da companhia são os modelos 2 em 1. No Brasil, já são 23 com chip Intel e a expectativa é de crescimento. De acordo com o diretor de vendas da companhia, Maurício Ruiz, esses dispositivos já respondem por 14% das vendas por aqui, podendo chegar a 20% em 2015. “Começamos com os equipamentos de entrada, descendo o preço para ganhar massa”, comentou, ao justificar a participação crescente. “No corporativo o trabalho começa em 2015. Antes as máquinas high end eram importadas e chegavam com valores altos e não se fazia volume, mas as linhas novas serão mais acessíveis para corporativo em escala, com preços variando entre R$ 2 mi e R$ 2,5 mil.”
Ainda falando em vendas corporativas, a aposta em modelos 2 em 1 é apenas uma perna da estratégia da Intel. Gonzalez, obviamente, acredita em oportunidades nas vendas de PCs, principalmente para grandes grupos, pela necessidade de atualização do parque. “Tem mercado para crescimento gradual de tablets em business e modelos 2 em 1. Para que os empregados levariam dois dispositivos e cabos e transferindo arquivos? Por isso, vejo força nesses modelos”, avaliou. “No corporativo cresce muito também a migração para nuvem e sistemas de nuvem híbrida. Neste ano avançou a taxas de 50% e esperamos crescimento similar”, completou, adicionando que IoT também está na estratégia, até pelo entendimento que ele tem de uma aplicação muito mais ampla na indústria.