Grande aposta para o Natal das operadoras de serviços de telefonia móvel no Brasil, o iPhone, o telefone inteligente da Apple, deve muito do seu sucesso aos programas escritos especialmente para ele. É um mercado crescente que a Apple estimula e que gira em torno do aparelho. E, ao atraírem os clientes a navegar na internet pelo celular, os aplicativos tornam o aparelho mais interessante para as operadoras, que estimulam a venda de iPhones a seus clientes, com a promessa de ganhar mais receita com a oferta de acesso à web.
De jogos eletrônicos aos mais diversos aplicativos musicais, como um simulador do ancestral instrumento ocarina, passando por internet banking, mapas digitais e conversores de moedas, as empresas que desenvolvem software para celular não podem desprezar a plataforma. E muitas apostam exclusivamente no iPhone esperando maior quantidade de usuários.
Lançada em julho deste ano, a App Store, loja virtual para os usuários do aparelho baixarem programas, atingiu o número de 100 milhões de “downloads” em apenas dois meses, e já somam mais de 300 milhões. No início de dezembro, havia mais de 10 mil programas disponíveis desenvolvidos por terceiros, grande parte deles gratuitos ou por até US$ 10. A Apple fica com cerca de 30% da receita pelo “download” dos aplicativos e o restante vai para o desenvolvedor.
Logo antes do lançamento da loja virtual um analista do banco de investimento Piper Jaffray previu que, em um cenário otimista, com cerca de 85 milhões de usuários de iPhone e em que 95% deles utilizassem regularmente a App Store, esse mercado poderia chegar a US$ 1,2 bilhão ao fim de 2009. Numa estimativa neutra, o nicho movimentaria US$ 777 milhões.
No terceiro trimestre deste ano, o iPhone se tornou o mais vendido telefone celular nos Estados Unidos, superando o mais simples Razr, da Motorola, que mantinha a posição por três anos, segundo pesquisa do NDP Group.
O fato de trazer um sistema operacional – programa-base que faz todos os outros programas rodarem – exclusivo se tornou um diferencial. “Ao contrário do que acontece no mundo dos PCs, quem observar o panorama do mercado de celular vai perceber que os que têm conseguido manter tendência de crescimento são os de plataforma fechada, o iPhone e o Blackberry”, afirma o sócio e diretor-executivo da empresa de marketing digital MPP Solutions, Marcello Póvoa. “O Windows Mobile, da Microsoft, e o Symbian, apesar de existirem a muito mais tempo, não decolaram, pelo menos nos últimos seis meses. O Symbian, que é o líder de mercado (e é utilizado nos aparelhos da Nokia), tem perdido participação na exata medida que o iPhone cresce, o que indica que a Apple está roubando o seu mercado.” O mais recente a entrar na disputa é o Android, o sistema desenvolvido pelo Google, que por enquanto equipa apenas o T-Mobile G1, fabricado pela HTC.
Mas, apesar de ser um sistema mais recente e não estar na mesma quantidade de modelos de telefones quanto os rivais Symbian e Windows, a plataforma do iPhone é a que traz os melhores índices de uso de recursos de internet, inclusive liderando em número de acessos.
Segundo Póvoa, isso acontece por proporcionar maior facilidade de uso. “Com cinco sistemas, cada aplicativo que é desenvolvido precisa ser escrito em um código diferente para cada um deles. Nesse cenário de verdadeira Torre de Babel, ganha quem tem o sistema mais consistente”, diz. Ao possuir um sistema operacional fechado, a Apple procura controlar o máximo que pode o desenvolvimento do seu produto, e, com isso, consegue garantir qualidade e facilidade de uso, avalia.
A empresa criou um processo controlado e bem resolvido desde a aquisição à compatibilidade de dos programas. Esse é o papel da App Store, um ponto único em que os usuários encontram software para as mais diversas tarefas e com garantia de funcionamento da fabricante do aparelho e do sistema operacional
No Brasil, a Bradesco Seguro Auto criou o primeiro programa nacional para iPhone homologado pela Apple. Em apenas duas semanas, registrou mais de 4,5 mil downloads do software que lista oficinas mecânicas e traz mapas digitais, endereços de postos de combustíveis, estacionamentos e dicas de manutenção do veículo. Já a LBS Local, empresa proprietária dos portais Apontador e MapLink colocou na App Store um aplicativo que atualiza a cada 15 minutos informações sobre o trânsito em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Muitos dos mais bem sucedidos programas atraem mais pelo exotismo que pela utilidade, como um que simula formigas andando pela tela de toque, que podem ser amassadas com os dedos. Ou outro que simula uma gaita, ao se colocar a boca no teclado.
Os musicais estão entre os de maior sucesso. O mais baixado de todos na App Store é o gratuito Pandora, que cria rádios virtuais a partir de uma canção ou artista selecionado. Outro popular é o Shazam, que “escuta” uma música que está tocando, por exemplo, no rádio do carro e tenta reconhecê-la.