Antes mesmo da entrada da terceira geração da telefonia celular, os principais provedores de internet do Brasil – UOL, IG e Terra – movimentam-se para reforçar a presença no celular. A licitação das faixas de 3G está marcada para 18 de dezembro, mas algumas teles entram antes, na faixa de freqüência atual (850 MHz), como a Claro e a Telemig, que acaba de começar a operar sua nova rede. A estréia da tecnologia certamente ampliará o horizonte para oferta de conteúdo, serviços e publicidade móveis.
No entanto, pode levar mais de cinco anos até os serviços convergentes ganharem forte peso no total da receita de operadoras e provedoras de conteúdo, na avaliação de analistas de mercado.
Nas mãos do usuário, a transmissão de dados da 3G em velocidade até 20 vezes maior que a atual permitirá o download de arquivos mais pesados de músicas, vídeos e jogos, além do acesso mais amplo à internet.
Mundialmente, o entretenimento pelo celular, incluindo jogos, música, TV, conteúdo adulto e jogos, movimentará US$ 38 bilhões em 2011, ante US$ 18,8 bilhões no ano passado, de acordo com pesquisa da Informa Telecom & Media. Na América Latina, os negócios chegaram a US$ 600 milhões em 2006 e devem atingir US$ 2,7 bilhões em 2011, estima a Frost&Sullivan.
A UOL acaba de atualizar sua estratégia para, nas palavras do provedor, ser uma “referência” na oferta de conteúdos compatíveis com a rede 3G e os smartphones. “O futuro é sem fio”, afirma o diretor corporativo, Gil Torquato.
Foi criada uma equipe específica liderada pelo novo gerente geral da UOL Celular, Fernando Carril, para engajar todas as áreas de negócios da empresa na empreitada. O site foi reformulado e no final de novembro a UOL planeja entrar com uma campanha publicitária explorando o tema.
E, lógico, começa a formatar novos serviços para o celular. “Não adianta simplesmente reproduzir o conteúdo do portal no celular”, diz Carril. Além da antiga oferta via Wap, como o acesso a notícias e e-mail, o provedor incluiu o Shopping Uol, para o usuário comparar preços a partir da tela do celular antes de efetuar uma compra em uma loja. A companhia estuda ainda oferecer sistema de pagamentos para transações on-line.
Após anunciar parceria com o Google envolvendo o acesso remoto ao Orkut, o IG tem planos de vender músicas para baixar no celular, segundo o diretor de produtos e serviços do IG, André Molinari. O provedor da Brasil Telecom está desenvolvendo um serviço de envio de mensagens de acordo com a localização do usuário, que pode entrar em operação no próximo ano. A idéia é mandar mensagens pelo celular avisando, por exemplo, se o “parceiro ideal” definido segundo perfil traçado pelo usuário está em um café próximo dele.
O Terra não promete grandes novidades até a chegada da 3G em todas as operadoras. “Vamos continuar com as funcionalidades que já temos para celular”, comenta a gerente de produtos, Débora Mauro. Uma das ofertas de crescimento mais destacado, segundo a executiva, é a venda de download de vídeos. O Terra tem planos de levar para o celular conteúdo criado pelo usuário, como já tem em seu portal de internet e foi popularizado pelo YouTube.
Os modelos de assinatura de serviços, a principal geradora de receita, começam a ser desenhados pelos provedores. No próximo trimestre, o IG pretende lançar pacotes com créditos mensais para o usuário. Já a UOL trabalhará com produtos cobrados diretamente pelo provedor e serviços avulsos pagos a operadoras.
O celular representa também oportunidade para explorar a publicidade on-line, que pode vir a ser receita relevante. A UOL, por exemplo, levou o Bradesco para a telinha. “A eficiência para transmitir a mensagem tende a ser maior. O Bradesco registrou quase o dobro de cliques se comparado ao modelo tradicional.”