Todo o conceito de apetite por risco é o entendimento do desejo de uma organização em assumir riscos versus o potencial de retorno. Para a maioria das companhias, esse é um nível implícito. Contudo, algumas corporações começam a querer explicitar esse parâmetro, com o intuito de guiar os tomadores de decisão.
Todas as decisões envolvem riscos, então, um painel de aceitação do tema é uma forma de ajudar as pessoas a dizerem: “eu entendo o tipo de valor que devo obter nas tomadas de decisões e preciso decidir se o nível de risco é aceitável para nós como organização”.
A melhor forma de tornar essa mensuração mais palpável é criar uma política clara de riscos. Ela vai definir temas como os modelos de implementação de uma estratégia e qual o posicionamento mais adequado em situações de risco.
A necessidade mais urgente agora é reconsiderar qual o nível de risco aceitável para as grandes mudanças que estão ocorrendo no mercado mundial, por conta da crise financeira internacional. Assim, a pergunta que fica é: o cenário exige ajustes nesse parâmetro?
Para algumas companhias que são poderosas em suas áreas, essa pode ser uma boa época para baixar a guarda e assumir mais riscos. Os resultados podem ser incríveis. Outras companhias periféricas, ou com alguns problemas estruturais, no entanto, podem precisar reduzir o nível aceitável de riscos em busca de mais estabilidade.
Mas quando o mercado encara o crescimento do risco global, tal como vemos agora, a primeira coisa que as companhias fazem é aumentar a cautela. Nós vemos isso, por exemplo, na reação dos bancos, que pararam de fazer empréstimos uns para os outros. Não sei se isso significa uma mudança de longo prazo nessas organizações, mas deve ser o padrão imediato.
O apetite por risco não é algo explícito. Pouquíssimas companhias são boas o suficiente para terem uma abordagem pragmática para as condições de mercado dos últimos meses. Então, para a maioria das companhias, suspeito, essa é uma questão difícil. Não apenas os bancos querem poupar fundos. Todas as organizações estão dando alguns passos para trás. Isso é o resultado do aumento do nível de incertezas.
O apetite por risco e a freqüência com que uma companhia reavalia sua política estão diretamente relacionados com a quantidade de mudanças ocorrendo no ambiente – seja pelo mercado ou por fusões e aquisições. O nível de mudança interno e externo de uma companhia é o que guia a freqüência com que deve reavaliar sua aceitação ao risco. Não estou sugerindo que todas as vezes que entregar um novo produto, deve fazer uma reavaliação. Realmente estou me referindo a grandes mudanças de uma organização.
Mack Carey é sócio da Deloitte & Touche Governance and Risk Oversight, uma empresa cujo foco é o gerenciamento de risco, e suas responsabilidades incluem suporte á governança, risco e confiabilidade dos serviços.