Hoje, todo mundo tem uma grande ideia, mas tirá-la do papel é o grande desafio. Se você quer abrir uma startup de tecnologia, mas não sabe por onde começar, Armindo Mota, CEO da Wappa, startup que atua no mercado de gestão de corridas de táxi, dá suas dicas.
Mota fundou o Wappa em 2001, aos 21 anos. Hoje, aos 36, está à frente da empresa que em 2016 fechou com faturamento de R$ 200 milhões. Confira abaixo as dicas do empreendedor:
1. Ideia boa é ideia que dá resultado
Um dos erros mais comuns cometidos por quem funda startups é ficar deslumbrado com o desenvolvimento da tecnologia e “esquecer” de checar se o mercado vai ser receptivo a ela. Uma parte imensa do negócio é justamente a demanda.
Assim, optar por lançar uma versão beta pode ser positivo, uma vez que ela vai testar a receptividade do mercado e gerar dados que farão os desenvolvedores arredondarem o produto de acordo com as necessidades mapeadas. Dessa forma, as chances de o empreendimento dar certo aumentam consideravelmente.
2. Saiba onde está pisando
Analise o mercado a fundo antes de qualquer movimento. Entenda a necessidade do público, porque é ela que vai moldar seu produto e não o contrário. Mapeie seus competidores, teste a receptividade da sua ideia, preveja a escalabilidade, entenda se seu produto ou serviço é de nicho ou se pode ser massificado, se você realmente tem um diferencial competitivo.
3. Considere o cenário cultural em que está inserido
Conheça e avalie as possíveis barreiras sociais e econômicas à ideia que quer lançar. Em geral, o brasileiro é bastante receptivo a novas tecnologias. Contudo, para vingar no mar de startups que surgem todos os dias, sua proposta precisa atender a uma necessidade real, que seu consumidor tenha consciência de que possua. Não tomar esse cuidado para formular o que você vai oferecer a ele pode ser fatal.
4. Invista em gestão desde o início do negócio
O momento que a empresa está desenvolvendo o modelo de negócio é muito crítico. Por isso, vale apostar em um processo de gestão bem definido. Pode até não parecer, mas esquecer de separar o que é pessoa jurídica de pessoa física é bem comum. Separar as coisas é essencial – além de gerar confiança por parte de possíveis investidores. Há muitos casos de empresas que nascem com uma boa ideia, mas morrem em seguida por causa dessa falta de controle. Saiba separar as coisas, pense como um empresário.
5. Tenha timing
Acontece muito de surgirem ideias maravilhosas, disruptivas e que podem mudar o mundo, mas há a possibilidade de o mundo não estar pronto para elas. Se sua ideia é muito à frente de seu tempo, dedique-se a avaliar o momento cultural do mercado que pretende atingir.
Ser disruptivo pode ser um problema se só você estiver enxergando uma necessidade que ainda não “bateu” no consumidor. Pense macro e micro. No macro, estar à frente do seu tempo é incrível, mas se sua oferta não tiver demanda imediata no micro, considere o timing de lançamento.
6. Startups com pouco investimento? Nem sempre
Não se iluda. Nem sempre uma startup precisa de pouco investimento inicial. Dependendo da ideia, ela já precisa nascer grande. Conheça o mercado, busque investidores e convença-os da sua ideia com base em argumentos sólidos, pesquisas e projeções confiáveis. Quanto mais subsídios apresentar para corroborar suas projeções, maior será a sensação de segurança do investidor e a percepção de que vale a pena investir na sua ideia.
7. Tenha cuidado com a “chuva de dinheiro”
Assim como a falta de dinheiro pode ser um problema, o excesso também pode. O momento em que a empresa ainda está ajustando o modelo de negócio é extremamente crítico, então tenha cuidado com o deslumbramento. Apostar em infraestrutura cara, numa escalabilidade que você não tem condição de atender de imediato ou mesmo em trazer pessoas muito caras – mesmo que haja capital para isso – pode ser um tiro no pé. Pense de forma sustentável. O negócio está funcionando e indo bem com a equipe atual e com o mínimo de infra? Continue assim. Isso é ser sustentável.