Em uma mesa redonda com jornalistas latino-americanos, o CEO da Red Hat, Jim Whitehurst, me recebeu durante o Red Hat Summit 2014, em São Francisco. O clima descontraído, inclusive, era completamente dissonante ao do hotel cinco estrelas no qual a entrevista aconteceu. Usando um fitband da Nike – o executivo compete com os filhos e a esposa quem dá mais passos durante o dia, captados pelo sensor –, Whitehurst dividiu suas opiniões em uma conversa bem humorada sobre inovação, negócios, transparência e código aberto.
Aberta, inclusive, é toda resposta do CEO. É de se surpreender a naturalidade e a empolgação com que ele fala da filosofia da comunidade open source, inovação, e também de visão de negócio e concorrentes de mercado, sobretudo a considerar que a Red Hat é uma empresa de capital aberto listada na Nasdaq. O único ponto no qual ele usa o mínimo de cautela é ao revelar informações sobre a operação regional. Ainda assim, revelou: dobrar ou quem sabe triplicar a receita nos próximos cinco anos certamente é uma das metas a serem atingidas.
(Nota da jornalista: Pode parecer estranho falar de comunidade aberta e “fechar” um pedaço da entrevista. Mas não se preocupe – o
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IT Fórum 365: Durante seu keynote, você mencionou sobre alguns fornecedores que usam o discurso de “inovação” e “padrões abertos”, mas não entregam, de verdade, inovação e sistemas abertos a seus clientes. O que há de ruim exatamente nisso?
Jim Whitehurst: Inovação aberta é algo que vimos acontecer de repente na internet e nas empresas. E não existe investimento na inovação, porque a real e grande inovação vem dos usuários de TI. E é aí que você vê as abordagens diferentes dos fornecedores.
Uma delas é dizer “ok, esse conceito de computação em nuvem está em alta. Então, vou criar uma alternativa proprietária para isso”. É um pouco comum, é o que vemos a VMware fazer, dizendo “cloud e virtualização, somos grandes em virtualização, então vamos fazer dela a nuvem e etc”. Eu não estou dizendo que essa abordagem está errada, simplesmente não é francamente o que tradicionalmente é a nuvem pública, ou como ela é construída com os passos tecnológicos. O que a nuvem é realmente está no que a Amazon, Google e outros estão usando, abertos.
E também há a abordagem na qual você tem um “core” aberto, mas então há todo um set de elementos proprietários construídos em torno disso. É o que a Pivotal está fazendo: o “core” do Cloud Foundry é aberto, e aí você outros players como a IBM com um set de tecnologias proprietárias em torno disso.
Essas são outras maneiras que as empresas estão usando para deixar a inovação aberta rodar no conjunto com seus sistemas proprietários. Nossa abordagem é completamente diferente. Se você acredita no modelo de “open innovation”, e acredita que tudo será aberto, você realmente vai se beneficiar disso. E, sinceramente, não estou julgando, não há nada de errado com a propriedade intelectual, é apenas totalmente diferente do que acreditamos.
ITF365: O que você tem a falar da estratégia da América Latina?
Whitehurst: É a região onde estamos investindo muito. Com capacitação, contratação de talentos – ao redor dessa mesa, você vê que nossas lideranças têm poucos cabelos (risos), ou seja, estão na indústria de TI há muito tempo. O custo de operações na América Latina é o mais alto, mas não por impostos ou coisas assim. É porque realmente estamos investindo, abrindo escritórios, conjunto de condições do mercado que era bem inicial e está crescendo, bem como condições macroeconômicas para isso. Seguramente eu digo que iremos dobrar as operações nos próximos cinco anos. Quem sabe até triplicar.
A jornalista viajou a São Francisco a convite da Red Hat