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Roubo de dados: como identificar um potencial agente infiltrado?

Vazamentos de informações pessoais e confidenciais estão entre os crimes cibernéticos com maior nível de ocultação e menor índice de detecção

Publicado:
26/06/2018 às 17:44
Leitura
7 minutos
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A expressão “agente infiltrado” refere-se ao funcionário que rouba informações de sua empresa e as vende para concorrentes. Há um bom tempo, esse conceito foi introduzido em nosso vocabulário e, sem dúvidas, veio para ficar.

Os ataques de agentes infiltrados – vazamentos de informações pessoais e confidenciais – entre outros crimes cibernéticos são os que possuem o maior nível de ocultação e o menor índice de detecção. Dependendo do grau de preparação anterior ao “vazamento”, os ataques de agentes infiltrados podem ser divididos em:

Situacionais: Um novo funcionário recém-contratado tem a oportunidade de realizar um roubo, seus princípios morais o permitem fazê-lo e ele comete a fraude. Outra situação bem comum: o profissional trabalha há um bom tempo na empresa, mas não é devidamente reconhecido. Ou é reconhecido, mas não o quanto acredita merecer. Obviamente, o funcionário não está satisfeito. Ao roubar informações, ele tenta “compensar” o que, em sua opinião, lhe foi negado injustamente.

Como exemplo, podemos citar o caso de um dos clientes da SearchInform. O departamento de segurança de uma loja atacadista de materiais de construção detectou documentos estatutários em uma intercepção do sistema DLP. Descobriu-se que estes documentos foram usados pelo vice-diretor comercial que, sentindo-se desvalorizado, há dois meses se desentendia com a direção da empresa e, por fim, decidiu abrir o seu próprio negócio. A vigilância dos profissionais do departamento de segurança da informação impediu a retirada de informações valiosas, mas não conseguiu evitar outras perdas. O ex vice diretor conseguiu “persuadir” parte do quadro de funcionários e, ao demitir-se, levou os subordinados consigo.

Planejados: O exemplo mais simples é a espionagem industrial, que chega ao conhecimento público por meio de filmes, livros e, menos frequentemente, pela imprensa. Um exemplo comum é o do funcionário que “vaza informações” por motivo de vingança. Ele planeja minuciosamente suas ações, sabe como pode ser pego e está familiarizado com os protocolos internos de segurança.

Um caso assim ocorreu em uma empresa panificadora. Com o auxílio do sistema DLP, descobriu-se que o recém-contratado gerente de redes comerciais era, na verdade, um “agente infiltrado”. Ele se estabeleceu na função para ter acesso aos programas da empresa e obter informações sobre as contrapartes. Se essas informações chegassem aos concorrentes, a empresa sofreria danos consideráveis – haveria perda de clientes e os prejuízos financeiros anuais totalizariam pelo menos US$ 5 milhões.

Como identificar funcionários com inclinação à prática de ataques internos?
Como observado por Christopher Barnes, a predisposição de uma pessoa para práticas fraudulentas, pode ser identificada através da análise de seus valores morais, particularidades durante a tomada de decisões morais, auto regulação, determinação de suas relações consigo mesmo, com outras pessoas, com o trabalho, com o dinheiro e com as normas legais.

As pessoas com inclinação para fraudes podem ser identificadas através:

– do predomínio de valores universais baseados no individualismo e pragmatismo

– atitude gananciosa em relação ao dinheiro

– desvalorização do trabalho honesto e produtivo

– descaso para com as normas morais tradicionais

– auto regulação moral sem escrúpulos

– cinismo destrutivo

– impulsividade e inclinação ao risco na tomada de decisões

– egoísmo

O alto desenvolvimento desses sinais indica a prontidão psicológica da pessoa para a fraude. Mas é importante lembrar, também, a atmosfera saudável dentro da empresa

De acordo com Roger Martin, “o mundo dos negócios exerce uma pressão terrível, nos forçando a agir contrariamente às regras de uma sociedade saudável e genuína e, gradualmente, a base moral do ser humano é corroída. Ele se acostuma a viver mentindo, acreditando em uma coisa, mas fazendo outra coisa. Ele entende a importância dos relacionamentos de longo prazo com o cliente, mas age como se o mundo inteiro só precisasse de uma coisa: um relatório trimestral”.

“Infelizmente, a suposição de que o comportamento antiético no local de trabalho é o produto de algumas maçãs podres cegou muitas organizações para o fato de que todos nós podemos ser influenciados negativamente por forças situacionais, mesmo quando nos importamos muito com a honestidade. No entanto, as abordagens para afastar o problema deste campo escorregadio não precisam ser drásticas” – observa Francesca Gino em sua pesquisa.

O que é necessário para evitar fraudes e ataques internos no trabalho?
Ao realizar testes, os departamentos de RH utilizam programas especializados que analisam e interpretam dados automaticamente, o que simplifica bastante o processo de diagnóstico. Em geral, o trabalho pode ser feito de acordo com o seguinte algoritmo:

– o departamento de RH realiza testes para a admissão no trabalho ou processo de certificação regular;

– os resultados do teste são repassados para o serviço de segurança da informação;

– o funcionário do departamento de SI identifica os funcionários propensos a cometer ataques internos;

– caso o funcionário seja detentor de algum tipo acentuado, enquadrando-se no “grupo de risco”, é assegurado o controle primário de suas atividades.

roubodedados

E o que deve ser feito?

1. Determine claramente as funções atribuídas ao grupo de risco: quem trabalha com informações confidenciais, dados pessoais, documentos com segredos comerciais, etc.

2. Desenvolva documentos normativos que expliquem como os funcionários dessas funções devem trabalhar com os dados confidenciais.

3. Defina o perfil do cargo: que competências o departamento de RH gostaria ou não de encontrar no profissional para a função determinada.

4. Selecione métodos para a identificação de qualidades morais e psicológicas.

5. Tome medidas preventivas: use soluções para evitar vazamentos de dados, como sistemas DLP.

6. Implemente uma política de proteção de dados, monitorando o uso não autorizado de informações confidenciais. Informe os funcionários sobre violações, pois isso ajuda a aumentar a conscientização da equipe, impedindo o roubo de dados.

7. Realize um trabalho informativo constante: apenas a existência de uma política, sem sua compreensão e aplicação efetiva por parte dos funcionários, não produzirá resultados.

8. Lembre-se de que o roubo é precedido por algumas condições fundamentais: os principais problemas associados à motivação do agente infiltrado surgem antes mesmo que ele cometa o roubo.

9. Tenha em mente que o funcionário pode “induzir a ação” de outros trabalhadores. Isso geralmente acontece em caso de rebaixamento de cargo ou quando as expectativas sobre a carreira não são correspondidas.

10. Informe à gerência, ao departamento de RH e ao pessoal responsável pela segurança da informação, todos os casos em que um funcionário, durante o desempenho de sua função ou após sua demissão, acessa dados críticos importantes, realizando o seu carregamento de maneira atípica e assim por diante.

Seguindo essas regras sua empresa poderá proteger-se da transformação de pessoas potencialmente inclinadas a prática de ataques internos, agindo como verdadeiros agentes infiltrados. Afinal, é melhor prevenir o incidente do que lidar com suas consequências. Um manual de proteção contra ameaças internas pode ajudar a identificar riscos e a planejar o trabalho com antecipação.

 

(*) Vladimir Prestes é diretor Geral da SearchInform no Brasil

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