Entra ano e sai ano e o dilema em torno da falta de mão de obra qualificada no Brasil entra em pauta. Desta vez, o tema foi um dos tópicos de discussão do painel de presidentes organizado logo após a abertura do SAP Forum 2010. Participaram do bate-papo José Antonio Prado Fay, diretor-presidente da Brasil Foods, José Luciano Penido, presidente do conselho de administração da Fibria Celulose, Luis César Verdi, presidente da SAP Brasil e Rodolpho Cadernuto, presidente da SAP América Latina. Todos concordaram que faltarão pessoas especializadas, principalmente em gestão, ressaltaram o movimento de busca por brasileiros que atuam no exterior e destacaram o trabalho das universidades nacionais.
“Internamente (os entraves para crescimento) são complexidade tributária, algumas coisas de infraestrutura e gente, teremos falta de gente de gestão na próxima década. Teremos dificuldade em completar quadros pelo rápido crescimento que as empresas estão experimentando. Teremos dificuldade de formar gestores experientes. Isso me preocupa no curto prazo”, avalia Fay, da Brasil Food que, por diversos momentos, se manifestou sobre o andamento da fusão entre Perdigão e Sadia que resultou na formação da empresa.
Com o tema no centro da discussão, Verdi, da SAP Brasil, questionou os presentes sobre o que estava sendo feito para sanar esse entrave de falta de profissionais qualificados e se havia algum movimento para trazer funcionários de outras operações. Sem titubear, Fay relatou que há muitos casos de brasileiros retornando ao País e que muitas empresas estão tomando essa atitude. “É importante (esse movimento) com a criação de multinacionais brasileiras. Precisaremos dessas pessoas internacionalizadas ou internacionalizáveis, que são pessoas com nível cultural alto, que conhecem outras línguas e culturas”, detalhou Fay.
De acordo com Cadernuto, o movimento que se vê não é apenas de brasileiros retornando ao País. “Abrimos uma série de postos e temos a prática de publicar internamente e observamos que há crescente interesse de colaboradores de outros países interessados em vir para o Brasil. O País se tornou foco de atração.”
Penido, da Fibria, concorda com os colegas, mas lembra que é preciso desenvolver profissionais aptos a lidar com culturas globais, novos modelos mentais. “Temos algo no Brasil que serve de suporte para o sucesso. A capacidade de gerar em nossas universidades pessoas de competência.” Para o presidente do conselho da companha de celulose, universidades como as localizadas em Piracicaba, interior de São Paulo, Santa Maria (RS) e outras em Minas Gerais, vêm formando pessoas para o mundo. “E esse alunos têm vontade e nos fazem liderar por tecnologia.”
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