A luta das mulheres por seus direitos e condições iguais no mercado de trabalho é árdua e incessante. Na última semana, no Dia Internacional da Mulher, o IT Forum 365 trouxe algumas histórias de lideranças femininas na área de Tecnologia da Informação (TI). Para ampliar esse tipo de discussão, o SAS reuniu na última quarta-feira (15/03), em São Paulo (SP), cerca de 300 mulheres – a maioria com cargos de liderança em empresas de tecnologia e marketing – para debater temas e desafios do público feminino do cotidiano, além de traçar estratégias para continuar avançando no debate da igualdade de gênero.
O Women Empowerment Day, primeiro evento de uma série global que a companhia está preparando, faz parte do programa “SAS D&WL” (Diversity and Women Leadership), fórum recém-criado pelo SAS que reunirá lideranças para focar em diversidade, responsabilidade social e empoderamento de mulheres.
Kleber Wedemann, líder da área de marketing e comunicação do SAS na América Latina, explica que o conselho se reunirá trimestralmente e sairá com ações estratégicas para apoiar ONGs – além do foco em liderança feminina. “A partir das soluções de anaytics do SAS, somos capazes de prever problemas da sociedade, como enchentes e padrão de doenças. Isso traz grandes contribuições com impactos sociais”, destaca Wedemann, um dos integrantes do grupo, que conta também com participação de Ednalva Vasconcelos, diretora financeira do SAS; Flavia Spinelli, vice presidente da Mcgarrybowen; e Lyzbeth Cronembold, diretora de operações e tecnologia do Grupo Bandeirantes. No total serão de 8 a 10 participantes e os outros nomes ainda não foram divulgados.
Evento
O encontro, realizado no cinema de um shopping em São Paulo (SP), trouxe à tona a luta das mulheres para se estabelecerem no mercado de trabalho. Um motivo dessa busca por espaço está no relatório do Fórum Econômico Mundial, que mostra que a igualdade de gêneros só será possível em 2095 e que a disparidade, quando se trata de participação econômica e oportunidades para as mulheres, gira em torno de 60%. O Brasil, por sua vez, está em 124º lugar, entre 142 países, no ranking de igualdade de salários – penúltima colocação nas Américas, ficando à frente apenas do Chile.
Os dados mostram que há um grande caminho a ser percorrido, mas, por outro lado, boas iniciativas já começaram. Segundo Wedemann, no SAS, por exemplo, 50% dos cargos de diretoria são ocupados por mulheres, o que acaba naturalmente impulsionando a contratação de colaboradoras em todas as áreas.
Monica Tyszler, diretora de soluções e serviços do SAS, é uma dessas líderes. Durante participação no evento, a executiva destacou um ponto essencial para conciliar a vida profissional com todas as atividades pessoais, sobretudo quando envolvem filhos. “Procuro sempre me policiar para ter horários para ficar com meus filhos e para o trabalho”, comentou.
Monica conta que, para isso, definiu às 19h como seu horário diário de deixar o trabalho para passar tempo com seus filhos. “É o tempo que tenho todos os dias para estar com eles e dar atenção”, conta a executiva, que atribui essa flexibilidade às políticas da empresa. “Minha empresa permite essa conciliação, que me faz uma pessoa mais feliz e me faz conseguir dedicar melhor ao trabalho”, complementou.
O fato é que setor de tecnologia historicamente é dominado por homens. Mas, assim como Monica, há excelentes exemplos de lideranças femininas no mercado – o que é extremamente positivo para o setor. Outros casos que encorajam e inspiram são os de Lyzbeth Cronembold (citada acima) e Regina Pistelli, diretora executiva da T-Systems, que também participaram de uma discussão durante o evento.
Regina, que está há 40 anos no setor de TI, conta que foi por muito tempo a única mulher em suas equipes e grupos de estudos. Por isso, o preconceito começou desde o início da carreira, mas ela conta algumas estratégias para superar: foco, resiliência e persistência. “Eu sempre foco nos problemas e no meu objetivo. O preconceito não é algo como faturamento, produção ou projeto (objetivos de negócios). São pessoas. E acho que não devemos enfrentar pessoas, mas sim aceitar e contornar. São como pedras e árvores. Você contorna e segue o caminho. Sempre encarei dessa forma: se não faz parte do meu objetivo final, eu contorno”, afirma.
Já Lyzbeth compartilhou um aprendizado de homens que deve ser incorporado no mundo feminino. A “descoberta” foi em uma viagem corporativa com um grupo de executivos para a Coreia do Sul, em que ela era a única mulher. “Descobri que homens têm uma característica legal que as mulheres precisam desenvolver. Eles criam networking e se expressam de maneira melhor. Descobri na viagem que os papos era mais leves e para tudo eles encontravam ponto de conexão”, comenta.
Em suma, foi unânime durante as discussões do evento a conclusão que as barreiras entre gêneros ainda existem e que as mulheres ainda lutam para ganhar cada vez mais espaço no mercado de trabalho. Mas só conseguirão vencer essas barreiras de uma forma: juntas.