Além dos navegadores, Microsoft e Google rivalizam em diversas outras áreas, passando por buscas e mapas. Conheça as brigas.
A rivalidade entre Google e Microsoft não vem apenas do lançamento do Chrome, navegador que, além de brigar contra a dominação do Internet Explorer, deverá colocar em rota de colisão o tradicional Office contra o ascendente Google Docs.
A começar pelo sistema de busca, a razão da existência e do sucesso do Google e motivo pelo qual a Microsoft quase comprou o Yahoo, as duas gigantes de tecnologia são rivais diretos em uma série de produtos.
Com base no lançamento do Chrome, alçado ao papel de principal rival do Internet Explorer em um setor onde a Microsoft nunca enfrentou concorrência do seu tamanho, listamos as principais competições que as companhias travam no setor. Confira.
Google x Windows Live Search – A razão primordial para os investimentos do Google em plataformas móveis ou da oferta que a Microsoft fez pelo Yahoo no começo do ano é a mesma: a verba proveniente das buscas.
Enquanto “to google” virou sinônimo de fazer buscas, graças principalmente à precisão da tecnologia PageRank, a Microsoft amarga uma incômoda terceira posição no setor mesmo com sua dominação entre navegadores e sistemas operacionais.
Segundo dados da comScore relativos a julho, o Google foi responsável por nada menos 61,9% das buscas feitas nos Estados Unidos, contra apenas 8,9% do Windows Live Search, o que prova que nem mesmo a estratégia de pagar usuários do sistema funcionou como esperado.
Enquanto o Google aproveita o sucesso da sua tecnologia lucrando tanto com hardwares que gerenciam arquivos em grandes empresas como com a plataforma AdSense, a Microsoft apela para o buscador semântico PowerSet após o naufrágio das negociações com o Yahoo.
Google Docs x Microsoft Office – Principal motivação do Google por trás do lançamento do Chrome, o Google Docs toma o caminho do desktop do usuário com o novo navegador, posando como uma ameaça real à dominação do Microsoft Office em PCs e Macs.
Ainda que nem Google nem Microsoft esclareçam quantos usuários seus produtos têm, a versão 2007 do pacote corporativo divide com o sistema operacional Windows Vista os louros por aumentar os lucros da gigante de software em 42% na comparação entre os anos financeiros de 2007 e 2008. Em sua versão online, o Office Live contabiliza um milhão de usuários, informa a Microsoft.
Com seu discurso que não entende sua entrada no setor como rivalidade direta à Microsoft, o Google foi mostrando suas cartas vagarosamente entre os aplicativos online – começou em junho com o lançamento do Spreadsheets, logo integrado ao Docs com o que foi o Writely, comprado pelo buscador três meses antes.
Em setembro de 2007, o Google Docs se aproximou ainda mais do Office com o lançamento da ferramenta para apresentações – na comparação, o buscador havia “colocado online” rivais para Word, Excel e PowerPoint.
Com a ferramenta de suporte a aplicativos offline do Chrome, os serviços do Docs se tornam disponíveis no desktop do usuário e se apresentam, pela primeira vez, como rivais genuínos do Office para usuários.
Google Talk x Windows Live Messenger
Esta briga não tem espaço para interpretações: o Microsoft Live Messenger, nascido e popularizado como MSN Messenger, dá um banho de popularidade no Google Talk.
Apenas no Brasil, sua maior base em todo o mundo, são mais de 38 milhões de usuários – no resto do mundo, o programa atinge mais de 300 milhões de usuários. O Google não revela sua base de Google Talk.
Revelado em 2005, o Google Talk se apresentava, desde o início, sem qualquer pretensão de superar o Messenger, a começar pela simplicidade de funções.
Três anos depois, o software ainda conta apenas com texto, emoticons e voz nas conversas e grupos, enquanto o Windows Live Messenger tem sua constelação de emoticons personalizados, funções para gerenciamento de contatos, mensagens e canais de conteúdo customizáveis.
Orkut x Windows Live Spaces – Entre redes sociais, não é segredo nenhum que Microsoft e Google são coadjuvantes no mercado mundial.
De um lado, o buscador apóia um serviço que encontrou sucesso apenas em países em desenvolvimento, como Brasil, Índia e Paraguai. Localmente, a afeição do brasileiro ao Orkut, onde passa mais tempo que qualquer outro serviço por mês, teve conseqüências nem sempre boas para o Google Brasil.
A pior foram as duas intimações que o então presidente do buscador, Alexandre Hohagen, recebeu para depôr na CPI da Pedofilia após denúncias do Ministério Público Federal sobre práticas de pedofilia, crimes de ócio e tráfico de drogas na rede social.
Resolvida a questão após quase dois anos, o que quase levou ao pedido de fechamento do buscador no país, o Google Brasil “ganhou de presente” o gerenciamento global da rede social, que se mudou da Califórnia para o centro de desenvolvimento da empresa em Belo Horizonte.
Do outro lado, a Microsoft tentou atrelar seu Spaces à penetração do Messenger, mas acabou entrando de verdade no setor apenas ao desembolsar US$ 240 milhões por 1,6% do Facebook, que também opera anúncios da Microsoft em suas páginas.
Na briga de números, o Orkut leva vantagem folgada – são cerca de 40 milhões de perfis no Orkut contra 8,7 milhões de brasileiros cadastrados ao Spaces.
Google Maps x Live Search Maps – O Google pode ter sido o responsável por iniciar a febre dos mapas que alimenta tanto a tendência dos mashups como a explosão de serviços similares na exploração comercial do conceito de geotagging.
Mas, pelo menos no Brasil, a mais rápida no gatilho foi a Microsoft, que apresentou a versão local do seu Live Search Maps em setembro de 2007, mostrando pontos de interesse em cerca de 170 cidades brasileiros e reproduzindo o tráfego em tempo real para São Paulo e Rio de Janeiro.
No mês seguinte, o buscador finalmente apresentou seu Google Maps brasileiro, primeiro serviço criado no exterior e totalmente adaptado para o mercado brasileiro pelo centro de desenvolvimento mineiro do Google.
Além do Maps, porém, o Google dá um banho na Microsoft pelo pioneirismo de comprar a Keyhole, responsável pelo programa chamado hoje de Google Earth, e tornar o KML, criado pela Keyhole, um padrão de mercado para localizações geográficas digitais.
Gmail x Windows Live Mail – Parecia apenas mais uma das tantas brincadeiras que o Google faz no 1º de abril – afinal, quem realmente introduziria um serviço de e-mails com 1 GB de espaço quando similares contavam com poucos megabytes?
Em 1º de abril de 2004, usuários selecionados pelo Google recebiam convites para testar o Gmail, serviço de e-mails do buscador que, além de espaçoso, prometia novidades que melhorariam o gerenciamento de mensagens, como filtros e tags.
Um dos concorrentes atingidos pela interface limpa e com comandos simples foi o Windows Live Mail, serviço pioneiro de e-mails lançado em 1996 como Hotmail, um ano antes de a Microsoft comprar a companhia para explorar comercialmente o site.
As mudanças decorrentes do Gmail podem ser vistas hoje no Hotmail: além da expansão do espaço de armazenamento para 5 GB (contra 7 GB do Gmail), a nova interface do serviço, por mais que ainda emule o software Outlook, se tornou mais limpa e deu preferência à leitura de mensagens em detrimento de algumas publicidades.
Ainda assim, o serviço da Microsoft conta com 36 milhões de contas ativas no Brasil, possivelmente alavancada pelo sucesso do Messenger no mercado nacional. Em todo o mundo, são 350 milhões de usuários ativos do Windows Live Mail.
O Google afirma apenas que tem “muitos milhões de usuários (do Gmail) em todo o mundo”.