Manter transações com cartões de débito e de crédito em ambiente seguro é sempre a preocupação número um, tanto das instituições bancárias e das redes de cartões como dos correntistas. Em jogo, além do rombo financeiro, está a imagem das companhias. Para apoiar os bancos parceiros, a Visa desenvolveu com seu time interno uma solução – batizada de Advance Authorization – que detecta possíveis fraudes em tempo real, criando indicadores de risco que permitem às instituições aceitar ou recusar uma transação imediatamente.
O serviço oferecido aos bancos pela rede de pagamentos eletrônicos relaciona padrões de níveis de fraude a comportamentos e transações incomuns, com objetivo de prevenir e detectar atividades fraudulentas no ato de sua ocorrência. A tecnologia analisa constantemente os padrões estatísticos e atualiza estes modelos para criar códigos de nível de risco do cartão. Por trás disto, há redes neurais da Visa, que estão embasadas em modelos e históricos de cartão, tendências, lojas, clientes, entre outros diversos padrões.
A solução possui atualização em tempo real, alimentada por todas as transações realizadas mundialmente. Ou seja, conforme as ameaças e as atividades mudam, a ferramenta se atualiza e busca novos padrões. “Damos scores às solicitações, gerando padrões. O cliente faz a compra no terminal – propriedade do banco adquirente, no caso do Brasil, a Visanet – que faz a identificação pelo número do cartão e encaminha para a Visa, que direciona a transação para o banco cujo cliente pertence. Isto ocorre em milissegundos. A transação chega ao banco que, por meio do sistema que verifica as condições do cliente, aprova ou não a transação”, detalha Jacinto Cofiño, vice-presidente de risco para América Latina.
O executivo esclarece que a diferença do sistema está na agilidade das informações. “Normalmente, este score era entregue depois e os bancos não tinham todas as informações necessárias.” Com a ferramenta, a Visa concede uma pontuação de risco a cada solicitação de autorização. Caso detecte e relacione padrões de comportamento incomuns, ela atribui um código de conta comprometida para a condição de risco. Com estes dados, o banco dispõe de informações para aprovar, adiar ou recusar a transação em tempo real ou investigá-la mais minuciosamente por meio do gerenciamento de casos.
DE OLHO NA IMAGEM
Depois de ser utilizada pelos bancos norte-americanos há quatro anos, a solução desembarcou somente em julho deste ano na América Latina. De acordo com Cofiño, cinco grandes bancos brasileiros já a utilizam. “A ferramenta foi implementada nos EUA e estava esperando ter um volume de histórico de transações, além de necessitar de ajustes para atender ao mercado latino-americano”, justifica o atraso. Sem revelar a quantia investida, ele conta que a tecnologia foi desenvolvida pela equipe de TI nos Estados Unidos e aguarda resposta à solicitação de patente requerida naquele país.
A decisão de fazer em casa – e não adquirir um pacote de mercado -, segundo o VP, deveu-se às particularidades necessárias. “Precisa-se de conhecimento muito proprietário e não compensava comprar fora”. A ferramenta é oferecida aos bancos sem custo e fica instalada na Visa, cabendo às instituições integrá-la a seus sistemas. O objetivo da ferramenta é complementar as estratégias de segurança dos bancos.
Assim, a maior vantagem para a rede de pagamentos está em fortalecer a sua imagem para o mercado, criando mecanismos para proteger os clientes a fim de que eles não percam confiança no produto. “Queremos trazer valor aos bancos e aos produtos; e a chave para isto é a segurança da informação”, enfatiza o VP de risco, Cofiño.
Apesar de não ter medido o retorno na América Latina, o executivo acredita em números similares aos obtidos nos Estados Unidos. “Lá, sem a solução, os bancos teriam entre 20% e 30% a mais de fraude por ano. O objetivo é controlar a fraude, porque sempre vai acontecer algo.”