Presente em smartphones, filtros de spam e apps de recomendações culinárias, a Inteligência Artificial ainda está longe de criar um Terminator
A dominação por robôs não é pesadelo exclusivo de James Cameron. O físico, autor e personalidade midiática Stephen Hawking afirmou nesta semana ser possível a superação da espécie humana para além dos filmes de ficção científica.
Discursando na Conferência Zeitgeist em Londres, ele disse: “Computadores irão superar a raça humana através da inteligência artificial em algum momento dos próximos cem anos. Quando isso acontecer, precisamos ter certeza que compartilhamos do mesmo interesse”.
Não é a primeira manifestação de Hawking sobre o assunto. Em dezembro de 2014, ele chegou a alertar sobre a possibilidade da robótica e seus avanços guiarem a humanidade rumo a sua total extinção. Ele ressaltou que o fortalecimento físico e intelectual dos robôs para além das capacidades humanas, hoje inofensivo, pode fugir do controle.
“Esse processo pode disparar por conta própria e se reformular a um ritmo cada vez maior”, comentou, em entrevista para a BBC. “Os seres humanos, limitados pela evolução biológica, são incapazes de competir e podem ser suplantados”, crescentou.
O físico não está sozinho em suas aflições. Elon Musk, CEO da fabricante de carros elétricos Tesla Motors e da SpaceX, afirmou em palestra no MIT que a Inteligência Artificial e a pesquisa direcionada a ela são uma ameaça direta à humanidade.
“Acredito que deveríamos ser muito cuidadosos a respeito da Inteligência Artificial”, defendeu. Não contente, Musk foi além: “Se eu tivesse que dar um palpite sobre a nossa maior ameaça existencial, provavelmente seria que, através da IA, estaríamos invocando o demônio”.
Mas ainda é cedo para começar a histeria coletiva. Nem toda a comunidade científica se encontra tão alarmada quanto Hawking e Musk. Muitas pessoas tendem a encarar a Inteligência Artificial como o cérebro por trás da robótica, mas ela também está presente em smartphones, filtros de spam e apps que recomendam restaurantes.
Estudos em Inteligência Artificial ainda estão longe de criar um robô que aprenda facilmente, sobretudo um ciente de si o suficiente para deixar seus operadores humanos de lado e dominar o mundo. Manifestações acaloradas como as de Hawking e Musk colocam em risco a continuação de pesquisas no ramo.