Companhia, que desenvolveu plataforma para entrada de fintechs em seu ecossistema de pagamento, também otimizou a experiência de saque via smartphone
Há mais de dez anos na TecBan, Robert Baumgartner Jr. explicou durante a entrevista para essa matéria que um dos motivos da sua permanência na empresa é a possibilidade de atuar em projetos de diferentes áreas dentro da companhia, como as iniciativas que deram à companhia o prêmio ‘100 mais inovadoras no uso de TI’ na categoria Serviços Financeiros, e o 16º lugar no ranking geral.
Chamado Inclusão de fintechs no sistema financeiro brasileiro – HubDigital + Saque Digital, o projeto compreende duas soluções desenvolvidas pela empresa: uma plataforma capaz de conectar instituições financeiras ao sistema do Banco24Horas e um novo processo de saque sem contato com as máquinas de autoatendimento, que utiliza o smartphone para otimizar a experiência.
Ambos os projetos eram estratégicos para a TecBan por aumentar o alcance de uso dos seus terminais de pagamento, com foco especial para clientes das classes C,D e E, cuja frequência de uso das ATMs é 20% maior do que a de outros públicos.
Baumgartner explica que o principal desafio para a sua equipe para o Hub Digital (que contou com cerca de 30 executivos trabalhando diretamente nesse projeto) foi fazer com que todo o sistema desenvolvido para essa solução, baseado na nuvem, conversasse com os sistemas legados da TecBan.
“A gente criou uma camada de integração dessa plataforma que roda em nuvem com nossos sistemas legados”, explica o CIO. “Hoje a gente tem uma arquitetura que é muito modular. Estamos com todo o sistema rodando na nuvem, mas caso aconteça qualquer problema conseguimos transportá-lo para os nossos datacenters.”
Essa mobilidade também é vista na forma como o sistema funciona para as fintechs e pequenos bancos que não têm uma estrutura de TI que possibilitasse grandes ajustes no sistema próprio. Essas instituições conseguem optar por aspectos como escolha da distribuidora para viabilizar a operação financeira da ATM (como Banco Original e Rede Compras) até os padrões de segurança que serão adotados. “Se a fintech tiver os requisitos necessários, em um dia conseguimos plugá-la ao sistema do Hub”, explica o executivo.
Já o serviço de Saque Digital permite que o usuário começa a operação do smartphone, lê o QR Code fixado na ATM e consegue fazer a retirada do produto. Nesse caso, a empresa precisou fazer algumas adaptações na experiência do usuário para garantir que o processo de retirada fosse de forma tranquila.
“O que nós tivemos que adaptar, por exemplo, foi dar um tempo um pouco maior para que a transação fosse executada, já que muita gente levava mais tempo para ler o QR code ou mesmo iniciar o processo. Mas não foram ajustes complexos” explica Baumgartner, enfatizando que o serviço, junto com o ‘Hub’, acabaram facilitando de forma significativa a vida dos usuários que receberam o auxílio emergencial, já que poderiam fazer o resgate do valor de forma segura em um dos mais de 23 mil terminais da empresa, espalhados em 800 municípios.
O Hub adicionou ao sistema da TecBan mais de 20 fintechs e aproximadamente 100 instituições financeiras. O executivo explica que, até o final do ano, a estratégia da companhia tanto para esse produto como para o serviço de SAC estará focada na divulgação das funcionalidades e aumento da base.
Em paralelo, Baumgartner explica que a companhia está investindo em outras frentes dentro setor financeiro, com a estruturação de uma plataforma para o open banking, feita em parceria com a fintech Ozone, do Reino Unido — país que já possui uma solução similar com a que está sendo desenvolvida por aqui.
A companhia também está investindo em projetos de saque no comércio e outras iniciativas, que serão 100% digital ou complementares ao meio físico. “A gente está em um momento de ampliação do nosso portfólio de produto, nos posicionando como uma empresa aberta e fornecer um ecossistema inclusivo.”
Mesmo com novos projetos a caminho, o CIO afirma que esses dois, em particular, serão relembrados de forma mais especial, por conta do momento em que eles foram lançados e como acabaram auxiliando as pessoas em um momento delicado.
“Foi muito gratificante para mim, porque é um projeto em que você vê as pessoas usando e você vê, nesse momento de crise, como ele foi importante. Vai ficar na minha história como um dos projetos mais bacanas, por trazer inclusão.”
1º – Robert Baumgartner Jr. – Diretor de TI, TecBan
2º – Carlos Alberto Caselli – CTO e COO, Digio
3º – Marcos Adam – Head de Negócios Digitais e Transformação Digital, Rodobens