Com as presenças do rei Juan Carlos e da rainha Sofia, de
Espanha, a Telefónica inaugurou, nesta quarta-feira (08/10), oficialmente sua nova sede no
Distrito C, um bairro distante 40 minutos do centro de Madri. Ali
ficarão instalados 11 mil dos 24 mil funcionários na capital. Ao todo,
espalhados pelos quatro continentes, contabiliza 78 mil. A idéia de
centralizar uma parte desse contingente num único local é antiga, tomou
corpo há alguns anos e teve sua construção efetivamente levada a termo
há 4 ou 5 anos, tendo demorado 2,5 anos para a obra ser concluída, em
2006.
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O conceito da sede é de auto-sustentabilidade e os recursos que
envolveram o projeto ultrapassam os € 500 milhões. Aliás essa conta foi
difícil de ser feita. Muitos executivos abordados ficaram confusos
porque, segundo disseram, é necessário subtrair todos os gastos que
manter sedes alugadas representava. Depois de 85 anos espalhada em
vários edifícios, a Telefónica optou por adquirir um amplo espaço e
preenchê-lo com um complexo de 17 edifícios baixos, assinado pelo
arquiteto Rafael de la Hoz, com muitos espaços vazios, quatro torres de
50 metros de largura por 50 metros de altura, completamente
envidraçadas.
A propagação da luz recebeu atenção especial e a cobertura é feita
de 16 mil painéis fotovoltaicos, a maior superfície solar da Europa,
gerando 10% do consumo anual de energia do complexo. O conjunto marcado
pelo desenvolvimento sustentável conseguiu reduzir em mais de 5 mil
toneladas ao ano de emissão de gás carbônico na atmosfera.
A nova sede foge de todos os padrões mais comuns de escritórios.
Trata-se da maior de uma única empresa na Europa, com 367 mil m
construídos, dos quais 170,2 mil m em escritórios e 16,3 mil m em
serviços. As torres e os prédios seguem arquitetura simples de linhas
retas e espaços vãos, lembrando Brasília. Existe um edifício central,
um de serviços, centro de saúde, academia, escola infantil e
restaurantes. Essa parte permanece aberta nos fins de semana,
reforçando um conceito de projeto social aberto. A Telefónica construiu
uma estação de metrô dentro do complexo, mas os funcionários ainda não
a utilizam em grande escala, preferindo chegar de carro.
Os espaços de escritórios obedecem a uma nova conceituaçaão
democrática. Os diretores não ocupam, como é comum ocorrer, os espaços
nobres das janelas, ficando justamente no meio do andar. Uma parte de 2
mil funcionários não tem lugar fixo, trabalham em casa e na rua, e
quando vão ao escritório são esperados numa mesa de avulsos, que
oferece conectividade.
Nascida como empresa privada em 1924, a Telefónica avançou nos
anos 90 para a América Latina, que se tornou o principal vetor de
crescimento de suas receitas em abril deste ano. Possui 245 milhões de
clientes em todo o mundo. De todos os edifícios que possuía, a
operadora manteve a sede central na avenida Gran Via, principal de
Madri, transformando-a em loja conceitual. O imóvel recebeu uma
roupagem moderna, painéis eletrônicos com informações ao toque de tela,
exemplo de casa conectada e ainda mantém, protegidos por vitrines
estrategicamente colocadas, os antigos mármores e madeiras trabalhadas
no teto. Nessa sede vai ser criado um museu reunindo as obras de arte
que a empresa reuniu e que hoje estão espalhadas por museus espanhóis
em várias cidades. Elas serão requisitadas de volta e serão dispostas
nesse prédio que faz parte da história da Telefónica e dos cartões
postais de Madri.