25 de novembro: a Black Friday 2016 chegou. Tão citada em comerciais de TV, anúncios em páginas na internet, campanhas de e-mail marketing, rodas de amigos, no trabalho e em tantos outros locais. Aguardada por muitos, a data é aderida pelos principais varejistas, de diversos setores, pelo sexto ano consecutivo no Brasil e traz descontos arrojados para impulsionar as vendas. Originalmente, o fenômeno foi iniciado no Estados Unidos, realizado sempre na quarta sexta-feira de novembro, após o feriado de Ação de Graças.
No Brasil, a data deve movimentar, neste ano, cerca de R$ 2 bilhões, de acordo com estimativa do portal BlackFriday.com.br, idealizador do evento no País – número 34% maior do que em 2015. O evento está cada vez mais consolidado no Brasil. A agência de marketing digital de performance iProspect afirma que 79% dos brasileiros já compraram em alguma das edições, o que tem trazido cada vez mais empenho das empresas em ampliar as ofertas para obter retorno financeiro com as promoções.
Até mesmo companhias do setor B2B entraram na onda. São os casos da Embratel, que anunciou promoção voltada a clientes corporativos para contratar a solução Cloud Server com desconto de até 43%, e também da Bysoft, empresa de tecnologia especializada em comércio exterior, que anunciou programação especial e portfólio de produtos em condições diferenciadas em sua terceira participação na data.
Se as equipes de marketing e vendas são importantes para as campanhas, outro setor desempenha papel fundamental, mesmo que muitas vezes isso não fique claro aos olhos do consumidor: a Tecnologia da Informação (TI). Com a consolidação do e-commerce, os portais aumentam os acessos de forma exponencial. Afinal, quem vai prover a tecnologia para manter o portal no ar, sem interrupções? Quem garantirá a segurança dos dados dos usuários? Claro que muitos dos projetos são realizados em conjunto com diversas áreas das empresas, mas a liderança desses processos é dos times de TI.
André Petenussi, diretor de tecnologia da Netshoes, um dos principais grupos de e-commerce do Brasil, destaca o papel de protagonista da equipe de TI nos esforços especiais da Black Friday. “O mais importante disso tudo para nós, do ponto de vista de gestão no time, é o quanto engajamos a equipe na sazonalidade. É muito comum no mercado de e-commerce a TI ser afastada dos negócios e, nesse período, engajamos bastante o time de TI, mostrando como a equipe é tão importante quanto qualquer outra área. Com o enorme volume de acesso, é preciso um preparo especial”, disse o executivo, em entrevista ao IT Forum 365.
Equipe dedicadas e alinhadas às expectativas
Para a Netshoes, a Black Friday é mais do que o dia 25 de novembro. A empresa adota a campanha Black November, que traz preços promocionais o mês inteiro. Desde o dia 1º de novembro já começam os valores diferenciados para os produtos. Além do período de 30 dias intensos, a operação tem outro fator desafiador em termos de complexidade.
“Além do Brasil, com a Netshoes e a Zattini (outra empresa do grupo), também coordenamos as operações da Netshoes na Argentina e México, com todo suporte. Temos, ainda, diversas lojas parceiras de clubes de futebol, como Corinthians, Santos e São Paulo, no Brasil, alguns na Argentina, como San Lorenzo e River Plate, e no México, como Santos Laguna e Chivas”, destaca.
Somando todos os canais de vendas, a complexidade para o grupo Netshoes é de cerca de 25 sites – todos focados na sazonalidade da Black November. ”Isso torna o ambiente muito mais complexo do que a maioria dos comércios eletrônicos e requer mais planeamento para suportar o volume.”
Para suportar a demanda, cem profissionais de TI ficam exclusivamente dedicados à operação. A equipe toda conta com cerca de 400 colaboradores. A empresa não estima expectativas de números para 2016, mas as estatísticas apontam para um bom caminho. Em períodos normais, a média é de 25 mil pedidos despachados por dia e 75 milhões de visitas no mês. “A Black November impulsiona muito os acessos, ainda mais em um ano como o que vivemos, que as pessoas realmente estão esperando grandes descontos. Nossa expectativa é muito alta”, comenta.
Foco no mobile
Petenussi explica que, desde 2015, a empresa percebeu a mudança forte de comportamento dos usuários com a migração para os dispositivos móveis. “Isso vai ser só o segundo ou terceiro em que o acesso via dispositivos móveis realmente está consolidado, o que mostra a tendência do uso de smartphones no varejo on-line.”
A empresa tem projetos com operadoras para oferecer navegação no aplicativo sem consumir o pacote de dados (Zero Rating). De 2014 para 2015, o crescimento foi de 176% nas visitas do site versão mobile. “Mostra que estamos bem posicionados para atender cliente numa tela diferente”, completa.
Segurança
Quando fala-se de internet, sobretudo em grande volume de acessos, a segurança precisa estar andando lado a lado com as equipes. Os ataques podem vir por meio de ofertas recebidas por e-mail, o chamados phishing, muitas vezes idênticas as utilizadas por lojas e fabricantes para enganar um público mais desavisado. Outra tática utilizada pelos cibercriminosos é ter acesso aos sites de vendas para saber quais produtos o usuário pesquisou e, com isso, criam um e-mail de promoção do produto para aumentar as chances da pessoa cair no golpe.
Outra forma de ataque com possibilidade de crescimento nessa data é por meio de falsos anúncios na web e em redes sociais para fisgar usuários. Os hackers utilizam os anúncios como porta de entrada para direcionar os consumidores para sites falsos e incorporar o malware nas máquinas. Normalmente, os anúncios falsos dificilmente parecem suspeitos, pelo que é difícil distingui-los dos verdadeiros.
Arthur Capella, country manager da Palo Alto Networks no Brasil, empresa especializada em segurança cibernética, afirma que o maior risco para a Black Friday são as ameaças desconhecidas, ou seja, aquelas que os sistemas tradicionais de defesa não estão preparados para impedir. “Por isso, reforçamos a importância de uma plataforma de segurança capaz de bloquear os novos malwares e ransomwares, que estão se popularizando no Brasil e podem significar uma oportunidade valiosa para os agentes maliciosos que se aproveitam desse momento de fluxo intenso de compras para realizar os ataques”, declara.
Como qualquer outro evento, as pessoas buscam diversão e comodidade e é esse tipo de satisfação que as empresas estão buscando propiciar aos usuários. O fato é práticas de TI são essenciais e devem ser parceiras dos negócios.