Depois de sofrer com problemas em sua cobertura de dados e ver a concorrência avançar, a TIM vem investindo forte na ampliação da cobertura de dados móveis – 3G e 4G – e já fala em liderança do 4G no País. Tal façanha, a operadora credita à aposta em uma nova modalidade de antena, que combina poste metálico que pode ser usado ao mesmo tempo para iluminação pública e câmera de vigilância, além do reaproveitamento de parte da frequência 1,8 Ghz, hoje utilizada para 2G, para o 4G.
Como lembrou o CTO da TIM, Leonardo Capdeville, a operadora havia anunciado há um ano que ampliaria os investimentos em prol da qualidade da conectividade dos usuários. A companhia vinha de um ritmo de investimentos da ordem de R$ 11 bilhões para o período de três anos e ampliou para R$ 14 bilhões entre 2015 e 2017, sendo que 90% do montante está direcionado para 3G e 4G.
Parte da dificuldade para melhorar a cobertura nos grandes centros sempre esteve relacionada à legislação para instalação de antenas, mas a TIM vem trabalhando num modelo batizado de biosite, que consiste em postes de metais, cuja ponta é a antena, mas que serve para iluminação pública e câmeras de vigilância. Entre as vantagens está a rápida montagem – 3 horas – e o baixo impacto visual. “A cidade do Rio de Janeiro conta com mais de 100 instalados e até 2016 serão 300 por conta da Olimpíada. Trata-se de uma implantação simples, limpa, desenvolvida pela TIM e que ganha força em cidades densas”, comentou o executivo.
Do ponto de vista de frequência, a TIM quer aproveitar a ociosidade da faixa de 1,8 GHz, hoje amplamente utilizada para as redes 2G, e converter parte do seu uso para o 4G, os trabalhos já foram iniciados e, até por isso, a companhia deve chegar até o final deste ano com 400 cidades cobertas pela sua rede de quarta geração.
“Temos um ativo que é espectro de 1,8 GHz e que é o mais utilizado para LTE no mundo, segundo dados da GSA. Compramos esse ativo lá atrás para o 2G, mas agora poderemos reutilizar o espectro – reaproveitando até o mesmo equipamento e antena -, fazendo a implantação do 4G de forma mais rápida e barata”, explicou. Soma-se aos benefícios mencionados pelo executivo o fato de a frequência 1,8 Ghz ter um alcance maior que a de 2,5 Ghz adotada para LTE no País.
Questionado se com essa estratégia a TIM desligaria as redes 2G, o CTO refutou tal afirmação, explicando que, neste momento, em torno de um terço da frequência 1,8 GHz em algumas localidades seria direcionada para 4G e que, na medida em que diminuir o uso de 2G, aumenta-se o uso da frequência para 4G. Desligar o 2G também está fora de cogitação neste momento porque 50% dos terminais no Brasil ainda utilizam essa rede e tal tecnologia ainda é muito difundida para comunicação M2M.
Com os investimentos em antenas e o reuso da frequência 1,8 Ghz, a TIM chegará a dezembro com 400 cidades cobertas pelo 4G. “E assim, assume a liderança em cidades cobertas com rede de quarta geração. Cobriremos 58% da população urbana, ou mais de 100 milhões de pessoas”, afirmou Capdeville. A cobertura 3G também deu um salto e, até o final do ano, chegará em mais 656 cidades.