O conselho da TIM aprovou o início de uma reorganização para promover um alinhamento mais forte com a matriz Telecom Italia e redirecionar a companhia para novos segmentos, como a terceira geração (3G). No processo, o atual presidente, Mario Cesar Pereira Araujo, acumulará três cargos, dois deles interinamente. “Só não sou interino na presidência”, brincou em teleconferência com jornalistas ontem. O cargo de diretor-geral passa a ser acumulado por Araujo, mas em breve vai deixar de existir. Era de Francesco Saverio Locati, de volta à Itália.
Os objetivos das mudanças são, segundo Araujo, manter elevado nível de controle, reduzir a profundidade da estrutura e dar foco nos novos segmentos, especialmente na área técnica e operacional.
Para substituir o diretor financeiro Gianandrea Castelli Rivolta, o conselho elegeu Claudio Zezza, que aguarda autorização para assumir. Outra mudança foi a escolha de Beniamino Bimonte para a direção de recursos humanos. Como o executivo italiano também depende dos trâmites de imigração, o posto será ocupado interinamente pela diretora jurídica, Lara Ribeiro Piau Marques.
Bimonte foi responsável pelo desenvolvimento gerencial em recursos humanos na Telecom Italia, enquanto Zezza foi responsável pelo planejamento e controle para atividades de telefonia fixa das subsidiárias da empresa italiana.
Araujo afirmou aos jornalistas ser “natural em uma multinacional fazer trocas periódicas dos executivos, com perfis adequados a cada foco que ela deseja dar no período”. Ele ressaltou, no entanto, que “os acionistas têm depositado confiança no quadro” e que “não há mais previsões de mudanças”.
Concorrência ampliada
Segunda maior operadora celular em número de clientes, a TIM disse estar preparada para o aumento da concorrência em São Paulo, Estado que ganha duas novas operadoras neste segundo semestre: a Oi e a “ae iou”, antiga Unicel.
Segundo Araujo, a companhia “está preparada para a ameaça da ”aeiou” há mais de seis meses”.
Segundo afirmou, a TIM foi a terceira operadora a entrar no mercado paulista e conquistou uma participação que hoje é de “mais de 25% no Estado”, ressaltou. “Nossos clientes não vão sair da nossa base para ir para a Oi ou para a ae iou”, acredita.
Em relação à Oi, Araujo opinou que ela “terá de mudar de estratégia, já que será a primeira vez que vai trabalhar sem a telefonia fixa”, situação diferente da experimentada nos demais 16 estados em que atua e que pode gerar impacto relevante.
De qualquer forma, o executivo defende que, com o aumento da concorrência, “o cliente sempre sai ganhando”. Ele previu que a TIM vai melhorar o nível dos serviços, vai oferecer telefonia fixa em conjunto com celular, banda larga e TV paga (Sky) e ganhar todos os clientes que a “ae iou” pensa que vai ganhar.
Em junho, por exemplo, segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a TIM detinha 25,4% dos clientes de celular do País, mas a Claro, terceira colocada, tinha menos de um ponto percentual de diferença: 24,87%.
Prejuízo no balanço
Com prejuízo líquido de R$ 34,1 milhões no trimestre, depois de já ter perdido R$ 73,9 milhões no primeiro trimestre do ano, a TIM obteve Ebitda (resultado operacional antes de juros, amortização, impostos, depreciação e despesas financeiras) de R$ 635,7 milhões, 18,9% superior ao do 1º trimestre, e que ampliou a margem Ebtida em 2 pp, para 20%.
A receita líquida ficou em R$ 3,19 bilhões, 6,5% maior que a do 1º trimestre, com a parcela de serviços em R$ 2,97 bilhões.