A transformação digital é algo que muitas empresas estão correndo atrás para conseguir. Mas o ramo das telecomunicações no Caribe e América Latina (CALA), em especial, essa mudança está sendo feita de forma mais demorada que o esperado e não estão conseguindo atender às demandas atuais. Isso é o que aponta uma pesquisa realizada pela Amdocs, em parceria com a IDC.
De acordo com o levantamento, 68% dos executivos sênior (C-level) e outros tomadores de decisão de operadoras na região preveem que suas empresas levarão mais de cinco anos para se transformarem. Isso não é rápido o suficiente, de acordo com 58% dos entrevistados, que acreditam que o setor de telecomunicações será deixado para trás por outros setores.
A pesquisa identificou também que 53% das operadoras em CALA ainda não possuem uma estratégia digital implantada.
“A maioria das operadoras estão hoje trabalhando ativamente para implantar tecnologias digitais para melhorarem seus negócios, mas isso está acontecendo sem uma visão geral e estratégia unificadoras”, afirma Andy Hicks, diretor de pesquisas de telecomunicações e redes da IDC para o EMEA. “Eles também nos dizem que estão lutando para realinhar processos e requalificar seu pessoal, enquanto atrasam ainda mais os resultados reais dos negócios.”
Para Hicks, as empresas da região podem até conseguir acompanhar outras operadoras, mas não o mundo digital mais amplo. “A menos que resolvam as lacunas que possuem na estratégia digital, nas capacidades e na liderança”, ressalta.
De acordo com os tomadores de decisão em CALA, a agilidade dos negócios e a capacidade de entregar uma experiência do cliente perfeita em todos os canais são a segunda e a terceira capacidades mais críticas para a sobrevivência das operadoras na era digital, depois da capacidade de atrair os melhores talentos com novas competências digitais (que ficou em primeiro lugar).
A agilidade dos negócios também é uma das mais altas prioridades das operadoras para os seus negócios de transformação digital nos próximos 12 meses, ficando em primeiro lugar (89% dos inquiridos), seguida pela redução da rotatividade de assinantes (79%) e pela melhoria da experiência do cliente (63%).
O papel do CDO
Para 84% dos dos tomadores de decisão entrevistados, ter um
diretor digital (CDO) para liderar e conduzir tal estratégia é importante, enquanto que um terço (32%) já contam com um profissional desse para ajudar na gestão.
Além disso, 74% do setor local ainda está executando projetos de transformação digital como iniciativas isoladas, sem qualquer alinhamento com roteiro mais amplo de tecnologia ou com uma estratégia de negócios. O relatório aponta que a falta de uma estratégia clara, juntamente com a baixa taxa de adoção de canais digitais e de ambientes de sistemas múltiplos de fornecedores, são igualmente vistos como os três maiores obstáculos para a transformação digital, que podem desacelerar um projeto ou comprometê-lo por completo.
O estudo pesquisou tomadores de decisão de 81 operadoras atuantes nas regiões da Ásia Pacífico (26 por cento), Europa (25 por cento), América Latina (23 por cento) e América do Norte (26 por cento). Quase metade dos entrevistados (46 por cento) ocupam posições sênior (nível C).