O Direct-to-Home (DTH) é apontado pela consultoria Pyramid Research como a tecnologia que deverá ganhar a preferência das operadoras de telecomunicações para complementar seus pacotes convergentes, com ofertas triple play e quadri play, e concorrer com operadoras de TV a cabo.
Segundo a consultoria, um dos aspectos que deve impulsionar o interesse das operadoras pelo DTH é o fato dessa tecnologia ser menos regulamentada do que o cabo. Na legislação atualmente em vigor no Brasil, as operadoras de telecomunicações enfrentam restrições à participação acionária em empresas de televisão a cabo, devido a fatores como a Lei do Cabo.
Em sua área de concessão, as concessionárias de telefonia podem deter até 19,9% da participação acionária de uma empresa de TV a cabo. Além disso, empresas de capital estrangeiro devem se limitar a controlar 49% de uma companhia do setor.
Outro fator que contribui para que o DTH seja escolhido é que esta tecnologia exige investimentos menos intensos do que o cabo, além de apresentar maior eficiência para atingir regiões com populações espalhadas e menores taxas de densidade populacional.
“Como exige um investimento menor, o DTH permite às operadoras entrarem no mercado de baixa e média renda, com a oferta de pacotes mais baratos”, acrescenta Cristiano Laux, gerente de consultoria da Pyramid Research.
Primeiras ofertas já estão no mercado
No Brasil, os primeiros movimentos das empresas de telecomunicações em relação ao DTH começaram em 2007, quando a Telefônica lançou sua oferta, seguida pela Embratel. A empresa espanhola também está presente no mercado de televisão paga, graças à compra de parte da TVA, em 2006. Ao todo, a concessionária tem 425 mil clientes de TV paga.
Outra operadora que também detém negócios em TV a cabo é a Oi, que adquiriu a mineira WayTV. Já a oferta de TV via satélite da operadora deverá sair do papel no primeiro semestre do ano, com a meta agressiva de conquistar 8 milhões de assinantes do serviço em cinco anos.
De acordo com Laux, as primeiras operadoras que entraram no mercado de DTH tinham como objetivo combater o avanço da NET sobre suas bases, além de demonstrar à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) seu interesse na desregulamentação do setor de TV a cabo.
“No passado, a NET entrou forte no mercado de voz e pegou as operadoras desprevinidas. Elas começaram a sentir uma perda significativa de assinantes de telefonia”, analisa, lembrando que antes de terem ofertas próprias, as teles fizeram parcerias com operadoras de TV a cabo, para vender pacotes conjuntos.
O rápido crescimento da base de assinantes de serviços de TV paga fez com que as teles enxergassem o DTH de forma estratégica.
“Basicamente, a TV paga por satélite está se tornando a tecnologia de preferência das operadoras no Brasil porque agora elas estão vendo seu potencial junto ao mercado massivo, de baixa e média renda”, diz Laux, ressaltando que as teles também não se sentiam confortáveis em compartilhar o perfil de seus clientes com as empresas de televisão via satélite.
Segundo a consultoria, no ano passado, pela primeira vez, o crescimento de assinantes de TV via satélite superou o avanço de clientes de televisão a cabo. Estatísticas Anatel mostram que a penetração do serviço de TV por assinatura é baixa no Brasil, com cerca de metade da população (51,9%, ou 91 milhões de pessoas) com acesso a ofertas do tipo, em 8,4% dos municípios País que contam com o serviço.
Em termos de market share, o DTH detém 33,88% do total de assinantes, atrás da TV a cabo, que tem 62,14%, e à frente do MMDS, com 3,96%, de acordo com dados da Anatel.
“O que as operadoras querem mais que tudo é o conceito de segurar o cliente em sua base com diferentes serviços, gerando receitas recorrentes. Os negócios que vão sobreviver no futuro são os que seguirem este conceito”, finaliza o gerente de consultoria da Pyramid Research.