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Unicórnios de bolso vazio: empresas que valem bilhões sem nunca lucrarem

Publicado:
30/09/2019 às 14:00
Leitura
4 minutos

Com a sofisticação da tecnologia e o surgimento de startups, uma lógica até então inimaginável no mercado financeiro se tornou um padrão visto em Bolsas de Valores ao redor do mundo: a abertura de capital de empresas que não alcançaram lucro em nenhum trimestre ou que não tenham conseguido alcançar um ano de resultados positivos. 

Exemplos não faltam: seja da Uber, que foi ao mercado operando no vermelho, ou na fabricante Tesla, que nunca conseguiu completar um ano fiscal inteiro no azul. E elas não são as únicas: de acordo com um levantamento criado por Jay Ritter, professor da Universidade da Flórida, 81% dos 134 IPOs (“Initial Public Offering” ou oferta pública de ações) realizados nos Estados Unidos em 2018 foram de companhias que registraram prejuízo nos 12 meses anteriores à abertura do capital. 

E como, mesmo com provas claras de ainda não são sustentáveis, elas ainda conseguem angariar investidores? É que o argumento usado por boa parte delas parte do case da varejista Amazon, que por anos deu prejuízo com a promessa de, primeiro, se consolidar e garantir a liderança no mercado, para só depois começar a lucrar. 

 

Efeito Amazon 

E foi isso mesmo que aconteceu: com o capital aberto em 1997, a empresa levou 6 anos para registrar o primeiro resultado lucrativo. E mesmo hoje, sendo a marca mais valiosa do mundo e com uma divisão de computação em nuvem crescendo de vento em popa, ela ainda registra lucro líquido aquém do esperado: US$ 2,63 bilhões no último trimestre fiscal, contra US$ 10 bilhões da Apple. 

 Porém, como a companhia ainda segue a lógica de priorizar a expansão e dominância no mercado antes de obter retorno financeiro (que, por consequência, seria bem significativo), tanto investidores como outras empresas acabaram “comprando” e replicando esse discurso. É fácil entender quando se pensa que os milhões investidos agora podem se converter em bilhões e o negócio for bem-sucedido. 

E é essa lógica que vem mantendo empresas negativas na crista da onda. Investidores de diferentes níveis, por exemplo, preferem colocar dinheiro em um negócio arriscado, mas escalável (que consiga crescer de forma rápida) do que em uma marca mais estruturada, porém com teto de lucro já estimado.   

Aqui no Brasil, temos como exemplos companhias como iFood e Nubank, que mesmo registrando um trimestre lucrativo são capazes de levantar milhões em aporte por conta do potencial de crescimento que elas podem atingir. Porém, esse formato já está dando mostras de cansaço. 

Uma nova bolha? 

O principal fator que reforça a hipótese de uma descrença no mercado é o caso da Uber, que após estrear na Bolsa com ações em baixa, ainda apresentou um prejuízo histórico e está cortando pessoal para otimizar os custos.  

Esse momento delicado da empresa está fazendo com que investidores comecem a ser mais criteriosos tanto na decisão sobre qual empresa será investida como na capacidade real que ela tem de gerar e manter lucro, mesmo que a longo prazo. 

Outro caso que também está chamando a atenção do mercado é o da startup de escritórios compartilhados WeWork, que atrasou seu IPO por conta da desconfiança do mercado tanto sobre sua sustentabilidade como pela capacidade de liderança e gestão do então CEO Adam Neumann, que deixou o cargo recentemente.  

Não é que o mercado agora está “de mal” com as empresas de tecnologia, mas tanto investidores pessoais como empresas de venture capital entenderam que o caminho para o lucro é mais longo e indefinido do que pensavam inicialmente. Por isso, elas estão tentando se fiar nos pássaros que têm na mão (mesmo que o retorno não seja imediato) do que apostar em uma revoada que eles nem sabem mesmo se vai existir. 

 

*Com informações da BBC Brasil 

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