Já faz um tempo que o IE6 se tornou um problema na Internet, pois ainda é um browser popular, mas é extremamente bugado, cheio de falhas de segurança (uma delas foi usada no recente ataque ao Google, na China) e um completo inferno aos desenvolvedores de sites que precisam compatibilizar suas aplicações à esse jurássico browser. Os ataques na China motivaram uma reação da própria Microsoft, autora do IE6, no sentido de desenvolver uma correção ( Security Advisory 979352 ) e nos mais diversos blogs da empresa há inúmeros posts associados a esse problema, alguns detalhando um pouco mais as falhas recém descobertas outros simplesmente enfatizando a necessidade de migrar para o IE8. O fato é que matar o IE6 virou moda, todo mundo fala nisso e eu sou particularmente muito favorável a idéia. Em recente entrevista à Folha de São Paulo , eu e João Rego (que ocasionalmente escreve algumas colunas aqui) comentamos rapidamente o assunto, mas vale a pena elaborar a discussão um pouco mais.

Mas vamos entender realmente o problema com o IE6 e porque tanto “ódio” a ele na Internet. Sua popularidade veio com o Windows XP, o sistema mais instalado da Microsoft até hoje (legal e ilegal), pois era o browser nativo nessa instalação e foi aprimorado pelos Services Pack lançados para o XP. Por infelicidade da Microsoft, ela condicionou esses updates à originalidade (serial válido) no Windows XP e seu sucessor, o IE7 também estava inicialmente condicionado a legalidade do sistema operacional. Resultado, há uma imensa quantidade de PCs “zumbis” rodando Windows XP pirata e por isso pouco atualizado, e ainda um IE6 vulnerável por causa dessa inicial restrição quanto a legalidade do software. Vamos entender aqui um pouco mais dessa ilegalidade: há dois grupos de Windows XP com IE6 ilegais no planeta. Aqueles que conscientemente instalaram uma versão ilegal e estão cientes que não vão fazer a atualização optando por exemplo por browsers alternativos, e aqueles que foram vitimas de “montadores” de maquinas que instalaram versões piratas sem o conhecimento explicito do usuário, e que são incapazes de decidir pela instalação de um novo browser. Esse grupo, a maioria segundo as pesquisas da Microsoft, é constantemente avisado da ilegalidade do software e solicita ao “técnico” um suporte, que geralmente é um pequeno crack/hack que elimina tais mensagens para que possa trabalhar tranqüilo com seu Windows pirata. Essa é a turma que mais preocupa, é preciso incentivá-los a uma migração de browsers mesmo que eles não entendam exatamente porque.
Os dados estatísticos mostram um declínio no uso do IE6 nos últimos meses, mas seu uso é ainda muito relevante. Segundo o W3CSchool (muito citado pelo Mestre Piropo), nos últimos meses de 2009 o IE6 ainda respondia por quase um terço de todos os “Internet Explorers” e ainda é maior que oPela Wikipedia temos um artigo relativamente atualizado mostrando que na média dos institutos de medição o Internet Explorer (qualquer versão) corresponde a quase 60% dos acessos a sites na web, ou seja, a soma de todos os browsers alternativos, incluindo o Firefox, não chega a 40% dos acessos. Estimativas apontam que o IE6 ainda representa isoladamente de 11% a 14% dos acessos mundiais, número confirmado pelo W3Counter , mas é incrivelmente popular em locais como a China, Coreia do Sul, e países com alto índice de pirataria inconsciente de software (o seguindo caso que citei acima). Segundo a Net Applications surpreendentemente só em Outubro de 2009 o Firefox finalmente superou o IE6! Em Dezembro de 2009 a Net Applications ainda coloca o IE6 em primeiro lugar quando comparado versão a versão com outros browsers. Portanto, o IE6 é infelizmente muito popular…

Mas o IE6 funciona? Infelizmente não, não nos dias de hoje. Ele foi criado em um tempo que não havia normas na Internet, não havia padrões. Cada site precisava ser escrito prevendo exceções para cada browser, cheio de “IFs” e eu lembro bem dos códigos para Netscape, onde as rotinas de renderização eram mais diferentes ainda. Era um tempo onde as empresas achavam que podiam “dominar” a internet impondo um browser especifico, com linguagem especifica e recursos únicos, compatíveis apenas com suas plataformas proprietárias. Isso não vingou, e hoje a Internet tem padrões abertos (W3C), inúmeras novas funções e os browsers que seguem tais padrões deveriam funcionar de forma similar ao ler um arquivo HTML padronizado. Infelizmente esse mundo perfeito ainda não existe, mas o IE7/IE8, Firefox, Safari, Chrome e Opera são hoje muito mais próximos na renderização das páginas de web do que foram o IE5.5 ou IE6 e várias versões do Netscape. Escrever um site prevendo suporte ao IE6 custa caro, quase todo desenvolvedor cobra um “extra” para compatibilizar as funções visto que o IE6 é incapaz de realizar algumas tarefas relativamente comuns. É um browser com mais de 10 anos de vida, e a web mudou muito desde então. Entre vários outros problemas de compatibilidade o IE6 não suporta CSS na versão 2, não suporta nativamente imagens PNG transparentes, ambos recursos muito utilizados nos sites atuais, a ponto dos sites
Interferência governamental? Sim, claro, porque não? O IE6 é inseguro tanto para o usuário quanto para as redes onde esse PC está instalado (imagine dentro de um banco, ou de uma instituição governamental), é incompatível com vários sites incluindo sites de serviços públicos ou bancários, gerando uma enorme quantidade de ligações para suporte no helpdesk dessas instituições, a Microsoft já não oferece suporte a ele há bastante tempo e procura encorajar (na minha opinião de forma muito tímida) a migração gratuita (mesmo para os ilegais) para o IE7 ou IE8, bem como a migração (onerosa, como sempre) para o Windows Vista ou Seven.O governo da Alemanha e da França avisaram seus cidadãos sobre o problema, pedindo que troquem literalmente de browser (sequer recomendam o upgrade para outro IE…). O grave é que a Microsoft tem o IE como parte integrante do sistema operacional Windows e não pode ser desinstalado, mesmo que o usuário opte por um browser alternativo. Funções internas do Windows vão sempre utilizar as bibliotecas do IE, independente dele ser ou não o browser padrão do sistema (um caso clássico é a visualização de emails no Outlook Express). A instituição SECUNIA reporta até o momento nada menos que 144 alertas de segurança e 184 vulnerabilidades no IE6 .É, está mesmo na hora de matar o IE6.

Mas há outros meios mais elegantes de matar o IE6, um deles envolve decisões de desenvolvedores e administradores de site comuns e populares com atitudes simples, como por exemplo, colocar um aviso recomendando a migração para um browser atual sempre que o IE6 for identificado pelo script do site. O código de um desses avisos está disponível (com várias traduções) dentro da área de códigos livres do Google , fazendo que uma tela de aviso apareça sempre que o IE6 for identificado. Mas há outros, essa página lista vários exemplos interessantes , inclusive plugins para wordpress. O FORUMPCs em breve estará usando uma nova plataforma e vamos adotar os avisos nessa nova versão, enquanto isso, coloco aqui os links para download dos browsers alternativos mais populares. Vou recomendar o IE8 mesmo para aqueles que não pretendem usá-lo, pois ele altera significativamente componentes do Windows relacionados ao IE6 que estão vulneráveis.
Download do Internet Explorer 8 direto da Microsoft. Download do Google Chrome-versão standalone Download do Firefox Download do Safari Download do Opera
A receita para a instalação de cada um desses browsers é a mesma, escolha um qualquer. Baixe o instalador, instale, configure suas preferências e o defina como browser padrão. Pronto, é só isso. Certamente muitos vão dizer que o browser A é melhor que o B, e que o browser C faz algo que o D não faz, etc. Mas o que importa aqui é queé mais seguro, mais atual e mais confiável que o jurássico IE6. Pra quem gosta do IE6, e gosta de uma boa piada, assine a petição disponível no SaveIE6.com . Há coisas interessantes, como o pedido de alterar o padrão W3C para que se ajuste à capacidade do IE6, entre outras coisas…