Se os € 3 bilhões incluírem ONs e houver tag along, a ação da Vivo poderá saltar a R$ 26,45. Se for concretizada a oferta de compra de 50% do controle da Vivo feita pela Telefónica à Portugal Telecom (PT) por € 3 bilhões, conforme divulgou o jornal britânico Financial Times, e o negócio vier a ocorrer efetivamente, o reflexo poderá ser positivo ao acionista minoritário brasileiro, desde que esse montante esteja relacionado somente às ações ordinárias e o direito de tag along seja exercido.
Segundo análise da Brascan Corretora, os € 3 bilhões gerariam valor de ação de R$ 33,06, com tag along de R$ 26,45, o que leva à valorização significativa diante da cotação do papel na sexta-feira última, de R$ 15,70. Neste caso, o desembolso da operadora alcançaria R$ 1,8 bilhão, contabiliza o analista Felipe Cunha, da Brascan.
Ele ressalva, porém, que o direito ao tag along neste caso não é líquido e certo, pois depende de decisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) pelo fato de a negociação estar sendo proposta dentro do bloco de controle da Vivo, dividido meio a meio.
Por outro lado, se a proposta se refere ao capital integral que a PT detém na Vivo, incluindo ordinárias e preferenciais, a ação da tele cairia ao preço unitário de R$ 17,13 e o tag along a R$ 13,71, o que representaria perda em relação à cotação de sexta-feira. “Ninguém venderia”, disse Cunha.
Mesmo sem confirmação, a notícia gerou movimento positivo na Bolsa de Valores de São Paulo, levando a ação a uma das dez maiores altas de ontem. As ações ordinárias tiveram alta de 3,02% e as preferenciais aumentaram 2,74%, enquanto o índice Bovespa foi negativo em 0,99%.
Percepção do mercado
Enquanto as duas companhias negaram-se a comentar oficialmente a notícia do jornal britânico, um membro do board da PT afirmou a este jornal que a proposta não chegou a ser formalizada ao conselho da operadora. “Depois de ler o jornal, conversei com outros membros do conselho para verificar se teria havido qualquer proposta que não tivesse chegado ao meu conhecimento, e ouvi o comentário segundo o qual a proposta só existia no jornal, nunca fora concretizada à comissão executiva do conselho da PT”, afirmou.
Negócio factível
Fontes do setor e que pediram para não serem identificadas consideram “factível” e até “interessante” para a PT a proposta em questão. Há três critérios para se chegar ao valor de uma companhia, afirmou executivo habituado ao trabalho de avaliação de teles. “O primeiro é projetar o fluxo de caixa e descontar a valor presente”, afirmou. O segundo é aplicar o múltiplo de mercado – o da Vivo é 5,2 – no Ebitda da companhia em questão. Por fim, é possível se chegar a um montante atribuindo um valor unitário ao cliente e multiplicando pelo total da carteira.
Pelos três critérios, o valor mencionado pelo jornal britânico, e que não foi confirmado pela Telefónica nem pela PT, é um valor factível.
Em pauta há mais de um ano, a venda da participação da PT na Vivo à sua sócia Telefónica já se tornou uma verdadeira novela. Enquanto a companhia espanhola tem adotado uma estratégia mais agressiva, de comunicar ao mercado sua intenção de compra, por analistas e pela imprensa, a Portugal Telecom insiste em dizer que não pretende vender a Vivo nem muito menos deixar o Brasil.
Recentemente, durante sua estratégia de defesa de oferta hostil de compra pelo grupo Sonaecom, a PT assumiu compromissos severos junto a acionistas com relação ao pagamento de dividendos e à negociação de sua PT Multimedia. Para uma fonte ouvida sobre o assunto, seria conveniente à PT vender a parcela da Vivo, para fazer frente a tais despesas.
Por outro lado, na mesma ocasião da OPA, a PT utilizou o discurso de priorizar o investimento no Brasil, e isso precisaria ser sustentado nesse momento. “O fato de a notícia ter vazado sinaliza que a operação não vai ser tão simples”, concluiu Roger Oey, analista do Banif.
(Colaborou Cida Pacheco)