Série de reportagens investiga como os principais players estão lidando com o licenciamento de software frente aos processadores de múltiplos núcleos e a virtualização.
As economias em licenciamento foram um dos principais argumentos inicialmente utilizados em favor do streaming de aplicativos, a primeira tecnologia de virtualização de desktops destinada a empresas. Fabricantes, como a Softricity, prometeram que a centralização de aplicativos em um servidor, em vez de instalá-los em cada desktop, significaria menos licenças a serem exigidas, porque os aplicativos precisariam ser licenciados somente para o número de pessoas que realmente os utilizariam, em um determinado momento. Mas essas economias acabaram não sendo comprovadas, uma vez que a Softricity foi comprada pela Microsoft.
O streaming, contudo, tem o potencial de economizar em termos de licenciamento, mas somente porque proporciona maior visibilidade sobre quem está utilizando quais aplicativos, um recurso também descoberto na maioria dos softwares de gerenciamento de desktops. O problema com o compartilhamento de instâncias é que aplicativos como o Microsoft Office são vinculados a um determinado PC, e as licenças não são facilmente transferíveis. Muitos aplicativos populares também são licenciados por usuário, o que é bom para as pessoas que quiserem instalar uma única cópia em um desktop e em um laptop, mas não é tão bom para as companhias que esperam economizar dinheiro com a consolidação de usuários em torno de um único PC.
A virtualização de aplicativos torna possível utilizar mais de uma versão de um aplicativo de cada vez, mas os usuários do Microsoft Office precisam comprar licenças separadas para cada versão ou participar do programa Garantia de Software (Software Assurance), da Microsoft, pelo qual os clientes pagam uma taxa mensal pelas atualizações. A Microsoft nega que isto seja uma locação de software, preferindo chamar de “licença por tempo limitado”. O programa de Garantia de Software ajuda os clientes que querem mudar de capex para opex, mas isso também pode ser mais dispendioso, em longo prazo.
Todavia, a Microsoft está se dedicando intensamente ao programa Software Assurance, tendo a virtualização como um importante carro-chefe. Seu próprio produto, denominado Microsoft Application Virtualization (antes, SoftGrid), está disponível somente por meio do programa, assim como o Vista Enterprise, a única versão do Windows que pode legalmente ser executada em diversas máquinas virtuais, sem a necessidade de comprar cópias. A licença permite que os usuários executem até quatro instâncias separadas do Vista, ou em versões anteriores do Windows, em cada PC.
Em longo prazo, isso poderá ser um importantíssimo incentivo para atualizar para o Vista, especialmente à medida que a própria virtualização conseguir resolver muitos problemas de compatibilidade que afetam aplicativos herdados. Mas ainda existem as questões de compatibilidade com recursos mais recentes do Windows, em particular, a criptografia pelo BitLocker e os Rights Management Services. As licenças da Microsoft proíbem o uso de ambos em ambientes virtualizados, uma vez que os atuais hipervisores não são projetados para trabalhar com o modelo de segurança denominado Trusted Computing. Em 2003, a Microsoft falava sobre criar um hipervisor para desktops que seria compatível com o uso de recursos avançados, como parte de seu roteiro do Palladium, mas até agora nada foi feito.
Assim como acontece com os servidores, outras versões do Windows são licenciadas para serem executadas somente em uma máquina (física ou virtual) de cada vez. Companhias que utilizam o Windows mas não querem aderir ao programa Garantia de Software ou clientes da Apple que quiserem executar o Windows virtual deverão comprar licenças separadas para cada instância do Vista Business, Vista Ultimate ou Windows XP, uma alternativa muito cara, porque as licenças são para cópias completas, e não para atualizações ou versões do OEM (Original Equipment Manufacturer ou Fabricante Original do Equipamento). As versões Home (para usuários domésticos) do Vista, que são mais baratas, não podem ser executadas em MVs, legalmente, de modo algum.
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