A nova realidade de crédito ao varejo e sua relação com a
demanda vão definir como será o fechamento do ano no mercado de
telefonia móvel brasileiro. Até poucos dias atrás, havia a percepção de
executivos e analistas de que a marca dos 150 milhões de clientes seria
ultrapassada este ano, em função de agosto ter fechado com 138 milhões
e o último trimestre ser o mais aquecido.
A crise dos mercados
financeiros poderá, porém, rebaixar as expectativas. A opinião é do
presidente da Vivo, Roberto Lima, presente à inauguração da sede da
Telefónica em Madri. “Se os bancos recuarem, as vendas poderão ser mais
magras”, afirmou. Isto porque a escassez de crédito poderá afetar as
cadeias de varejo, que têm parcelado os aparelhos. Ao mesmo tempo,
lembrou Lima, o dólar mais caro pode afetar os preços dos telefones,
que têm forte componente importado. “Se isso acontecer, não será
possível às operadoras manter os subsídios.”
Sem parcelamentos tão atrativos e com aparelhos mais caros, as
vendas de Natal podem sofrer impacto. Lima considerou, no entanto, que
uma boa parcela da população está alheia aos acontecimentos do mundo
financeiro.
Uma boa parte dos aparelhos já foi comprada pelas operadoras para
este trimestre e será paga em reais, afastando em parte o impacto
negativo. “Agora tudo vai depender do que existe em estoque frente à
demanda”, afirmou. No que se refere aos equipamentos de rede, Lima foi
mais otimista. “Está tudo comprado, inclusive os de rede de terceira
geração”, comentou. Não haverá adiamento na implantação da rede porque
a competição é grande e ninguém quer perder cliente agora que a Oi
entra como quinta concorrente em São Paulo.