Nova disputa surge no cenário das telecomunicações: Vivo e Claro desejam a Amazônia Celular. Na retaguarda das operadoras brasileiras estão as gigantes multinacionais Telefônica e Telmex, arquiinimigas na disputa pelo usuário latino-americano de telefonia, banda larga e TV por assinatura. A Telefônica tem metade do controle da Vivo e a Telmex controla a América Móvil, dona da Claro.
Dias atrás, o presidente da Claro, João Cox, disse que o interesse pela Amazônia Celular não havia arrefecido com a compra de faixa de radiofreqüência na região Norte, durante leilão recém-realizado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e que os acionistas cuidariam de acertar preço e condições.
Em resposta a essa manifestação de interesse, o presidente da Vivo, Roberto Lima, garantiu que não há intenção dos acionistas Telefônica e Portugal Telecom em vender a Amazônia Celular. Embora seja conhecida a regra que impede a sobreposição de licenças na mesma região – e a Vivo já possuía operação na Amazônia – , Lima prefere o caminho da solução regulatória junto à Anatel.
E desmente Cox: “Não existe negociação nenhuma entre nós para vender a Amazônia”. Alegando interesse estratégico na operadora da Amazônia, o executivo justifica dizendo que é preciso escala para encontrar o ponto de equilíbrio entre o capital investido e o retorno financeiro em região extensa e de população pouco adensada como a Amazônia.
Por isso, sobrepor as carteiras de clientes desponta como a alternativa mais viável, mesmo que a faixa de freqüência tenha de ser devolvida. “Não quero adiantar nada, a Anatel é que vai definir o que pode ser feito”, afirmou.
Em seguida, Lima referiu-se ao fato de a Claro também estar diante da proibição de sobrepor duas licenças, uma vez que ela acaba de adquirir uma faixa na Amazônia no leilão de sobras.
A Vivo possui 1,75 milhão de clientes na região, enquanto a Amazônia Celular, que foi objeto de negociação recente, em conjunto com a Telemig, possui 1,3 milhão de usuários. Se a Claro ficar com a Amazônia, passará à frente da TIM e ocupará o 2 lugar em número de clientes. E é justamente isso que a Vivo quer impedir, não importa sob que custo, analisam especialistas do setor.