As duas maiores operadoras celulares, Vivo e Claro, informaram que estão com balanço positivo na portabilidade, isto é, fizeram o papel de receptoras mais vezes do que o de doadoras nesses cinco meses desde que a portabilidade chegou gradualmente ao País. Nenhuma das duas empresas precisou o balanço em números. Matematicamente se sabe que alguém tem de estar com balanço negativo. O mercado ainda inclui a TIM e a Oi, que também não detalharam os efeitos da portabilidade em suas bases até agora.
A chegada a São Paulo e a outros 298 municípios na segunda-feira (02/03), totalizando 362 cidades no universo de 5,5 mil do País, não deve mudar muito o cenário, acreditam o vice-presidente de marketing da Vivo, Hugo Janeba, e o diretor de marketing da Claro, Erik Fernandes.
Eles estão otimistas com as ofertas de retenção de clientes que as duas operadoras construíram para esse momento. Sem contar, é claro, com os investimentos elevados que vêm sendo feitos em rede, terceira geração, serviços, callcenters e tudo o mais.
Lei do divórcio
Janeba, da Vivo, diz que a portabilidade funciona mais ou menos como a Lei do Divórcio. “Quem estava muito infeliz com o casamento separou-se antes mesmo do divórcio ser possível. É melhor um final horroroso do que um horror sem fim”, falou. Portanto, a operadora líder em número de clientes não teme a chegada da portabilidade em São Paulo.
A primeira a apoiar
Na Claro, a cultura é de apoio à possibilidade de escolha por parte do cliente desde o primeiro momento da proposição. “Enquanto todas as operadoras pediam o adiamento da medida, defendemos sua adoção imediata”, afirmou Erik Fernandes, do marketing da Claro.
Essa postura de defesa do interesse do consumidor foi muito bem recebida no público, que demonstrou isso aderindo em massa à carteira, acredita o executivo. Fernandes citou os 8,5 milhões de novos clientes adquiridos no ano passado, um recorde mundial para o período de 12 meses.
E para manter o cliente na base, a Claro criou o “Claro Teste”, promoção que permite ao cliente que trouxer um aparelho ganhar um chip e usar pelo tempo que quiser e sair na hora em que quiser. O cliente pré-pago tem de comprar o chip por R$ 15, mas recebe um bônus no mesmo valor para usar em chamadas.
O subsídio nos aparelhos para os clientes que tentarem sair também será fartamente utilizado no segmento pós-pago, tanto na Claro quanto na Vivo. Afinal, é mais barato manter o cliente do que conquistá-lo depois que deixou a empresa, dizem os executivos.
Fernandes, da Claro, lembra que o direito à portabilidade não tem limites. O cliente entra e sai quantas vezes quiser, sempre com o mesmo custo, de R$ 4. Se houver contrato com alguma operadora, em função do subsídio do aparelho, a portabilidade não exime de pagamento de multa. Mas nada impede a portabilidade de ocorrer. “A empresa vai cobrar a multa pelas vias normais”, afirmou Luiz Vale Moura, da Anatel.