Simon Cockayne trabalhava há 17 anos na CA Technologies, sendo mais recentemente o Senior Principal Product Owner da fabricante, quando decidiu criar uma empresa para conectar pessoas com base em seus conhecimentos. Ele, contudo, deixou a ideia na prateleira, por achar praticamente impossível viabilizar o negócio dentro de uma estrutura de uma gigante como a CA.
Foi quando, coincidentemente, meses depois surgiu o CA Accelerator, que funciona como uma aceleradora nos moldes startup lean, na qual os inovadores internos recebem apoio e financiamento para lançar produtos no mercado. Aquele parecia o momento perfeito para ele submeter a WhoZoo, divertida junção de “who is who”, ou “quem é quem” em tradução livre.
Ele apresentou para o time de investidores do CA Accelerator a proposta em uma simples folha de papel e teve apenas dez minutos para contar porque sua empresa deveria participar do programa. No mesmo dia, ele recebeu uma ligação com a resposta positiva. “Eu achei todo o processo bastante disruptivo”, lembra ele.
A ideia da startup aparentemente resolve um problema simples, mas em grandes empresas é extremamente complexo: encontrar pessoas com base em seus conhecimentos, seja para resolver um problema ou para fazer uma apresentação em um cliente, por exemplo.
“O cargo ou a sua descrição são úteis, mas não são atualizados com frequência. Outras vezes, um cargo não diz todas as atividades que uma pessoa exerce. O WhoZoo ajuda a encontrar as pessoas certas na hora certa”, comenta. Além de encontrar pessoas por competências, a WhoZoo localiza os gostos dos profissionais.
Geralmente, lembra, profissionais buscam ajuda de colegas na empresa mandando e-mails para uma dezena de pessoas até encontrar quem pode contribuir. “Isso é ineficiente. Além disso, muitas vezes, a pessoa está de férias e atrasa o processo”, observa ele.
Assim, a WhoZoo conta com recursos de inteligência artificial e machine learning para autoaprender os pontos fortes e as responsabilidades e os verdadeiros relacionamentos colaborativos das pessoas em sua organização, revelando e conectando pessoas. A análise é toda baseada na troca de e-mails, algo que Cockayne garante ser feito com privacidade. “Nem mesmo nosso cientista de dados tem acesso a eles”, assegura.
Cockayne tinha uma ideia, mas não um produto. O que não era problema, pois a partir daquele momento ele teria todo o suporte necessário para começar sua empresa. Ele, então, começou a contratar os primeiros funcionários – e, hoje, já são nove – para fazer a roda girar.
“Tive três meses para validar a ideia, fazendo basicamente pesquisas. Não queria vender nada naquele momento. Perguntávamos se as pessoas se viam diante daquele desafio e eu validei o problema. Apresentei os dados ao time de investidores-anjo para então desenhar a solução”, detalha ele.
Em abril, a startup obteve investimento Série A, passando para sua fase operacional. O objetivo da Série A é validar o modelo de negócios e expandi-lo geograficamente. Nessa rodada a WhoZoo chegou ao seu Produto Viável Mínimo (MVP, na sigla em inglês), produto que tem os recursos mínimos suficientes para validar a proposta de valor e seu modelo de receita. “Queremos nessa fase mostrar ao board que podemos crescer”, conta.
Atualmente, um grupo de mais de cem funcionários usa a tecnologia da WhoZoo. Para 2018, a startup buscará um investimento de Série B, voltado para expansão de mercado, o que deverá ajudá-la a conquistar novos clientes.
Cockayne nunca tinha tido um time. Não havia gerenciado outras pessoas e esse foi claramente seu primeiro desafio. “Estava animado, mas ao mesmo tempo com medo. Mas eu comecei a tomar riscos e nada de ruim aconteceu e comecei a tomar mais riscos”, diz rindo.
Segundo ele, o fato de ter por trás a CA e todo o seu time o fez ganhar mais segurança e assim, aos poucos, os receios se dissiparam. “Na CA, eu posso ser quem eu sou. É um lugar bastante inclusivo e as pessoas são encorajadas a tomar riscos e o CA Accelerate nos ajuda nesse sentido.”
Outro desafio enfrentado esteve mais relacionado à privacidade dos dados. “Consumimos tempo e energia tentando descobrindo formas de sermos abertos e transparentes na forma como preservamos a privacidade”, revela ele.
Uma das lições aprendidas por Cockayne durante todo o processo foi que não há problema em não ser o único fornecedor no mercado. O que importa é fazer melhor. “A primeira vez que me deparei com outra empresa do mesmo segmento no mercado, fiquei triste. Um amigo, então, me disse: “Não tem problema isso acontece”’. Ele me ajudou a entender que não é porque existe outra empresa, que ela está à frente. O Google não foi a primeira ferramenta de busca do mundo, mas hoje é a primeira. Tudo bem se outra pessoa tentar resolver o problema e você ainda assim ser bem-sucedido”, finaliza.
*A jornalista viajou a Las Vegas (EUA) a convite da CA Technologies