É como o CTO Thiago Maffra define a empresa, que avança ainda mais depois da jornada do digital e a faz mais competitiva
Thiago Maffra, CTO da XP Investimentos, não possui formação em tecnologia, mas a tem como forte aliada para viabilizar e fortalecer as estratégias de negócios que alçam a empresa a um patamar capaz de incomodar a concorrência. Basta visão e sensibilidade, diz ele.
“Minha trajetória é diferente, não tenho formação em tech. Eu me formei em administração em 2006 e ingressei no mercado financeiro em 2015 em trade. Fiquei por oito anos no mundo de buy side, que se refere às instituições financeiras e agentes que atuam comprando e investindo em títulos, ativos e demais aplicações financeiras. Nesse universo, há muita automatização e vivia em meio a programadores e assim comecei a desenvolver esse alinhamento com a tecnologia”, revela.
Em janeiro de 2015, Maffra ingressou na XP Investimentos como analista, mas tinha em mente se aproximar mais do business da companhia. Tanto que criou algumas áreas como produtos, criptomoedas e outras linhas de negócios. Dois anos depois, quando a XP decidiu desenhar sua estratégia de transformação digital, foi convidado a liderar esse desafio.
Esse projeto, o Transformação digital, ágil e cultural da XP, concedeu a Maffra o Prêmio de Executivo de TI do Ano 2020, da IT Mídia, na categoria Serviços Financeiros. Foi uma verdadeira revolução na empresa.
O time, que em 2018 contava com aproximadamente cem pessoas, cresceu e chegou a 500 colaboradores que trabalham de forma multidisciplinar, orientados à entrega de valor por meio de práticas ágeis, baseadas principalmente nas metodologias Lean e Scrum. No final de 2019, a área já estava organizada em 52 squads e oito tribos.
Em menos de dois anos, a companhia colocou em prática uma transformação digital, estrutural e cultural, protagonizada pela frente de Tecnologia da XP. O processo foi apoiado em quatro frentes: Tecnologia, Negócio, Experiência e Dados.
“O modelo de squads foi adotado para incentivar e acelerar a inovação, com times multidisciplinares. A tecnologia fez forte aliança com os negócios, foi uma mudança de mentalidade, mas sem choque, porque o DNA da XP é de evolução, inovação e ousadia. Agora, temos tudo em uma mesma vertical: tecnologia, produto e design”, conta o executivo.
Toda essa movimentação, prossegue o executivo, tem o objetivo de transformar o mercado financeiro para melhorar a vida das pessoas, desconstruindo modelos ultrapassados. “Mas para isso é preciso mudar a cultura de investimentos, oferecendo de maneira inovadora a maior e a melhor diversidade de produtos e serviços com transparência, simplicidade e agilidade.”
A empresa passou por uma revolução digital, tornando-se referência também no mercado de tecnologia e conseguindo, por consequência, listar as suas ações na Nasdaq nos EUA, bolsa globalmente reconhecida como hub de empresas exponenciais.
O projeto deu início a uma cultura digital, promovendo o trabalho colaborativo e o modelo Ágil. “Conseguimos implementar essa cultura e evoluímos rapidamente porque foi muito natural para todos nós, sem impactos. A empresa acelerou, somos uma locomotiva que ninguém consegue parar, ela caminha sozinha”, afirma.
O projeto de transformação digital incluiu a criação de uma área de dados, com equipe focada em data Science e inteligência artificial (AI, na sigla em inglês). Esse grupo conta com modelos de AI que impactam a empresa de diversas maneiras, desde recomendações de produtos e assessoria, modelos para melhor entendimento do cliente a otimização de investimentos.
Um dos destaques foi o desenvolvimento do aplicativo HUB, primeiro voltado para assessores de investimentos da América Latina. Registra 28% aplicações via assessores, 660% mais sessões, 17% de aumento no volume de simulações feitas. Ele oferece um CRM completo na mão do assessor.
Durante o processo de transformação, muitas coisas mudam, segundo Maffra, inclusive a forma de liderar as pessoas. Ele afirma que para o ágil fluir, é necessário preparar os líderes para dar autonomia aos times e garantir a velocidade das entregas.
“Foi importante descentralizar as tomadas de decisão e atuar mais como um facilitador das equipes, dando um direcionamento muito claro das metas, desenvolvendo novos skills de liderança, inspirando o comprometimento com o nosso ‘Sonho Grande’, reconhecendo boas práticas e me mantendo próximo e aberto”, finaliza o Executivo de TI do Ano em Serviços Financeiros.
1º Thiago Maffra, XP Investimentos
2º Jorge Cordenonsi, GRSA Compass Brasil
3º Adriano Tchen, Alelo