Com o crescente interesse das empresas em desenvolver aplicativos móveis, cada vez mais desenvolvedores são disputados por suas habilidades técnicas e por oferecerem novo padrão de design. Mesmo companhias que não são ligadas à tecnologia estão aventurando-se no desenvolvimento de aplicativos, pela primeira vez, para criar modelos de negócios e direcionar novos resultados.
Entretanto, essa mudança de abordagem coloca dois desafios para as empresas.
As companhias constroem aplicativos de forma improvisada, sem conhecimentos básicos sobre a utilização da arquitetura móvel adequada. Conforme bancos, revendas, planos de saúde e organizações de diversos setores veem a mobilidade como o primeiro caminho para um engajamento direto com os clientes, companhias precisam investir tanto nas pessoas quanto nas tecnologias para gerenciar suas estratégias envolvendo mobilidade.
Como segundo desafio, conforme as novas tecnologias simplificam o processo de desenvolvimento, desenvolvedores mais novos estão surgindo para o mercado. Atualmente, os desenvolvedores possuem em média menos de dois anos de experiência na função. Como consequência, muitos profissionais não possuem as habilidades ou o conhecimento institucional para desenvolver um aplicativo seguro e escalável, que gerará resultados para a empresa. Isso pode criar grandes riscos para a organização, que os gestores frequentemente não reconhecem.
Conforme as companhias continuam avançando em sua estratégia móvel, existem quatro conceitos primordiais que devem ser levados em consideração
1. Seja orientado pelos resultados e foque em aplicativos transformativos.
Companhias que criam aplicativos transformativos podem construir novos canais de receita, melhorar serviços, atrair mais atenção para a marca e até mesmo trazer melhorias para indústrias. A funcionalidade e a confiabilidade de aplicativos móveis refletem fortemente na imagem da companhia, e organizações que desperdiçam a confiança do usuário com aplicativos com péssima performance sacrificam qualquer vantagem que eles pudessem obter a partir da mobilidade.
Trabalhei em diversas companhias em suas iniciativas envolvendo mobilidade. Certa vez, prestei consultoria para um revendedor global que possuía um aplicativo com opção de compra que custou mais de US$ 1 milhão e demorou quase um ano para ser construído. O aplicativo parecia fantástico. Mas, ao testar o aplicativo por alguns minutos, foi identificado um problema de funcionalidade gigante: conseguia navegar pela loja, observar itens e adicioná-los ao “carrinho”, mas não conseguia visualizar o que estava contido nele. Então, uma série de difíceis conversas com o gerente de marketing (CMO, na sigla em inglês) ocorreram para identificar a causa do problema.
A ideia era permitir que usuários criassem uma “lista de compras”, que poderia ser adicionada posteriormente ao carrinho em sua totalidade ou conforme a seleção de produtos, permitindo a criação de uma pré-lista. Durante a criação do processo, a lista foi removida do projeto para ser adicionada posteriormente, algo que não ocorreu. Após revisão criteriosa, o aplicativo foi liberado e atualmente gera cerca de 30% da receita da companhia.
O ponto principal é: não gaste sua verba de desenvolvimento em funções que não agreguem valor ou melhorem a experiência do usuário. Equipes fortes de mobilidade estão direcionando mudanças em aplicativos corporativos que mudarão fundamentalmente a maneira que as pessoas trabalham.
2. Não negligencie o desenvolvimento de um aplicativo de qualidade
Atualmente, muitos projetos são tocados por equipes pequenas e ágeis, permitindo a entrega rápida de novas funcionalidades. Mas os aspectos técnicos do desenvolvimento de aplicações, como a forma que o app é escalado e as camadas de segurança inseridas nele, são frequentemente negligenciados. A velocidade no desenrolar do projeto não pode resultar em perda de qualidade.
Empresas que focam na mobilidade como um diferencial estratégico começam pensando que precisarão de uma arquitetura forte para suportar as novas necessidades que surgirão junto com a mobilidade. Diferente do apps desenvolvidos anteriormente, aplicativos móveis corporativos requerem gerenciamento de dados sofisticado, integração com os sistemas corporativos, segurança e serviços como notificações e geolocalização.
A boa notícia é que as empresas não precisam criar uma nova arquitetura móvel do zero. Um número significativo de plataformas de desenvolvimento, sejam on-premise ou cloud, estão disponíveis para os desenvolvedores.
A chave é aprender com aqueles que já fizeram antes de você. Adote uma visão estratégica com mobilidade, contrate estrategistas e desenvolvedores com habilidades específicas voltadas para mobilidade, focando em mudar os processos que inibem a agilidade que a mobilidade exige e implementando a arquitetura que permitirá utilizar tanto novos aplicativos quanto processos.
3. Varie o nível de habilidade dos integrantes do seu time de desenvolvimento
Muitas companhias não têm experiência para entregar mobilidade em nenhuma escala, e muitas aprendem da maneira mais difícil, que é falhando em uma série de projetos antes de perceber que precisam de uma estratégia focada. Encontrar desenvolvedores está cada vez mais fácil, mas encontrar aqueles que implementaram aplicativos integrados com a empresa é cada vez mais difícil.
As duas contratações consideradas essenciais para formar uma equipe de mobilidade qualificada são um estrategista em mobilidade e um engenheiro de software. O estrategista precisa ser capaz de manter alinhadas as equipes de gestão e tecnologia, determinar o valor dos projetos, fazer mudanças durante o processo, criar equipes ou encontrar parceiros corretos e garantir que projetos serão entregues dentro de um padrão de excelência. Já um engenheiro de software capacitado pode ser o diferencial entre um aplicativo que será construído uma única vez e depois só será atualizado ou então um aplicativo que precisará ser reconstruído de forma significativa cada vez que uma atualização for necessária.
Além disso, engenheiros reduzem o custo da implementação da mobilidade ao projetar aplicativos escaláveis. Ainda mais importante, esses profissionais podem reduzir, de forma significativa, a quantidade de brechas de segurança, falhas de performance e funcionalidade fraca, que são as principais razões pelas quais as pessoas param de usar aplicativos.
4. Continue aprendendo novas habilidades
A geração de desenvolvedores “nascidos em um smartphone” precisam manter-se atentos ao sempre mutável mercado de tecnologia. A melhor abordagem para manter-se atualizado neste cenário é focar no contínuo aprimoramento das habilidades da sua equipe de desenvolvimento. Como exemplo, é essencial ter habilidades que possam transcender um ecossistema único. Focar em qualquer sistema operacional móvel ou plataforma pode deslocar você para uma categoria indesejada de habilidade.
Uma das melhores formas de manter-se sempre atualizado é engajar-se em grupos móveis e encontros. A maioria dos grupos focados em mobilidade fornece uma ampla visão sobre as mudanças tecnológicas, sobre as novidades que as startups apresentam e como os outros estão lidando com essas mudanças. Esse conceito pode ser inestimável para evitar falhas que outras pessoas já cometeram.
Conforme você pensa em como expandir sua equipe de desenvolvimento móvel, é sábio pensar em parcerias de desenvolvimento com universidades locais. Muitas companhias obtiveram grandes benefícios apenas ao patrocinar projetos de aplicativos simples e treinar desenvolvedores por meio de estágios, que criam um filtro para recrutar talentos.
A nova geração de desenvolvedores com ideias criativas, combinada com experientes engenheiros de software, pode formar uma forte engrenagem de mobilidade para as companhias. Gestores não podem simplesmente concordar com a filosofia de “construa ele e então irá acontecer”. É essencial que eles montem a equipe, a estratégia e a arquitetura que irá criar o alicerce para o sucesso com a mobilidade.