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Saúde do RS utiliza IA para agilizar transplante de órgãos

Desenvolvido em parceria com a Paipe, o Gedott já reduziu em 50% o tempo de comunicação entre as etapas para a cirurgia de transplante de órgãos

Publicado:
20/01/2026 às 12:16
Bella Winckler Matrone
Bella Winckler Matrone
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6 minutos
A imagem mostra duas pessoas lado a lado em um evento institucional com uma estética acolhedora e humanizada. Elementos principais da cena Vestuário: Uma pessoa veste um blazer claro com uma camiseta ilustrada com um coração composto por elementos florais e naturais, criando uma conexão visual com o tema da campanha. A outra veste um blazer escuro com camisa social clara, trazendo um tom mais formal ao conjunto. Ambiente: Ao fundo, há grandes banners verticais com a frase: “GESTOS DE AMOR DURAM PRA SEMPRE”. Os banners também exibem ilustrações vibrantes com flores, borboletas e elementos orgânicos, reforçando a mensagem de cuidado, vida e afeto. Clima da imagem: A cena transmite união, colaboração e participação em uma iniciativa com foco em solidariedade, conscientização ou responsabilidade social. O visual geral é caloroso e marcante, com cores vívidas e elementos gráficos simbólicos. (transplante, órgãos, Paipe)
Rogério Correa, chief commercial officer da Paipe e Rógerio Caruso, chefe da Divisão de Transplantes do RS (Imagem: divulgação)

Ao falar de saúde, precisão e agilidade se tornam palavras-chave. A cada minuto salvo em processos, uma vida pode ser poupada e, quando se fala em transplante, essa economia pode significar a garantia de que o órgão doado chegue ao próximo paciente. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul, de todos os órgãos doados dentro do estado, apenas 27% são aproveitados. Entre os motivos para o descarte da doação, a logística e o tempo são fatores de destaque.

Pensando nisso, desde 2024, em parceria com a Paipe, a Divisão de Transplantes do Estado, desenvolveu um sistema de gerenciamento de doações, o Gerenciamento de Doação e Transplantes de Tecidos e Órgãos (Gedott). Idealizado pelo chefe do setor, Rogério Caruso, o projeto utiliza inteligência artificial (IA) para organizar em tempo real informações de morte encefálica e potenciais doadores, substituindo o fluxo manual atual.

Conhecido como o “cara da tecnologia” dentro da Divisão de Transplantes, Caruso teve a ideia inicial para o programa em 2017. Já no setor há quatro anos, o médico se sentia incomodado com a forma como eram feitos os trâmites, dada a complexidade do processo. “Eu dizia ao pessoal, os hospitais tem prontuário eletrônico, as clínicas tem prontuário eletrônico. Não fazia sentido a gente fazer na mão. Até porque, o Sistema Nacional de Transplantes, para onde a gente reporta, já era informatizado”, conta.

O dia a dia de controle do departamento incluía o controle das políticas de saúde em transplante, o acompanhamento da vida do paciente na fila de espera – com possíveis alterações de quadro – e a regulamentação das equipes transplantadoras e dos estabelecimentos. Tudo isso feito com papel, caneta, fax e telefone.

Buscando uma mudança, Caruso decidiu então criar um manual eletrônico de regulação de transplantes. Em seguida, o médico desenhou todo o fluxograma dos processos realizados e apresentou para a Secretaria de Saúde, buscando verba para desenvolver a digitalização.

No entanto, apesar de reconhecido em sua necessidade, o projeto foi para a gaveta do Estado, só sendo resgatado com a entrada de uma nova gestão no começo de 2020. “Eu tinha até esquecido, mas quando a diretoria nova chegou e quis modernizar, o pessoal lembrou de mim”, conta.

O sistema sofreu ainda mais um atraso antes de começar a ser desenvolvido: a pandemia. Assim, no final de 2021, a Secretaria abriu uma licitação para dar início ao Gedott e em novembro de 2023, a Paipe assumiu o processo de desenvolvimento do software com Rogério Caruso à frente do programa.

Durante nove meses, as equipes trabalharam juntas para criar o software. Dividido em três fases, o projeto começou pela identificação do potencial doador. Hoje, assim que uma possível doação é cadastrada, o programa dispara os pedidos de exame necessários para detectar a compatibilidade do órgão. O Gedott também indica ao médico que acompanha o caso sob quais parâmetros aquele recurso chega e o que é preciso para que seja compatível com o paciente.

Leia mais: Conheça as empresas listadas no prêmio As 100+ Inovadoras no Uso de TI 2025

Rogério Correa, chief commercial officer (CCO) da Paipe, conta que a parte mais desafiadora do desenvolvimento foi compreender os fluxos de trabalho. “Existe um processo até o transplante que muitas vezes nós nem imaginamos. Envolve toda uma logística, desde o momento da morte encefálica até entender qual equipe vai receber o órgão, olhar se o doador tem permissão, conversar com a família. E é muito diferente de você criar um produto para uma empresa”, reforça.

Para compreender profundamente o universo do transplante, segundo Caruso, o time da Paipe fazia reuniões quase diárias com a secretaria. Além disso, Correa conta que durante o desenvolvimento, existia uma preocupação extra com a segurança da solução. “Nós sabíamos que se tratava de vidas humanas e qualquer falha do sistema, uma informação errada, colocaria muita coisa a perder.”

A estratégia utilizada para salvaguardar ao máximo o Gedott foi a escolha de tecnologia mais estáveis e a criação de permissões específicas dentro da plataforma. O software também foi criado e hospedado em nuvem AWS, para facilitar também as integrações com a IA em seu desenvolvimento. Emocionado, o executivo conta que, diante do impacto da tecnologia, o engajamento da equipe cresceu ainda mais.

“Como empresa de tecnologia, lógico a gente olha qualidade, prazo e custos, mas esse projeto é muito mais, né? Ele é muito apaixonante, tratamos como algo muito caro, e todo mundo ficou emocionado quando entregamos a primeira fase.”

A entrega ocorreu em setembro de 2024, com o treinamento de uma parte da equipe que pudesse replicar os ensinamentos depois. “Nós vamos conduzindo o passo a passo do processo, já dentro da central. Hoje ele serve de prontuário eletrônico, conseguimos anexar documentos, fotos, gravar ligações. Toda ligação feita dentro daquele processo de notificação, fica atrelada ao prontuário”, conta Caruso.

Atualmente, a solução funciona na região metropolitana de Porto Alegre e será expandida em breve para o interior e litoral. Até o momento, a Secretaria não possui dados sobre os resultados do uso do aplicativo, no entanto, Caruso afirma que o tempo de comunicação entre as etapas para o transplante diminuiu em 50% desde a implantação. Junto com a Paipe e o Grupo Hospitalar Conceição, o órgão também tem desenvolvido uma API que integra o sistema dos hospitais à plataforma, para quebrar ainda mais uma barreira.

Para as próximas etapas do transplante

Apesar dos avanços, segundo Caruso, ainda há muito o que se fazer. Após a primeira fase, focada na identificação do doador, a ideia do médico é integrar o programa ao Sistema Nacional de Transplantes, permitindo que a lista seja exportada e lida automaticamente pelo algoritmo do Gedott. Desta forma, a tecnologia poderia dar início aos processos de forma ainda mais ágil e sem interferência humana, evitando erros.

Por fim, a terceira e última etapa é envolver o usuário final, o paciente, criando um aplicativo onde o beneficiado possa receber notificações ao longo do caminho e garantindo um acompanhamento pós transplante. “Queremos ter um lugar onde ele possa acompanhar onde está na lista, ter um aviso das consultas dele, os exames, lembrete dos remédios, enfim, ainda existem muitas possibilidades”, conclui.

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Bella Winckler Matrone
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Bella Winckler Matrone é repórter do IT Forum. Formada em jornalismo pela PUC-Campinas, desde 2018 se dedica a pautas ligadas à temas ESG, com forte ênfase ambiental. Possui passagens pela TV Record e assessorias de imprensa de instituições como a CUFA (Central Única das Favelas) e a Garena, com o jogo Free Fire. Atua no IT Forum, cobrindo tecnologia e inovação, desde 2024.

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