No total, empresa demitirá cerca de um terço da sua força de trabalho. Manobra contábil revelada em 2015 maquiou resultados da empresa durante 7 anos
A Toshiba revelou nesta segunda-feira, 21/12, que vai demitir quase 7 mil pessoas da sua força de trabalho global. O total de demissões, em torno de 6.800, corresponde a um terço do total de funcionários da empresa japonesa.
Em julho, a descoberta de um escândalo contábil envolvendo “pedaladas contábeis” que maquiaram os resultados financeiros da empresa nos últimos sete anos com valores acima de 1,3 bilhão de dólares resultou na demissão de diversos executivos, incluindo o seu então presidente, Hisao Tanaka.
As demissões anunciadas nesta semana fazem parte do plano de renovação da Toshiba, que passará a ser uma empresa focada em processadores e energia nuclear.
A demissão desses 6.800 funcionários será realizada até março de 2016, quando encerra o ano fiscal da Toshiba, que deverá ter resultado negativo recorde com prejuízo de 4,53 bilhões de dólares, segundo previsão da própria companhia.
Entenda a crise da Toshiba
Em julho de 2015, vários executivos da Toshiba foram demitidos depois que uma auditoria revelou uma fraude contábil na organização. A empresa teria se utilizado de “pedaladas contábeis” visando engordar seus resultados anuais, aumentando seus lucros em mais de US$ 1,3 bilhão nos últimos sete anos.
Líderes na empresa, que produz desde aspiradores de pó até equipamentos para usinas nucleares, eram parte de um esforço “sistemático” para maquiar ganhos, de acordo com o relatório da comissão independente encomendada pela empresa. A soma inclui cerca de ¥ 4,4 bilhões de lucro reportados incorretamente, descobertos pela investigação.
A Toshiba demitou de seu então presidente, Hisao Tanaka, que pediu desculpas pelo ocorrido. “Houve o dano mais grave à nossa imagem e marca ao longo de 140 anos de história”, reconheceu o executivo, que foi substituído por Masashi Muromachi.
O escândalo representa a maior fraude contábil a balançar uma organização japonesa dos últimos anos e veio à tona menos de dois meses depois de o país introduzir novas regras de governança corporativa para atrair mais investimento estrangeiro.