Empresa projeta avanço de 35% na receita no Brasil, operação que tem sido destaque para a companhia a nível global
Os últimos anos têm sido de grandes revoluções para a Microsoft. Em busca da manutenção de seu forte legado e da força da marca no mundo da tecnologia, a companhia se transformou para fortalecer suas ofertas e serviços, apostando fortemente em cloud. Alguns exemplos são a criação das plataformas Office 365 e Dynamics 365, bem como a forte estruturação do Azure.
A empresa de Redmond mantém em sua estratégia a aposta na venda por meio de canais, com relevante participação de parceiros. A consequência não poderia ser outra: parceiros também estão se movendo para acompanhar as mudanças rumo à transformação digital do mercado.
Com a Avanade, joint venture entre Microsoft e Accenture, não tem sido diferente. A companhia, braço da Accenture para integração de serviços Microsoft, vive um “momento único”, como define o CEO global Adam Warby (foto).
O executivo, que está na empresa desde a fundação em 2000, lembra o foco inicial da companhia: ajudar a Microsoft a se tornar relevante no mercado corporativo.
“Nos últimos anos temos novos desafios de ajudar a Microsoft a liderar a transformação digital. Mas começamos (o desafio) com 13 mil profissionais globalmente e faturamento de US$ 2 bilhões. Temos muita força para ajudar”, comentou, em entrevista à Computerworld Brasil.
O processo de modernização da Avanade teve um importante capítulo em 2016, quando a companhia criou a nova visão estratégica, a chamado “Imagine 2020”, visão de cinco anos. O principal foco é ser líder em digital, bem como enfatizar inovações. Um dos pilares de inovação no Brasil, por exemplo, é a Garagem, laboratório de inovação instalado na sede da Accenture em São Paulo (SP), espaço onde a companhia dedica esforços para desenvolver novas soluções.
Crescimento digital
Atualmente, a Avanade foca em quatro principais áreas: modern workplace, dados e inteligência artificial, aplicações de negócios, e infraestrutura – esta última representando a maior fatia (cerca de 50%) dos negócios da companhia.
A menor fração é a de dados e AI, com cerca de 5%, mas a que tem registrado o crescimento mais acelerado, segundo o executivo.
Warby destaca também que cerca de 60% dos projetos já são em cloud, no ambiente digital, deixando para trás o modelo tradicional. Desde 2016 a empresa vem registrando crescimento médio de 15% globalmente.
“Temos a oportunidade única de conectar experiência do cliente com experiência dos próprios funcionários. Estamos nos transformando e transformando os clientes, criando experiências únicas.”
Ecossistema
O foco exclusivo em ofertas Microsoft se mantém como prioridade da Avanade. “Chegamos a pensar em fazer outras coisas além de Microsoft, mas o enorme ecossistema da Microsoft, com diferentes parceiros, é muito vantajoso. Não sentimos que precisamos trabalhar com outra empresa, porque o ecossistema da Microsoft é completo e está crescendo em ritmo acelerado.”
Um dos objetivos é expandir a parceria com o chamado ecossistema Microsoft, que envolve companhias parcerias da fabricante. Alguns exemplos têm sido Adobe e a BluePrism.
“Na área de desenvolvimento de software, Docker é outro exemplo que estamos trabalhando em conjunto para conteinerização no Azure. A lista de parceiros do ecossistema está crescendo”, contou.
Brasil
A operação brasileira tem deixado Warby satisfeito. No país, onde o foco atualmente é atender de 20 a 30 clientes de grande porte, a empresa teve uma expansão de 23% em 2017 e a expectativa de crescimento é de 35% em 2018.
O Brasil faz parte da categoria “growth market” para a Avanade. “(Feliz) não só pelo crescimento, mas pelo impacto que os negócios tem dado aos nossos clientes. Eu amo a inovação que temos no Brasil.”
A companhia atualmente conta com 800 funcionários no Brasil e está trilhando o caminho rumo a mil pessoas, o que tornaria a operação a maior fora dos EUA.
Mesmo com o crescimento, a ideia é manter operação compartilhada com a Accenture em São Paulo. Isso porque a companhia conta com cerca de 200 pessoas baseadas em Recife, no Porto Digital, e outra grande parcela (300 funcionários) alocada em clientes – que é onde a empresa quer estar cada vez mais.
“Espaço físico é importante, mas estamos felizes com o compartilhamento com a Accenture. Eu mesmo não tenho escritório. Moro no Reino Unido e empresto escritório quando estou em Seattle, aqui ou em outro país. O escritório de hoje é o PC e smartphone”, completou o executivo, que esteve no Brasil na última semana.