O Banco do Brasil está trabalhando num projeto ao estilo loja de aplicativos, batizado de BB Store, para disponibilizar a clientes aplicações desenvolvidas por terceiros via APIs. Segundo Geraldo Dezena, vice-presidente de tecnologia no Banco do Brasil, a instituição financeira pode contribuir para serviços que aprimorem o desenvolvimento de cada segmento de negócio.
“Só em agronegócio temos aproximadamente 70% do mercado, temos informações riquíssimas que podem ser usadas para fornecedores oferecerem soluções. Imaginem o tanto de dados que podemos disponibilizar em apps, construídas com nossas APIs, que nossos clientes podem usar”, expôs o executivo durante painel no CIAB 2014. “Estamos construindo um projeto que vai nessa linha”, completou.
O executivo reconhece grandes avanços do segmento financeiro nos últimos anos, com destaque para biometria e reconhecimento de imagem para otimizar as operações. Ainda assim, há muito a ser desenvolvido, basta olhar a quantidade de papéis ainda utilizados nas agências e na operação interna. “Temos um grande dever de casa para fazer, temos que analisar processos sob a óptica digital. Ainda estamos olhando tudo isso de maneira analógica”, pondera.
Para ele, as instituições financeiras necessitam reavaliar processos, reescrevê-los para um novo mundo digital e construir plataformas a fim de atender essa nova necessidade.
Adaptação
Para se adaptar às mudanças do mundo digital, Dezena vê um claro movimento inicial na infraestrutura, com bancos investindo em data centers na fase inicial e, agora, é olha de olhar para sistemas legados. “O grande desafio daqui para frente é olhar para nossos sistemas. Você tem um legado de 30 anos, que abordagem vamos ter para isso? Construir tudo de novo e deixar todo um bom sistema, que deu conta e dá até hoje de nossa operação, para trás?”, questiona.
A abordagem do Banco do Brasil, até para destravar esse legado construído em silos, é utilizar tudo já construído como um ativo, oferecendo como serviço. “Tirar dali processos de negócio que podem ser reutilizados e expor como serviço nas plataformas digitais”, conta. O primeiro elemento a entrar nessa estratégia é uma plataforma de crédito.
E quem pensa que bancos negam a qualquer custo uso de novas tecnologias, como nuvem, está enganado – até mesmo nuvem pública. Dezena revela que estudos estão em fase avançada para levar áreas fora do “core” bancário, como bibliotecas e treinamentos, para nuvem pública, grande parte para redução substancial do custo.
“Banco é uma empresa de TI que atua na área financeira”, conclui Dezena.
Números do Banco do Brasil
30% do investimento em TI ano a ano está em data center para suportar o BB nos próximos anos
Infraestrutura de TI já pronta é capaz de suportar crescimento dos próximos 15 anos
10% do investimento em TI é feito em segurança