Blockchain e bitcoin são algumas das palavras da moda. Apesar de faladas em demasia, pouquíssimas pessoas sabem como funcionam. João Paulo Oliveira também não sabia tão bem quando aceitou sua bolsa de estudos na Singularity University, organização localizada dentro do Parque de Pesquisas da Nasa, nos EUA, que oferece programas educacionais, parcerias inovadoras e aceleradora de startups. No Brasil, a parceria foi possibilitada por intermédio da FIAP. O mundo futurista dessa universidade abriu novas frentes para Oliveira.
Quando entendeu a fundo o conceito, tinha certeza de que queria trabalhar com isso. Trouxe a ideia para o Brasil, determinado a transferir esse novo conhecimento ao mundo – tanto que, em dezembro de 2104, ajudou a fundar a corretora de bitcoins Fox Bit, a qual responde atualmente por cerca de 52% mercado.
Para definir o que é blockchain, Oliveira usa uma frase retirada de relatório global da PwC: “Se fintechs irão destruir bancos, blockchain irá destruir as fintechs” – só para se ter uma ideia de quão disruptiva é a tecnologia. Mas, basicamente, blockchain é “um banco de dados completamente diferente dos usados pelas empresas [como Oracle, MySQL], descentralizado e dentro do qual integridade, consistência, dados, são mantidos pelo consenso de uma rede distribuída de participantes”, afirma o também professor da FIAP durante o workshop painel ministrado no IT Forum+, que acontece nesta semana, na Praia do Forte (BA).
O executivo completa que a plataforma garante segurança exatamente por ser descentralizada. “[ela] Não possui um administrador do banco de dados, alguém que está controlando aquela informação”, explica, complementando que, por conta disso, ninguém individualmente consegue alterar as informações ali colocadas.
Por trás do blockchain, há uma rede de computadores dos participantes conectados. Dessa forma, eles trocam informações entre si, possuindo cada um cópias locais dos dados, os quais são públicos, abertos para quem quiser visualizar. Por ser distribuída, a rede é à prova de controle de uso individual: se o computador de um dos integrantes for invadido, apenas uma cópia pode ser apagada, sendo que há outras iguais espalhadas em outras máquinas mundo afora. “Você pode apagar a cópia local, mas isso não vai exercer qualquer efeito sob a rede”, ressalta.
Para garantir a integridade da plataforma, continua, periodicamente usuários participantes verificam se todos os dados estão de acordo, se são iguais, emitindo posteriormente, por consenso geral, o que é chamado de bloco – o mesmo que dá o nome à plataforma (blockchain significa algo como cadeia de blocos, em tradução livre). “[O bloco] é um conjunto de informações legitimado e validado por toda a rede”, pontua Oliveira.
Uma das propostas mais interessantes do blockchain é abrir portas para pensar em novos modelos de negócios descentralizado para o mercado financeiro. Ou seja, com a plataforma, transações não necessitam de intermediários – tampouco das taxas cobradas por eles, como IOF, acima de 6%. “Você praticamente não tem custo com essa tecnologia, porque não tem riscos, não tem fraude e o processamento é distribuído entre participantes da rede”, aponta Oliveira.
Já o bitcoin, continua, é o principal caso de uso da tecnologia de blockchain. “Basicamente, é um token digital que circula na plataforma”, comenta Oliveira. O protocolo para dinheiro, no entanto, é limitado: só existem 21 milhões de unidades da moeda no mundo em circulação. Para gerar mais alguma, é preciso que toda a comunidade aceite que uma nova unidade existe.
A moeda virtual surgiu em fevereiro de 2009 e, três anos mais tarde, atingiu o valor de U$ 1. De lá para cá, caiu nas graças de investidores que viram potencial na criptomoeda – em 19 de novembro de 2013, ela atingiu seu primeiro pico de US$ 1242. Hoje, seu valor é estimado em R$ 1945.
E, apesar de não ser controlada diretamente pelo Banco Central, o executivo ressalta que a moeda também deve seguir algumas regras do mundo tradicional. “Dependendo da natureza do que você está fazendo, é possível caracterizar como sonegação de imposto”, afirma se referindo à não declaração de bitcoins quando há ganho de capital.
O potencial dessas tecnologias é alto. Elas estão apenas engatinhando no Brasil, mas, no mundo, gigantes como IBM, Microsoft e até a bolsa de valores Nasdaq já estão explorando as inúmeras possibilidades que ela permite.