Ser TI em um dos principais fornecedores de tecnologia do mundo não é das tarefas mais simples. Afinal, é preciso estar alinhado não só com uma estratégia interna, mas com aquilo que a companhia está levando ao mercado. No caso da IBM, com um discurso muito focado em digital, envolvendo tendências como social, cloud, analytics, mobilidade e segurança, o CIO precisa, sem dúvida, trabalhar com essas tecnologias para não cair no velho ditado: casa de ferreiro, espeto de pau.
Sabendo dessa missão, Rodolfo Linhares, que comanda a TI da fabricante para América Latina, tem conduzido a estratégia do departamento com premissas claras e que envolvem não apenas o trabalho com as tecnologias emergentes, mas também uma forte integração com as demais áreas da companhia. “Temos abertura com todas as unidades de negócio. Algumas demandam mais, outras menos e gerenciamos isso. É óbvio que precisamos buscar melhorias, mas acho que a TI entendeu rapidamente as mudanças de estratégia na IBM e reagimos rapidamente ao CAMSS (cloud, analytics, mobile, social, security).”
Um ponto que ajuda muito nessa boa relação é um histórico da TI da IBM de ter profissionais de tecnologia dedicados às áreas de negócio. Esse trabalho direto, faz com que essas pessoas desenvolvam um conhecimento mais amplo, que as nutre para ter um diálogo mais efetivo com as áreas, resultando ainda em melhores negociações de projetos. Além disso, o próprio departamento, formado por 800 profissionais espalhados pela AL, faz uso de tecnologias que referendam esse mundo cada vez mais digital para que haja integração e interação.
Resultado disso? Uma TI propositiva. “Costumamos sugerir ideias e temos canais com as unidades de negócios até para entender as dores e prover soluções para eles. Saímos de uma implantação grande para RH, fizemos analytics para finanças, os líderes são abertos para questionamentos e sugestões”, atesta Linhares, que venceu o prêmio Executivo de TI do Ano, na categoria TIC, com um projeto voltado para a área de vendas.
Como todos sabem, mexer com o comercial nem sempre é simples, especialmente quando se mudam processos ou mesmo as ferramentas de trabalho. Mas no caso da força de vendas da IBM, a aceitação do Mobile Sales Experience, como ressalta o CIO, foi ‘muito boa’. Resumidamente, a iniciativa consistiu na distribuição de 2,5 mil iPads na América Latina, sendo 1,1 mil no Brasil, equipados com diversas aplicações, muitas delas para demonstração de soluções e outras para facilitar ou mesmo acelerar o processo de vendas, como um aplicativo que permite conectar o cliente a um especialista em determinado tema por meio de videoconferência.
Como explicou Linhares, a iniciativa contou com aplicativos globais e locais, mas um dos pilares em termos de aplicações foi o uso da Connections Suite, plataforma da própria IBM que permite configuração de e-mail, chat e traz ampla possibilidade de trabalhar a questão do social. “O ponto principal do projeto foi a opção de interagir com o cliente. Antes, eles tinham um laptop e chegavam ao local para fazer apresentação tendo também como suporte material impresso. O iPad tem a melhor configuração, conexão 4G e vai ao encontro da ideia de mobilidade.”
Linhares frisou que a iniciativa partiu da TI e o Brasil foi pioneiro na adoção de alguns aplicativos. A execução também exigiu esforço por ter envolvido diversas áreas como RH, compras, gestão de ativos, infraestrutura e tudo foi feito com muita velocidade, já que um grande desafio da iniciativa era o prazo; todos os tablets foram distribuídos ao longo do segundo semestre de 2014.
Para a equipe, trabalhar na plataforma Apple acabou não sendo um desafio, já que a fabricante e a IBM haviam selado um acordo comercial recente e a TI acabou se beneficiando disso. Essa imersão trouxe, na verdade, um conhecimento mais amplo do sistema iOS e das possibilidades de uso no mundo corporativo. “Quando fechamos parceria, a possibilidade de fazer com a Apple foi ótima. A experiência foi positiva e não se viu como desafio”, comentou Linhares, lembrando que a presença de dispositivos da marca já eram realidade por meio de uma política de BYOD vigente.
Mas o que se pode dizer do Mobile Sales Experience é que ele atingiu diversos objetivos em uma só tacada: simplificar o trabalho, impactar resultados de vendas, melhorar exposição de produtos e fazer uso das tendências que integram a estratégia global da companhia.