Tudo na nova infraestrutura inaugurada pelo Itaú, que ainda nem opera em sua capacidade total, é superlativo. Com investimento de R$ 3,3 bilhões, o data center instalado em Mogi Mirim, interior do Estado de São Paulo, é um dos maiores centros de processamento de dados do mundo e de acordo com o presidente da instituição Roberto Setúbal representa um dos maiores investimentos empresariais realizados em um único site no País. O ambicioso projeto, anunciado em 2012, mas que começou a ser desenhado há cerca de seis anos, terá papel fundamental para suportar o crescimento do banco até 2050, bem como a transformação digital que atinge em cheio o setor financeiro.
“Estamos falando de um dos maiores CPDs do mundo. Serão 150 mil metros quadrados de área construída, 200 mil conexões, só para dar ideia da complexidade que é fazer um CPD dessas dimensões”, comentou Setúbal, ao falar para jornalistas, antes da cerimônia de inauguração. Como lembrou o executivo, esse é o primeiro grande CPD que banco constrói em 35 anos – idade do então principal centro de processamento de dados do Itaú instalado na capital paulista e que servirá de site de contingência.
A expectativa do banco é que até julho de 2016 toda a operação do Itaú Unibanco esteja em processamento a partir do centro de Mogi Mirim. Neste momento, já foi migrada por completa a operação de cartão de crédito. Como explicou Marcio Schettini, diretor-geral de tecnologia e operações do Itaú Unibanco, o investimento nesse novo centro de dados é uma forma de dar continuidade à uma agenda digital que o banco vem desenvolvendo ao longo dos últimos anos.
A operação
Tecnicamente falando, trata-se de uma das estruturas mais modernas, além de representar, como frisam os próprios executivos, uma transformação em termos de arquitetura. O terreno de 815 mil metros quadrados conta, atualmente, com 60 mil metros quadrados de área construída, abrigando um centro de comando e área administrativa e dois data centers que trabalham num esquema ativo/ativo. A grande diferença para uma contingência tradicional está no fato de não haver espera em caso de indisponibilidade em um dos centros de dados.
Alexandre de Barros, vice-presidente de TI do banco e que está deixando a função para ser consultor especial da área de tecnologia, detalhou o funcionamento da operação, explicando que os ambientes são espelhados, de forma de um assume 100% a operação em caso de indisponibilidade. Além disso, todo o processamento do banco fica garantido pela estrutura instalada na capital paulista que, ao final de toda a migração, funcionará apenas como contingência.
“Isso muda nossa forma de operar, antes a contingencia demorava, temos também replicação síncrona de dados, ou seja, atualiza uma informação em um, atualiza no outro também e abordagem redundante. Temos fibra ligando todos os prédios e fizemos plano para que essas fibras fizessem grandes anéis em São Paulo e isso gera extrema redundância”, comentou Barros.
Como dito no início do texto, tudo é superlativo:
10 mil servidores, sendo 90% do parque virtualizado
2 Petabytes de link de comunicação
235 mil MIPs em mainframes
204 mil portas de conectividade
448 mil rotinas de processamento por dia
4 mil quilômetros de cabos
12 geradores a diesel
1 subestação de energia com capacidade para abastecer uma cidade com 140 mil habitantes
26 petabytes de armazenamento
O complexo tecnológico já nasce com certificação Tier III e Leed Gold. Como o projeto do centro em Mogi Mirim é de longo prazo, as bases para os próximos data centers já estão feitas. A previsão é que outros dois DCs sejam construídos entre 2021 e 2023 e outros dois até 2035, o que elevará a área construída para mais de 151 mil metros quadrados.
*O jornalista viajou a Mogi Mirim a convite do Itaú