Que os ambientes em cloud computing são tendência irreversível, não temos dúvidas, porém é preciso ter alguns cuidados para não se frustrar com os resultados quando se migra de ambientes tradicionais para a nuvem.
De acordo com pesquisa da Coleman Parkes Research, 52% das empresas buscam redução de custos ou mudança do modelo de custo de Capex, que é o montante de dinheiro gasto na aquisição, para Opex, a despesa associada à manutenção dos equipamentos. No entanto, sem um planejamento detalhado, o custo do ambiente em cloud computing pode até ser maior do que o do ambiente tradicional. Mesmo as vantagens relacionadas à agilidade e performance podem ser desviadas por uma implementação inadequada.
É importante notar que a tecnologia disruptiva que promove redução significativa de custos e melhor aproveitamento de recursos computacionais é a virtualização. A nuvem veio para tirar maior proveito dessa tecnologia, agregando o fator on-demand ao modelo.
A expectativa de redução de custo de um ambiente totalmente físico para um inteiramente virtualizado é da ordem de 70%, enquanto a diminuição esperada em uma migração de ambiente já virtualizado para cloud computing pode ser menor do que 20%. Por isso, se o objetivo principal é apenas redução de custo, devemos primeiro avaliar se o processo de virtualização já foi corretamente implementado, já que esse é o modelo que promove grande diminuição de custo.
Abaixo estão cinco principais aspectos a serem considerados em um movimento em direção a um ambiente de cloud computing:
1. Revisar o ambiente atual
Em primeiro lugar, é importante ter certeza que todos os servidores que podem ser virtualizados já estão nesse modelo. A maioria das empresas, mesmo as que já têm ambientes virtualizados a muitos anos, ainda mantém muitos servidores físicos apenas por não dedicarem mais atenção aos servidores periféricos. É normal se concentrar nas principais aplicações e deixar de lado servidores menos importantes – mas esses podem significar mais de 50% do parque instalado. O ganho em custos relacionado à virtualização de todo o parque é maior do que o de uma migração de um ambiente já virtualizado para cloud computing.
2. Custos de software
É fundamental avaliar com cuidado o modelo de licenciamento de todo o conjunto de software e aplicações e comparar o ambiente físico versus virtual. Ter um planejamento de virtualização focado apenas no hardware é comum. A maioria dos fornecedores de software possui modelos diferentes de licenciamento e alguns sequer têm um modelo para ser utilizado em nuvens públicas.
3. Identificar aplicações mais aderentes ao modelo de cloud computing
Alguns fatores-chave fazem parte desta análise:
• Aplicações com baixa utilização da Unidade Central de Processamento (CPU), memória e disco;
• Aplicações com grandes variações de consumo de recursos ao longo do dia/mês (carga de dados, processamentos batch, geração de relatórios etc.);
• Aplicações com alta demanda mediante sazonalidades (fechamento do mês, Natal, Black Friday etc.);
• Ambientes de Recuperação de Desastres (Disaster Recovery);
• Ambientes de desenvolvimento.
Nem todas as aplicações vão rodar na nuvem a um custo mais baixo que o atual. Um estudo preliminar pode apontar as melhores candidatas, embora só seja possível observar o resultado exato após a migração do ambiente. Por isso, é importante começar com aquelas que claramente irão gerar uma redução de custo.
4. Escolher o modelo com melhor retorno para cada aplicação
As principais nuvens públicas oferecem não apenas IaaS (infraestrutura como serviço), como também o modelo PaaS (plataforma como serviço), que não utiliza servidores virtuais para cada parte das aplicações, mas sim plataformas já pré-configuradas. Por exemplo: se uma aplicação está desenvolvida em três camadas (Servidor Web, Servidor de Aplicação e Servidor de Banco de Dados) você pode escolher entre criar três servidores virtuais na cloud computing ou utilizar uma PaaS para cada um desses servidores. Nesse caso, não teria de realizar a administração da plataforma, tendo apenas uma instância dentro da nuvem para colocar seus dados e aplicações.
A decisão por usar a tecnologia PaaS do provedor de cloud computing deve levar em consideração os seguintes aspectos:
• Performance: em um modelo PaaS você não fica limitado ao desempenho de um servidor virtual criado com um número X de processadores e Y de memória. A plataforma oferecida cresce de acordo com a utilização;
• Custo: o modelo de custo é totalmente diferente, principalmente aquele relacionado ao software. A maior atenção deve ser dada ao “Banco de Dados como Serviço”, no qual a diferença de custo entre os dois modelos pode ser muito significativa. É necessário levar em consideração também o custo com a gestão do servidor, que no modelo PaaS tende a ser muito menor, já que diversas funções são de responsabilidade do provedor de cloud computing (aplicação de patch, backup etc.);
• Segurança e integração: No modelo PaaS precisamos avaliar como será feito o acesso à plataforma e avaliar o modelo de controle de acesso e segurança dos dados, já que o servidor é compartilhado e não está dentro do seu domínio na nuvem.
5. Definir provedor (ou provedores) de cloud computing
Cada provedor possui um modelo de precificação e oferta de serviços próprios, que serão mais adequados para cada aplicação ou conjunto de aplicações. Dependendo do parque instalado, pode ser mais vantajoso até a escolha de dois provedores distintos para grupos diferentes de aplicações. Contudo, o aumento da complexidade na gestão de dois provedores pode não compensar o ganho especifico que um grupo de aplicações vai ter em cada provedor. Por isso, a melhor opção pode ser mover todas as aplicações para a mesma nuvem, mesmo se uma delas se adaptar melhor em outra.
É importante destacar que, nessa análise, define-se quais aplicações não devem ser movidas para a nuvem.
Seguir um planejamento adequado e respeitar todas as fases do processo fazem aumentar exponencialmente as chances de sucesso em projetos de migração para cloud computing. Só assim será possível usufruir todos os benefícios em termos de custo, flexibilidade e performance.
Em geral, as frustrações ocorrem quando empresas fazem a transição para novas tecnologias esperando delas muito mais do que de fato elas podem entregar.
*Fernando Henriques é diretor responsável por Serviços de Cloud Computing e Infraestrutura da Unisys para América Latina