Muito em breve, a rede será totalmente baseada em Wi-Fi. É o que acredita Rahul Patel, vice-presidente sênior e gerente-geral da unidade de Conectividade da Qualcomm. Para ilustrar como o mundo caminha para esse cenário, ele contou que, hoje, as casas contam, em média, com 15 a 17 dispositivos conectados à internet, como TV e notebook, mas a tendência é de esse número aumente para 50 por volta de 2022, incluindo refrigeradores, máquinas de lavar e lâmpadas inteligentes.
“Conexão wireless será como um appliance, algo plug e play ,com baixa latência e alta velocidade”, comentou o executivo. Segundo ele, empresas e casas contam com telas por todos os lados e a conexão Wi-Fi vai facilitar a exibição e o compartilhamento de conteúdo. “Na Qualcomm não temos mais cabo. Se precisamos apresentar algo, fazemos via wireless”, exemplificou. Já há no mercado, inclusive, notebooks que não contam com entrada HDMI, nem mesmo entrada para ethernet, mostrando que o futuro será moldado pela falta de cabos.
Esse grande volume de dispositivos conectados, no entanto, poderá congestionar a rede interna. Sem contar que, hoje, os dispositivos não conversam entre si, desafiando ainda mais a integração entre as ‘coisas’. “Esse é um grande problema e poderá impactar na experiência do usuário”, comentou. Contudo, a saída, disse, acaba de sair do forno da indústria. A Qualcomm já fez sua parte e no ano passado lançou o Wi-Fi Son, que organiza e orquestra a rede.
“Esse tipo de tecnologia permitirá que qualquer pessoa instale sua rede de coisas, sem precisar de conhecimentos específicos ou técnicos. Todos poderão configurar”, afirmou Patel, completando que muitas outras empresas estão lançando produtos nessa linha, como o Google, com o Google WiFi.
Mas facilitar a conexão de coisas em casa ou no trabalho não terá sucesso caso os produtos não sejam interoperáveis. Patel comentou que para eliminar esse gargalo, a Qualcomm atua em linha com mercado e é uma das associadas do Wi-Fi Alliance, organização sem fins lucrativos que promove a tecnologia e ainda garante a conformidade e padrões de interoperabilidade. “Toda a indústria tem de fazer isso acontecer”, finalizou.
*A jornalista viajou a Barcelona (Espanha) a convite da Qualcomm